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“Não podemos nos desviar de preços de mercado”, diz presidente da Petrobras

Após lucro de R$ 44,5 bilhões, Bolsonaro quer que estatal segure reajustes dos combustíveis


Folha de S. Paulo - 09 mai 2022 - 08:34

Após novas reclamações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre os elevados lucros da Petrobras, o presidente da estatal, José Mauro Coelho, voltou a defender nesta sexta-feira, 6, a política de preços dos combustíveis da companhia.

“Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado, condição necessária para a geração de riqueza não só para a companhia, mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para atrair investimentos para o país e para garantir o suprimento de derivados que o Brasil precisa importar”, disse.

A declaração foi dada em discurso de abertura de teleconferência com analistas para detalhar o lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022, que motivou anúncio de distribuição de R$ 48,5 bilhões em dividendos aos acionistas.

Pouco antes da divulgação do resultado nesta quinta, 5, Jair Bolsonaro disse em sua live semanal que os elevados lucros da Petrobras são um “estupro” e que um novo reajuste nos preços dos combustíveis pode quebrar o país.

“A gente apela para a Petrobras: ‘não reajuste o preço dos combustíveis’. Vocês estão tendo um lucro absurdo. Se continuar tendo lucro dessa forma e aumentando o preço dos combustíveis, vai quebrar o Brasil”, disse o presidente.

Os elevados lucros da estatal são alvo de críticas tanto no governo quanto na oposição, diante da alta dos preços dos combustíveis no país. Por outro lado, o setor de combustíveis, que reclama que a elevada defasagem gera risco de desabastecimento do mercado.

A preocupação com o abastecimento é um dos argumentos que vem sendo repetido por Coelho em defesa da política de preços, desde que ele ainda ocupava um cargo no Ministério de Minas e Energia (MME). Nesta sexta, ele voltou a lembrar que o Brasil depende de diesel e gasolina importados.

Em entrevista para falar do balanço com a imprensa, Coelho disse entender que a preocupação do presidente da República é legítima e que o elevado preço dos combustíveis é um problema em todo o mundo atualmente.

“Por outro lado, por dever de diligência, os administradores da Petrobras e administradores de empresas de capital aberto devem atuar, no caso da Petrobras, de acordo com a política de preços da companhia”, afirmou.

O diretor de relacionamento institucional e sustentabilidade da estatal, Rafael Chaves, acrescentou que preços de mercado são “uma forma democrática” de sinalizar a compradores e fornecedores quais as condições do abastecimento, se é preciso aumentar a oferta ou reduzir o consumo, por exemplo.

“A alternativa ao preço de mercado é o preço tabelado. A gente já viu isso no passado no Brasil e muitos vizinhos tentam também, e isso não funciona”, afirmou.

O mercado financeiro espera novos reajustes em breve, principalmente no preço do diesel, que se descolou das cotações internacionais do petróleo.

Nesta sexta, 6, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço médio do combustível nas refinarias brasileiras está R$ 1,27 por litro abaixo da paridade de importação, conceito usado pela Petrobras em sua política de preços.

“Esperamos que a Petrobras ajuste os preços para cima para garantir o abastecimento de combustíveis no Brasil”, escreveram, em relatório divulgado nesta sexta, os analistas Luiz Carvalho, Matheus Enfeldt e Tasso Vasconcellos, do UBS BB.

Estatal nega risco de desabastecimento

Embora a garantia do suprimento seja um dos argumentos usados pela empresa para defender sua política de preços, o diretor de comercialização e logística da estatal, Cláudio Mastella, descartou risco ao abastecimento de combustíveis no mercado interno neste momento.

“O mercado está suprido tanto pelo refino brasileiros quanto por importações da Petrobras e de terceiros. Os estoques estão confortáveis”, disse. Ele argumentou ainda que cada empresa do setor tem sua própria percepção do tamanho das defasagens em relação ao mercado internacional.

O presidente da Petrobras repetiu que a empresa não tem o objetivo de repassar ao consumidor brasileiro volatilidades momentâneas do mercado internacional. “Mas, claro, que em determinado momento reajustes devem ser feitos para preservar a saúde financeira da companhia”.

Coelho foi indicado pelo governo para substituir o general Joaquim Silva e Luna, demitido após os aumentos de preços anunciados em março para acompanhar a escalada do petróleo após o início da Guerra na Ucrânia.

Mas logo na sua posse defendeu a prática de preços internacionais. Nesta sexta, disse que o resultado do primeiro trimestre é “prova inequívoca de que a Petrobras é uma empresa da qual todos os nossos acionistas e brasileiros podem se orgulhar”.

Na entrevista, ele disse que os aumentos de março tiveram pouco impacto desempenho da empresa no primeiro trimestre. Beneficiada pela escalada das cotações do petróleo e pelo aumento da produção e importações, afirmou a área de exploração e produção respondeu por 80% do resultado.

O lucro R$ 44,5 bilhões foi o terceiro maior já registrado em um trimestre por uma companhia aberta brasileira. Vem logo depois do maior lucro anual da história da Petrobras, de R$ 106,6 bilhões, que levou a empresa a distribuir R$ 101,4 bilhões em dividendos.

Apesar das críticas do próprio presidente, a direção da empresa reforçou nesta sexta sua política de dividendos, que prevê a distribuição de 60% da diferença entre a geração de caixa e a previsão de gastos com investimentos.

“Vamos buscar sempre distribuir o máximo possível do que a gente gera de valor”, disse Araújo aos analistas do mercado, que elogiaram o desempenho da empresa na teleconferência e em relatórios divulgados esta sexta.

Nicola Pamplona


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