Etanol: Mercado: Gasolina

Para Silva e Luna, Petrobras precisa avaliar preços dos combustíveis com “sensibilidade”

General indicado para comandar estatal diz que acionistas e sociedade precisam ser levados em conta


O Globo - 22 fev 2021 - 08:00

Indicado para presidir a Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna afirmou ao Globo que a estatal precisa equacionar as suas prioridades entre as pessoas, os acionistas, e o mercado. Segundo Luna, a empresa precisa ter “sensibilidade” na avaliação de preços.

“Uma empresa existe no sentido de ter ganhos para poder prosperar, crescer. A Petrobras é o que é porque ela sempre teve uma administração nesse sentido de dar resultados”, afirma e segue: “Ela tem seus acionistas que querem ter ganho. Tem o mercado que acaba fazendo o seu trabalho aí também. E tem as pessoas, que consomem, que pagam essa conta no final. Então, esses três atores, esses três termos, têm que estar na mesma equação. Eu vejo dessa maneira”.

Bolsonaro decidiu tirar Roberto Castello Branco do comando da estatal depois de sucessivas altas nos preços da gasolina e do diesel. Para Luna, é preciso “sensibilidade” ao tratar do assunto. “O presidente não fez nenhuma observação, nada, nada, com relação à interferência. Me convidou, desejou sorte”, disse o general.

Para o general, os preços dos combustíveis precisam ser vistos dentro de um “contexto”, citando a crise econômica causada pela pandemia e a alta do dólar e do preço do barril de petróleo.

“O transportador de carga, o operador do trem, do navio, ele vai sentir o custo depois na sua logística”, afirma. “Vejo isso aí como um momento muito complicado, precisa de muita sensibilidade e a compreensão de todos, até no sentido de se identificar se há um outro caminho, outra forma de encontrar uma solução que contemple uma melhoria da situação de custo”.

Questionado se iria propor mudança na política de preços da Petrobras, Silva e Luna respondeu: “A gente sabe que quem define política de preço, pelo que eu conheço, que já li, é a diretoria executiva. A diretoria executiva da empresa é responsável pela política de preços. Ou seja, isso aí é uma vontade coletiva. Não adianta uma pessoa querer. Então tem que ter uma decisão colegiada para que as pessoas entendam o que precisa ser feito”. Ele ainda acrescentou que o assunto não pode ser “considerado precipitadamente”.

Silva e Luna disse que ainda não conversou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, que foi responsável pela indicação de Roberto Castello Branco. A Petrobras é ligada ao Ministério de Minas e Energia.

“A empresa tem sua independência, mas você tem que alinhar. O número um desse alinhamento é o Ministério de Minas e Energia, não tem como. E outro, o Ministério da Economia”, disse. “É com esses dois ministérios que a Petrobras precisa conversar, se alinhar para poder entender as suas ações. Essa compreensão eu tenho. A gente tem que estar alinhado, senão não consegue avançar na direção certa”.

O general permanece com a agenda, nesta semana, dedicada a Itaipu, onde completa dois anos no cargo. Silva e Luna foi ministro da Defesa no governo Temer e antes era secretário-geral da pasta.

“Eu fui indicado pelo presidente (Jair Bolsonaro) para ser presidente da Petrobras. Indicado. Ainda serei avaliado e referendado pelo Conselho de Administração da empresa”, afirma e completa: “Há um caminho a ser percorrido. Agora, nesse momento, eu considero que qualquer coisa que eu fale sobre Petrobras estaria no mínimo sendo precipitado, indelicado, e principalmente ilegítimo”.

Manoel Ventura


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