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Petrobras negocia com o governo reajuste dos preços dos combustíveis ainda este ano


O Globo - 13 ago 2013 - 13:54 - Última atualização em: 13 ago 2013 - 17:41

A Petrobras está negociando com o governo federal a possibilidade de reajustar os preços de gasolina e óleo diesel este ano. A informação foi dada ontem pelo diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, ao explicar que, sem reajuste, e com o atual patamar do câmbio, a empresa verá seu endividamento líquido crescer até o fim do ano. Isso porque a Petrobras usará os recursos que tem em caixa — R$ 72,8 bilhões (US$ 32,8 bilhões) — aumentando sua dívida líquida. No primeiro semestre do ano, a estatal captou ao todo cerca de US$ 20 bilhões.

"Estamos trabalhando intensamente em busca do alinhamento dos preços (dos combustíveis) ao mercado internacional" disse Barbassa ontem na apresentação dos resultados da companhia no primeiro semestre.

O diretor disse que, sem reajuste e com o câmbio atual, a estatal poderá ultrapassar o limite de 35% entre a dívida líquida e a geração de caixa operacional, que hoje é de 2,5 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). Mesmo ultrapassando os limites do seu endividamento, Barbassa destacou que a companhia terá um aumento de geração de caixa a partir de 2014, com a entrada em operação de diversos sistemas de produção de petróleo. Por isso, Barbassa crê que a Petrobras não perderá sua classificação de grau de investimento:

"As agências de (classificação de) risco estão acompanhando de perto o plano da companhia, considerando o futuro crescimento de exportações. O esforço para reduzir custos e elevar a eficiência tem deixado essas agências bastante confortáveis com a manutenção do nosso rating (grau de investimento). Portanto, um crescimento da alavancagem (endividamento) no segundo semestre não afetará nossa perspectiva do rating da Petrobras."

O diretor disse que a Petrobras não mudou sua política de dividendos, e a eventual antecipação do pagamento de dividendos no segundo semestre depende da aprovação pela diretoria e do seu Conselho de Administração. Com a mudança contábil adotada pela companhia para proteger da variação do câmbio, a atual distribuição de dividendos terá um aumento de R$ 600 milhões este ano para as ações ordinárias (ONs).

Contabilidade veio para ficar

A mudança contábil teve um impacto positivo de R$ 7,9 bilhões no balanço da companhia no segundo trimestre, que fechou com um lucro líquido de R$ 6,2 bilhões. Barbassa disse que, não fosse essa mudança contábil, a estatal ainda teria tido um lucro, porém menor.

"Considerando o valor do imposto, o impacto no balanço do hedge (proteção) foi de R$ 5 bilhões, ou seja, o resultado ainda seria positivo sem a contabilidade de hedge" disse Barbassa, ao destacar que essa contabilidade usada para se proteger da variação do câmbio vai continuar. "Isso veio para ficar porque traz um benefício muito grande sobre a redução de volatilidade do resultado da companhia, fruto de variações cambiais."

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Formigli, disse que até o fim do ano a empresa prevê interligar mais 36 novos poços nos sistemas que estão sendo instalados. Eles permitirão uma alta potencial na produção de petróleo de mais 440 mil barris diários de petróleo:

"A produção começa a crescer principalmente a partir do fim do terceiro trimestre, e depois plenamente a partir do quarto trimestre do ano."

O diretor de Abastecimento, José Cosenza, disse estimar que as importações de gasolina e óleo diesel somem cerca de 200 mil barris diários no segundo semestre, ante 240 mil barris diários no primeiro trimestre. A redução será possível com o aumento do percentual de álcool na gasolina de 20% para 25% já em vigor.


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