Etanol: Mercado: Gasolina

Aumento do percentual de álcool na gasolina reduz autonomia do veículo


O Globo - 01 mar 2013 - 15:31 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O aumento do percentual de álcool anidro na gasolina, de 20% para 25%, a partir de 1º de maio, na teoria, reduz a autonomia de um veículo. No bolso, no entanto, o impacto é mínimo, garantem especialistas.

"Abastecer com álcool significa ter menos autonomia. Como o álcool tem menor poder calorífico, seu aumento na mistura representa menos energia no tanque. É como se o álcool fosse uma melancia e a gasolina um refrigerante" afirma o assessor técnico da Fiat Ricardo Dilser. — Em termos teóricos, é necessário mais gasolina para percorrer uma mesma quilometragem, mas, na prática, o usuário não vai sentir muita diferença no bolso no dia a dia. É uma questão de centavos num tanque de cerca de 60 litros.

O diretor de Comunicação da Renault, Carlos Henrique Ferreira, explica que, quando roda com etanol, um motor consome cerca de 30% a mais do que o mesmo motor com gasolina. Por isso, se aumentarmos 5% de etanol na gasolina, o consumo vai aumentar 30% sobre os 5%, ou seja cerca de 1,5%.

Segundo o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o aumento do anidro na mistura provoca uma diferença muito pequena no rendimento da gasolina. Para ele, o Brasil está na vanguarda por poder contar com uma gasolina ambientalmente de ótima qualidade.

"A elevação do percentual é um ganho para o consumidor, para o país e para a Petrobras. A gasolina passa a ser um combustível com mais qualidade e ambientalmente melhor, o que essencial principalmente para os grandes centros, já que grande parte da poluição é em decorrência da emissão de CO2. O aumento do anidro produz tem como resultado uma gasolina de melhor qualidade" explica Pires.

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) Elizabeth Farina, o aumento do álcool na gasolina não se restringe apenas a uma questão de preço.

"O aumento do percentual de 20% para 25% do anidro na gasolina tem um efeito superimportante, por exemplo, na emissão de gases do efeito estufa. O uso do álcool reduz em quase 90% a emissão de CO2. Há externalidades positivas que não aparecem no preço" ressalta Elizabeth.

Para economizar de fato, a dica do assessor técnico da Fiat é pesquisar os preços na hora de abastecer. E continuar prestando atenção na relação entre o custo do álcool e da gasolina. Só vale a pena abastecer com álcool se seu valor for menor a 70% do preço da gasolina, já que esta tem um rendimento 30% maior do que o do biocombustível.

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ressalta que os carros brasileiros estão preparados para essa oscilação na mistura, com percentual maior ou menor de álcool. A mistura padrão homologada pelo governo, no entanto, é de 22% de anidro na gasolina, com margem de um ponto percentual para cima ou para baixo.

"No caso do carro flex, ele foi feito para isso: receber álcool, gasolina ou gasolina com mais ou menos álcool. O carro brasileiro pode fazer um autoajuste para essa elevação do álcool na gasolina sem problemas" diz Dilser, explicando que isso não gera danos ao motor ou custos extras com manutenção ou reparo ao motorista.

A Anfavea também afirma que a oscilação do percentual de álcool anidro não causa danos ao motor dos veículos à gasolina ou flex. E orienta o consumidor a fazer a conta na hora de abastecer para optar entre álcool e gasolina.

"Não se deve pagar mais do que 70% do preço da gasolina pelo álcool. Se esta proporção estiver mais favorável à gasolina, mesmo com o aumento do percentual da mistura de álcool no combustível, o consumidor deve optar pela gasolina", diz a entidade.

O aumento do percentual do anidro — com mais álcool puro em sua composição do que a versão hidratada, vendida nos postos — na gasolina responde a uma determinação do governo para reduzir o impacto da alta do preço do combustível fóssil na bomba, depois do reajuste de 6,6% nas refinarias, que entrou em vigor em janeiro. Além disso, o aumento do uso do anidro deve reduzir a necessidade de importação de gasolina pela Petrobras, que tem pesado nos resultados da estatal.

Com a nova mistura a partir de 1º de maio, o percentual de anidro na gasolina volta ao patamar em que estava no fim de 2011. Naquele ano, o governo reduziu a mistura de álcool no combustível para 20% devido a escassez do biocombustível em função da queda na safra de cana, o que pressionava a inflação em um momento de cotação do açúcar em alta.

ANDREA FREITAS


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail