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O caso Petrobras revela um estilo da presidente Dilma Rousseff


Valor Econômico - 02 dez 2013 - 13:53 - Última atualização em: 04 dez 2013 - 09:32

Dilma Rousseff e Graça Foster são, acima de tudo, grandes amigas e não deixarão de ser por divergirem do teor de uma política para os preços dos combustíveis. Mas a presidente da República, às vezes, coloca até seus amigos na "geladeira". Isso ocorre quando ela não aprova alguma conduta. Mas assim como os coloca, os retira e, para quem convive com Dilma, esse temperamento não costuma deixar sequelas nos relacionamentos da presidente.

"A Dilma não frita ninguém. Ela põe na geladeira. Mas quando a presidente da República põe alguém na geladeira, Brasília frita", concordou e completou um ex-colaborador.

A presidente da República não aprovou o fato de a discussão sobre uma metodologia de correção dos preços da gasolina e do diesel ter exposto, em praça pública, as divergências entre a diretoria da Petrobras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do conselho de administração da companhia.

O futuro da estatal ainda é incerto
Dilma atribuiu à maneira como a direção da Petrobras conduziu o debate o tom acirrado, de "guerra santa", que o assunto assumiu desde então. "A discussão ficou muito contaminada e qualquer desfecho teria ganhadores e perdedores", explicou um assessor.

A solução, arbitrada pela presidente da República, acabou sendo a concessão de um aumento da gasolina agora e o adiamento de uma decisão sobre qual pode ser a fórmula de correção de preços da Petrobras para 2014. Segundo fontes próximas à Dilma, não é de todo impossível, inclusive, que uma solução definitiva para isso fique para depois das eleições.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, esteve em Brasília na quarta feira e conversou com Mantega. Segundo fontes oficiais, nessa conversa teria sido selado esse acordo. Após a reunião do conselho de administração, hoje, a Petrobras deve anunciar o reajuste de 5% a 6% nos preços da gasolina e de cerca de 10% para o diesel.

Graça não esteve com Dilma nem pernoitou na capital, como costuma fazer. Quando isso ocorre, ela se hospeda no palácio da Alvorada, residência oficial da presidente da República. E quando decide de última hora só voltar para o Rio no dia seguinte, Graça costuma ir a algum shopping da cidade para comprar uma muda de roupa.

Esses são relatos de fontes que conhecem as duas e foram feitos para mostrar o grau de amizade que as une. " Elas brigam mesmo, mas isso não significa nada. Querer fazer intrigas entre Dilma e Graça não funciona", disse uma fonte, recusando qualquer hipótese de Graça Foster sair do comando da Petrobras.

Se a presidente da República não aprovou a forma, também não gostou do conteúdo. Dilma ouviu e concordou com as ponderações de Mantega quanto à proposta de reajuste automático apresentado pela diretoria da Petrobras na última reunião do conselho de administração da estatal, no dia 25 de outubro.

Ambos consideraram que a fórmula pode significar uma "indexação" dos preços internos da Petrobras à variação da cotação do petróleo no mercado internacional e que isso é perverso para o consumidor brasileiro e para a inflação doméstica. E acham que a gasolina produzida internamente pela empresa estatal não tem nada a ver com o preço do petróleo fora do país, embora o insumo seja o mesmo.

Segundo um ministro, o governo teme que aprovando uma "indexação" para a Petrobras os demais setores da economia, tanto os comercializáveis quanto os não comercializáveis, se sentiriam no direito de também buscar mecanismos de indexação.

O futuro da Petrobras, portanto, continua incerto. Especialistas em petróleo do mercado financeiro avaliam que uma política de preços que reflita a cotação internacional do óleo melhora muito, mas não resolve a distância que há entre o plano de investimento de US$ 47 bilhões ao ano nos próximos anos e o fluxo de caixa da empresa, que anda por volta de US$ 28 bilhões.

A variável a ser equacionada, na visão desses economistas, é o programa de investimento.

Depois do comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta feira aumentou a taxa básica Selic em 0,5 ponto percentual, para 10% ao ano, a principal pergunta é se o ciclo de aperto monetário vai se alongar ou se está perto do fim.

Para fontes qualificadas do governo, a primeira mensagem do Copom foi de que, agora, "o jogo está em aberto". Estará mais próximo do fim se a reação fiscal do governo for muito bem-sucedida e as indicações para 2014 forem favoráveis; se os preços da Petrobras forem ajustados com moderação; se a taxa de câmbio não descarrilhar. Isso sem mencionar qual será e para quando será o início da redução do programa de expansão monetária pelo Federal Reserve (Fed).

Ontem a área econômica celebrava a inflação de novembro, medida pelo IGP-M, de 0,29% em comparação com 0,86% em outubro. Estava, também, comemorando a adesão ao Refis que pode irrigar os cofres públicos em dezembro com uma cifra bem maior do que os R$ 16 bilhões projetados pelo governo. Há quem estime que esse valor pode surpreender e vir quase duplicado, atingindo algo próximo a R$ 30 bilhões.

O Palácio do Planalto também registra uma melhora do ambiente econômico e um acúmulo de boas notícias nos últimos dias que, associado às últimas pesquisas eleitorais, renovam os ânimos.

As pesquisas indicam que a oposição não tomou fôlego. Os fatos apontam que o governo está, finalmente, acertando nos leilões de concessão, que o PIB de 2012 não foi tão ruim quanto o 0,9% anunciado pelo IBGE, que a inflação está em queda e que o desemprego não aumentou. A revisão do PIB pode indicar que o crescimento no ano passado foi de 1,5%.

Claudia Safatle é diretora adjunta de Redação e escreve às sextas-feiras


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