Etanol: Mercado: Futuro

Rubens Ometto: “Esse é o momento das oportunidades, não do acovardamento”


novaCana.com - 19 mar 2013 - 07:15 - Última atualização em: 24 jun 2013 - 14:03
Rubens Ometto: o setor sucroenergético tem consciência do seu peso, mas está vivendo um momento de desequilíbrio
Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Cosan, falou sobre como ele vê o futuro do mercado de cana-de-açúcar e a importância da inovação neste mercado. As declarações foram enviadas ontem pela assessoria de imprensa do Congresso International Society of Sugar Cane Technologists (ISSCT). Ometto também é presidente do comitê organizador do evento.

Para ele, o setor sucroenergético tem consciência do seu peso, mas está vivendo um momento de desequilíbrio. Os desafios da demanda devem ser atendidos com investimentos em tecnologia e classificou esta como a "questão síntese".

"É justamente esse o momento das oportunidades, não do acovardamento. É o momento da lógica econômica, corrigindo a supervalorização dos ativos, premiando a eficiência e os investimentos, e atraindo capital", avaliou.

Por outro lado, o empresário entende que será fundamental revigorar os ganhos de produtividade e reduzir os custos de produção. "Para isso, não só será fundamental maior investimento em objetivos programas de pesquisa, como também treinamento dos recursos humanos voltados a um eficaz processo de produção agroindustrial. Agregar valor aos carboidratos e fibras produzidos será extremamente importante ao setor sucroenergético", complementa.

Ometto aponta a utilização da biomassa para a produção de energia como um caminho irreversível, que constitui o futuro dos biocombustíveis. "O Brasil tem a mais limpa matriz energética do planeta, com mais de 45% de renováveis enquanto o mundo, incluído o Brasil, tem 13%. Segundo a Mckinsey, a demanda somente de biocombustíveis crescerá 3,5 vezes nos próximos 17 anos. Nesta análise, projeta-se que 30% do crescimento virá com o etanol celulósico de 2ª geração, após 2020. Isso será outra revolução verde, para traçar um paralelo com o que se viu antes. Os ganhos do uso integral das plantas viabilizará o menor emprego de terras para esse fim, liberando áreas para a produção de alimentos", analisa.

A inovação será fundamental para fazer o Brasil ser líder e suprir o crescimento da demanda mundial por açúcar, etanol e energia, afirma o presidente do Conselho de Administração da Cosan.

O empresário considera que o Brasil tem nesse novo mundo "uma importância geopolítica extraordinária" e que precisa estar preparado para assumir seu papel de liderança. "O mundo com seus limites físicos e com as crescentes restrições ambientais estará muito dependente das regiões tropicais e, nestas, o Brasil será líder inconteste. Não por menos, tanto a ONU (FAO) como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Economico) vêm indicando o peso do Brasil na oferta de commodities agrícolas, que deverá responder por 40% do crescimento da produção que atenderá o chamamento do consumo. Iremos viver, nas próximas décadas, um aumento de população e de sua renda per capita, em rápido processo de urbanização, que não se viu antes. Tratar-se-á de um movimento global intenso e com impactos geopolíticos de grande repercussão, para os quais é preciso estar preparado", destaca Ometto.

O agronegócio da cana-de-açúcar

O empresário analisou que a cana, cultura típica dos trópicos, ainda tem como característica global uma longa intervenção dos Estados nas economias açucareiras. "Modelo desenhado para a proteção dos países do hemisfério norte e implantado pelos países tropicais, numa relação de submissão e de privilégios. Um exemplo recente foi a vitoriosa luta brasileira, juntamente com Austrália e Tailândia, contra mecanismos protecionistas junto à OMC (Organização Mundial do Comércio). Isso trouxe profundas mudanças no negócio açúcar e, em decorrência, para o agronegócio da cana-de-açúcar. Costumo dizer que desde então se pode notar, no setor produtivo brasileiro, dois tipos de empresas –  as que aceitam as mudanças e buscam adaptar-se à nova realidade e as que resistem a elas e se fossilizam", afirma Ometto.

Biocombustíveis X Pré-sal

Ometto citou o biólogo Fernando Reinach, que afirma que o país tem vocação para inovações radicais. "Segundo ele, essa vocação estaria nos setores em que o Brasil é líder, se possível, isolado. Nesses segmentos, ressaltou, não temos de onde importar tecnologias. Fica mais fácil imaginar que isso possa acontecer na agricultura tropical, em serviços relacionados a florestas ou mesmo em biocombustíveis. É preciso o inovador, quem o financie e quem absorva essa inovação. Saber dosar o papel dos setores como o agronegócio e o de petróleo e gás natural será o grande mérito do Brasil. Espero que tenhamos maturidade para isso", finaliza Ometto.

ISSCT

A 28ª edição do Congresso International Society of Sugar Cane Technologists acontece entre os dias 24 a 27 de junho de 2013, no Transamérica Expo Center em São Paulo. O empresário da Cosan comandará o painel de abertura e falará sobre os desafios do setor sucroenergético.

Sob coordenação da Sociedade dos Técnicos Açucareiros Alcooleiros do Brasil (STAB) e com operação da Reed Multiplus, esta será apenas a terceira vez que o Congresso será realizado no Brasil.

novaCana.com

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