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Etanol: Mercado: Gasolina

Diferença no preço da gasolina com o exterior recua e fica próxima a 9%


Valor Econômico - 17 out 2013 - 08:34 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

A diferença entre os preços internacionais e domésticos da gasolina recuou bastante no mês de outubro, com impacto sobre as contas externas da Petrobras. Segundo analistas ouvidos pelo Valor PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor, em relação à média de agosto - mês com a maior diferença em 12 meses entre os preços internacionais e domésticos do combustível nas refinarias - a defasagem caiu até 21 pontos percentuais até a segunda semana de outubro, e está próxima a 9%.

A queda tira pressão sobre a necessidade de reajustar os preços para ajudar o caixa da estatal, mas ao mesmo tempo ela acontece após a inflação do país perder força no terceiro trimestre, abrindo espaço para o governo aceitar o pedido da estatal de reajustar o preço nas refinarias. "Uma oscilação da gasolina em 5%, mais cara ou mais barata do que o praticado no exterior, é normal, ninguém pode trabalhar em cima do ponto. Por isso que um aumento na refinaria de 6%, como parece ser o que vai acontecer, daria fôlego pelo menos até o ano que vem", diz Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A menor discrepância observada em outubro se deve à diminuição da demanda por combustíveis no hemisfério norte, que atingiu o pico em agosto, e ao recuo do câmbio, que chegou a ficar em R$ 2,45 na metade daquele mês e fechou o pregão desta quarta-feira cotado a R$ 2,17. A tendência para os próximos meses é de permanência da estabilidade do preço do barril de petróleo no mercado internacional e de manutenção no preço das refinarias estrangeiras do Golfo do México. A diferença será arbitrada, segundo os mesmos analistas, pela flutuação do câmbio.

Segundo cálculos da Rosenberg & Associados, na média de agosto, o preço internacional da gasolina estava 33% maior do que o R$ 1,30 cobrado no país nas refinarias da Petrobras. Em setembro, houve recuo da distância para 17,5%. Já no último dia calculado, 7 de outubro, a defasagem estava em 9,2%. Nesse meio tempo, o litro do combustível no exterior baixou de US$ 0,75 para US$ 0,67, enquanto o câmbio médio passou de R$ 2,34 para R$ 2,21.

"O aumento de demanda da gasolina no hemisfério norte no início do segundo semestre é sazonal, em função das férias de verão, quando se viaja mais. Mas o recuo não foi tão grande e o principal responsável foi mesmo o câmbio", afirma o economista Fernando Parmagnani, da Rosenberg.

No levantamento da GO Associados, a defasagem no mês passado ficou em 17% na média. Em agosto, contudo, ela era de 27%, também tendo como base de comparação o preço das refinarias do Golfo do México. A diferença em agosto foi a maior na série de doze meses monitorada pela GO. Patamar parecido havia sido registrado em setembro do ano passado, quando ficou em 26%.

Nas contas do óleo diesel, produto mais importante do que a gasolina para a estatal brasileira, também houve recuo na diferença entre os preços na mesma comparação. Na média de setembro, o óleo produzido no país ficou 12% mais barato do que o cobrado no exterior. Em agosto, a diferença era de quatro pontos percentuais.

De acordo com Fabio Silveira, economista da GO, a tendência para os próximos meses é de permanência de um patamar de defasagem ao redor de 10%. "De setembro a janeiro, o preço da gasolina fica mais barato no exterior, pois acabam as férias de verão e chega se aproxima o inverno, que aumento o consumo do diesel e tira a pressão sobre a gasolina", afirma.

Com a estabilidade prevista para o recuo da gasolina no exterior e a manutenção do preço do barril do petróleo em US$ 110, ele também vê no câmbio a variável que vai puxar a oscilação da defasagem. Adriano Pires, do CBIE, fez o cálculo da venda na refinaria da gasolina doméstica e internacional, que chegou a ficar 30% defasada em agosto. Ele diz que nunca vai haver uma conta zero entre as diferenças de preço, por isso, um reajuste do combustível no mercado interno já deixaria a Petrobras mais confortável.

Em janeiro, a gasolina deve voltar a aumentar no mercado internacional, em análise compartilhada por Parmagnani, da Rosenberg. "O grande 'xis' volta a ser o câmbio", afirma.

Rodrigo Pedroso


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