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Etanol: Mercado: Gasolina

Discussão sobre preço da gasolina é um “besteirol”, diz ex-chefe da Petrobras

Demitido por Bolsonaro, Roberto Castello Branco afirma que risco de intervenção afasta investidor


Folha de S. Paulo - 28 mar 2022 - 07:55 - Última atualização em: 28 mar 2022 - 10:28

O ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse nesta sexta-feira, 25, que o Brasil perde tempo ao debater preços dos combustíveis em vez de focar na aprovação de reformas que permitam o crescimento econômico.

Primeiro chefe da estatal durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Castello Branco foi demitido em fevereiro de 2021 em meio a uma crise política gerada pela escalada dos preços internos em repasse à recuperação do petróleo após o início da pandemia.

Em debate virtual promovido pelo Instituto Millenium, ele defendeu que os preços dos combustíveis acompanhem as cotações internacionais e disse que o risco de intervenção afasta investidores em refinarias no Brasil.

“Ficar perdendo tempo com discussão sobre preço dos combustíveis é um besteirol”, afirmou o economista, que foi indicado para a estatal pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e hoje ocupa uma vaga no conselho de administração da Vale.

“A solução, em vez de ficar nessa conversinha de preços do combustível, é crescimento econômico, combate à pobreza, investir em reformas para gerar produtividade, porque são os ganhos de produtividade que geram emprego, promovem inclusão”.

Castello Branco criticou propostas de “abrasileiramento” dos preços, feitas pela oposição ao governo, afirmando que petróleo e combustíveis são commodities internacionais e, por isso, seus preços são cotados em dólar.

A concessão de subsídios como quer parte do governo, diz, representaria alocação incorreta do dinheiro do Tesouro Nacional e dá sinais ao consumidor de que pode continuar consumindo recursos escassos em vez de economizar ou procurar alternativas.

“O Tesouro Nacional não está nadando em dinheiro. O Brasil precisa perseguir o equilíbrio fiscal e, em termos de alocação de recursos, [subsídio] não é melhor destinação”, afirmou. “Que tal investir massivamente nas crianças, desde a maternidade, quando está formando a capacidade cognitiva, ter boas escolas públicas, ter bons hospitais públicos?”.

Castello Branco defendeu que o debate sobre intervenções nos preços vem prejudicando o processo de venda de refinarias da estatal, que acaba de ganhar mais prazo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por falta de avanços.

“O que afasta e afastou compradores, investidores de refinarias no Brasil é essa conversa de inventar coisas para preços dos combustíveis, de intervir no mercado. Isso afugenta o investidor, o investidor privado não quer investir bilhões de dólares para perder dinheiro”, coloca.

Até agora, a Petrobras conseguiu transferir ao setor privado a operação de apenas uma refinaria, a Refinaria de Mataripe, na Bahia, a segunda maior do país, operada pelo fundo árabe Mubadala.

A empresa vem acompanhando mais de perto as cotações internacionais do petróleo e repassou antes da Petrobras a disparada após o início da guerra na Ucrânia. Por isso, é alvo de críticas da oposição e de consumidores.

Para o ex-presidente da Petrobras, a estratégia de segurar repasses de altas no mercado internacional dá à Petrobras um papel quase monopolista, pois importadores de combustíveis que concorreriam pelo mercado brasileiro deixam de atuar.

Atualmente, diz ele, apenas 42% do volume de combustíveis usados por veículos leves no Brasil é produzido nas refinarias da Petrobras. Outros 5% são provenientes do gás natural, mercado em que a estatal também é dominante, e o restante é etanol.

Defensor da privatização da Petrobras, Castello Branco voltou a criticar os elevados custos das refinarias projetadas durante os governos petistas – o pré-candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, vem defendendo que a estatal volte a investir no segmento.

“O Brasil investiu dinheiro em refinarias, mas foi dinheiro jogado fora”, disse, citando como exemplo a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “É a refinaria mais cara do mundo. Custou US$ 190 mil para cada barril processado. As refinarias mais eficientes custam entre US$ 20 mil e US$ 25 mil”.

Castello Branco afirma que o principal problema a ser combatido no Brasil é a pobreza e não os preços dos combustíveis. “Vimos durante a pandemia, com os chamados invisíveis, o quão pobre é a sociedade brasileira”, afirmou.

“Apenas metade dos trabalhadores têm carteira assinada, o resto são informais; 25% dos nossos jovens de 14 a 29 anos não estudam nem trabalham. É um problema muito sério não só no curto prazo como a médio prazo. Temos que cuidar disso”.

Nicola Pamplona


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