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Etanol: Mercado: Gasolina

Maior trading do mundo vê petróleo acima de US$ 80 por crise do gás

Para CEO da Vitol, Russell Hardy, demanda global deve crescer com inverno no hemisfério norte


Bloomberg - 27 set 2021 - 12:11

A Vitol, maior trading independente de petróleo do mundo, prevê um aumento extra da demanda global por petróleo de 500 mil barris por dia no inverno do hemisfério norte devido à crise de energia gerada pela falta de gás, o que acelera a corrida por outros combustíveis.

O petróleo deve ultrapassar US$ 80 o barril, em parte porque os preços mais altos do gás impulsionam a demanda, disse o CEO da Vitol, Russell Hardy, em entrevista de Londres na quinta-feira. Esse cenário poderia levar os produtores da Opep+ a adicionarem mais oferta ao mercado, disse.

“A demanda pode nos surpreender positivamente por causa da troca de energia? Sim.” disse Hardy. “É provável que haja meio milhão de barris por dia de demanda extra por causa do preço do gás? Provavelmente, durante o inverno”.

A visão otimista de Hardy ecoa a do Goldman Sachs, que projeta preços mais altos para o petróleo, especialmente se os meses de inverno forem mais frios do que o normal. Tradings têm avaliado o provável impacto de um mercado de gás natural cada vez mais apertado no complexo de energia mais amplo durante o inverno que se aproxima.

Os estoques de gás na Europa devem corresponder a cerca de 78% dos níveis normais em outubro, um sinal de mercado apertado nos meses mais frios, quando a demanda aumenta, disse Hardy.

Consumo global

O aperto nos estoques de gás coincide com a forte demanda global, com países como Paquistão, Bangladesh, Índia e China em busca de combustíveis mais limpos em oleodutos e sistemas de energia, afirma Hardy.

Isso significa que o gás continuará caro, incentivando a compra de combustíveis alternativos, como gás liquefeito de petróleo ou nafta para o setor de energia ou uso industrial, de acordo com Hardy. O gás, por exemplo, é negociado a cerca de US$ 1.200 a tonelada, enquanto o GLP custa apenas cerca de US$ 750 a tonelada, disse.

Embora a demanda global por petróleo ainda esteja cerca de 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis de 2019 – principalmente devido ao menor consumo de combustível de aviação – essa lacuna diminuirá constantemente, aponta o CEO.

Hardy espera que a demanda retorne aos níveis de 2019 até meados do próximo ano, enquanto o pico de demanda chegará mais perto de 2030.

A coalizão Opep+ está “microgerenciando” o mercado de petróleo e usará o aumento de produção planejado para manter os preços sob controle, avalia o executivo.

“Está finalmente equilibrado para os próximos seis meses”, disse Hardy. “Não estamos preocupados com a demanda no longo prazo, sabemos que voltará de forma constante”.

Sharon Cho e Andy Hoffman

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