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Etanol: Mercado: Gasolina

Petrobras reajusta gasolina em 4% e adota uma política de preços secreta


Agências - 29 nov 2013 - 22:57 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira elevação média do preço da gasolina no país em 4 por cento e do diesel em 8 por cento. O percentual de reajuste será aplicado nas refinarias e entra em vigor neste sábado, às 0h.

Tanto um reajuste pontual dos combustíveis quanto uma nova metodologia de precificação da gasolina e do diesel eram aguardados com ansiedade pelo mercado, porque podem dar fôlego financeiro à empresa, que sofre com um caixa apertado e alto endividamento.

No entanto, o comunicado da petroleira não sinalizou como funciona a nova política de preços.

"Por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à companhia", disse a empresa.

O objetivo da Petrobras é "alcançar, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referências internacionais", disse a Petrobras. A estatal informou ainda que não quer "repassar a volatilidade dos preços internacionais ao consumidor doméstico".

Uma fonte com conhecimento do tema disse à Reuters que a Petrobras não fará reajustes imediatamente após o preço do petróleo subir ou recuar no exterior, mas deverá aguardar por algum período para então repassar a variação ao mercado doméstico.

O problema do gatilho

Uma nova metodologia de reajuste foi proposta pela Petrobras na reunião de outubro do Conselho. Desde então, o ministro da Fazenda e presidente do Conselho, Guido Mantega, vinha dizendo que seria necessária uma análise mais profunda sobre essa fórmula e que uma decisão sobre o tema não poderia ser tomada de forma rápida.

A fórmula proposta pela Petrobras desagradou a presidente Dilma porque poderia aumentar a inflação e criar um mecanismo indesejável de indexação (aumentos automáticos sempre que uma determinada situação é atingida).

A indexação foi um dos problemas para o país controlar a hiperinflação que existia até os anos 90.

Efeito na bomba e inflação

A Petrobras não divulgou uma expectativa de qual será o impacto do reajuste nos postos de combustíveis.

A economista Basilik Litvac, da MCM Consultores, calcula um aumento da gasolina de 2,8 a 3 por cento e do diesel de 6 por cento na bomba. Na inflação oficial, o impacto total da alta dos combustíveis deve ser de 0,12 ponto percentual no IPCA de dezembro.

As projeções da economista estão alinhadas com as de um representante do setor de petróleo, que disse à Reuters que o reajuste da gasolina terá impacto de 3 por cento ao consumidor, enquanto o do diesel deverá variar de 6 a 7 por cento na bomba.

É o segundo aumento da gasolina em 2013, depois dos 6,6 por cento nas refinarias em janeiro. Para o diesel, trata-se do terceiro reajuste, após os aplicados em janeiro e março, de 5,4 e de 5 por cento, respectivamente.

Opiniões

O consultor Adriano Pires, que trabalhou na Agência Nacional do Petróleo (ANP), afirmou que o anúncio feito hoje pela Petrobras frustra as expectativas de mercado, uma vez que não foi revelada a fórmula que balizará a política de reajustes dos combustíveis pela estatal.

Para o consultor, se fosse verdade que a Petrobras terá daqui para frente autonomia para decidir sobre os preços, os reajustes anunciados hoje já teriam vindo mais altos, de pelo menos 6% para a gasolina e 10% para o diesel.

"Os aumentos de hoje já mostram que a Petrobras não terá autonomia. O viés de controle da inflação prevaleceu", afirmou Pires.

Na avaliação do Blog da redação do Valor Econômico, "o comunicado da estatal sobre o que foi decidido na reunião de conselho resume-se assim: chegamos a uma solução, mas não vamos contar qual é." E ironizou: "ainda bem que é o petróleo é nosso, mas a volatilidade, não."

Veja o comunicado da Petrobras na íntegra:

A Petrobras informa sobre a implementação de sua política de preços de diesel e gasolina após apreciação pelo Conselho de Administração, a ser aplicada a partir de 29 de novembro de 2013.

A referida política de preços visa atender aos seguintes princípios e objetivos:

a) Assegurar que os indicadores de endividamento e alavancagem retornem aos limites estabelecidos no Plano de Negócios e Gestão 2013-2017 em até 24 meses, considerando o crescimento da produção de petróleo e a aplicação desta política de preços de diesel e gasolina;

b) Alcançar, em prazo compatível, a convergência dos preços no Brasil com as referências internacionais;

c) Não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao consumidor doméstico.

Já atendendo aos princípios desta política de preços, a Petrobras informa os seguintes reajustes nos preços de venda nas refinarias, a vigorar a partir da 0:00h do dia 30 de novembro de 2013:

Gasolina A: 4%*
Diesel: 8%*
(*) média Brasil

Os preços da gasolina e do diesel, sobre os quais incide o reajuste anunciado, não incluem os tributos federais CIDE e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS.

Seguindo recomendação de seu Conselho de Administração, por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à Companhia.

Caberá ao Conselho de Administração avaliar a eficácia da política de preços da Petrobras por meio da evolução dos indicadores de endividamento e alavancagem da Companhia.

Este texto possui Informações selecionadas pelo novaCana da Reuters, Valor Econômico e UOL

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