Etanol: Mercado: Gasolina

A era da gasolina está próxima do fim? Isso não deve acontecer tão cedo no Brasil

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) projeta que o uso do combustível ainda não chegou ao pico no mercado nacional; etanol mais tecnológico é aposta para os próximos anos


Autoesporte - 08 jan 2021 - 08:09

Enquanto países como o Japão e a Inglaterra iniciam um programa para substituir os carros a combustão por veículos eletrificados nos próximos anos, o Brasil ainda deverá conviver pelas próximas décadas com a gasolina como protagonista.

É isso que indica uma projeção de tendências para a indústria produzida pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), que também pesquisou como as diferentes fontes de energia para os veículos deverão se desenvolver nos próximos anos.

Segundo a análise, a gasolina é um “combustível de transição” que ainda não chegou ao seu pico de consumo no país, o que só ocorrerá em 2040. “A gasolina ainda terá um papel importante, mas com a melhor condição possível em termos de emissões e eficiência energética”, afirmou o coordenador da comissão de tendências tecnológicas da AEA, Everton Lopes da Silva.

Tendência global, a eletrificação também terá participação importante nos veículos do Brasil, mas ainda depende de investimentos na infraestrutura e incentivos para a produção e comercialização. Segundo a pesquisa da AEA, os veículos elétricos ou híbridos estarão mais presentes nos grandes centros urbanos, onde há maior demanda por esse tipo de tecnologia e condições técnicas mais fáceis para a instalação de uma rede de carregadores.

Por sinal, a “regionalização” das soluções energéticas é a principal aposta dos especialistas da AEA, indicando que cada país ou região do planeta adotará a alternativa mais eficaz para a redução de emissões e aumento da eficiência de acordo com suas particularidades geográficas e econômicas. É o caso da Europa, que aposta na produção de combustíveis sintéticos capazes de substituir a gasolina.

Para o Brasil, o etanol ainda é entendido como a solução mais viável como combustível de baixa emissão de gás carbônico. O produto de segunda geração, produzido a partir dos resíduos da cana-de-açúcar, do milho e da palha, é uma aposta para que a produção seja mais sustentável do ponto de vista ecológico (conseguindo reaproveitar o que é produzido nas áreas agricultáveis).

Nos próximos anos, acreditam os técnicos da AEA, o desafio será introduzir um conceito de “bioeletrificação”, em que o etanol será capaz de alimentar os veículos híbridos, além de melhorar sua eficiência e participação como matriz energética viável em todo o território nacional.

Thiago Tanji


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