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Etanol: Mercado: Gasolina

Dilma discorda de atrelar produção doméstica a preço externo


Valor Econômico - 27 nov 2013 - 08:46 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A presidente Dilma Rousseff não concorda com a proposta da diretoria executiva da Petrobras, que atrela, na fórmula concebida para reajustes automáticos, os preços dos derivados produzidos internamente ao comportamento dos preços internacionais.

O óleo que é retirado da Bacia de Campos e refinado em Duque de Caxias por trabalhadores que recebem seus salários em reais não pode ter seu preço determinado por cotação externa, explicaram fontes oficiais. Esse é o entendimento do governo, mesmo o petróleo sendo uma commodity, cerca de 60% a 70% dos investimentos dessa indústria serem feitos em dólares e a estatal importar dos Estados Unidos parte da gasolina e do diesel consumidos no país.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que é presidente do conselho de administração da estatal, também recusa qualquer metodologia de reajuste que signifique "uma indexação". Mantega está discutindo a situação da Petrobras com os olhos na inflação. Não há previsão, por enquanto, sobre o que vai ser decidido na próxima reunião do conselho.

"O ponto de virada para a presidente foi a notícia de que os preços internos obedeceriam às cotações internacionais do petróleo", comentou uma fonte do governo. Nesse momento, Dilma deixou de apoiar a proposta de Graça Foster, presidente da Petrobras, por entender que a companhia está olhando apenas seus próprios interesses e não os do país, especialmente o controle da inflação. Ontem, Mantega confirmou a próxima reunião do conselho para o dia 29 e disse que ainda está "amadurecendo uma modalidade para eventual reajuste do combustível".

A Petrobras tem que fazer pesados investimentos nos próximos anos. O plano estratégico atual, que vai de 2013 a 2017, prevê investimentos totais de º U$ 236,7 bilhões, ou uma média de US$ 47,3 bilhões por ano.

Sem acompanhar os preços internacionais, a Petrobras acumula prejuízos no abastecimento e refino e não está claro como a companhia terá caixa para financiar esses investimentos. Nos últimos cinco anos, o fluxo de caixa das atividades operacionais da empresa foi de US$ 28,5 bilhões, na média, para investimentos anuais de US$ 42,6 bilhões.

Especialistas em petróleo do mercado financeiro avaliam que na própria construção de uma fórmula de reajuste seria possível contemplar e mitigar as preocupações de Dilma e Mantega.

Claudia Safatle

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