BASF
Etanol: Mercado: Futuro

Novo impulso à produção de etanol


Globo Rural - 07 fev 2013 - 17:59 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Se a presidente da Petrobras, Graça Foster, prevê dificuldades para o setor de combustíveis em 2013, Miguel Rosseto, presidente da Petrobras Biocombustíveis, está otimista em relação ao cenário para o etanol. "O novo percentual de mistura na gasolina vai ampliar o mercado para o produto", diz Rosseto. Além disso, de acordo com ele, o aumento de 6,6% no preço da gasolina cria um espaço importante para recuperação da margem do setor sucroalcooleiro, uma vez que melhora preço e volume. "É um ano favorável ao investimento", afirma.

A Petrobras Biocombustível – com as coligadas Guarani, Nova Fronteira e Total - pretende moer 25,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2013/2014, volume 18% maior que o registrado na safra passada. Já a produção de etanol deve crescer 29%, para 1,06 bilhão de litros.

As boas perspectivas para o mercado de etanol em 2013 devem ajudar não só a Petrobras Biocombustíveis a reverter o prejuízo de R$ 218 milhões que amargou no ano passado, mas também o governo federal a frear a inflação no mercado interno, uma vez que a demanda pela gasolina – que teve o preço elevado em 6,6% na refinaria – deve ser menor.

Com isso, depois de permanecer por 3 anos em crise o setor sucroenergético brasileiro ganhou novo estímulo com o anúncio de que o governo federal vai, a partir de maio, elevar de 20% para 25% a mistura de etanol na gasolina, o que deve gerar uma demanda excedente de 3 bilhões de litros . O esforço do governo para impulsionar a produção de etanol conta ainda com um pacote de desoneração tributária, que incluirá a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e que deve ser anunciado nos próximos meses.

As medidas beneficiarão uma cadeia produtiva, formada por 450 usinas, 80 mil fornecedores de cana, quatro mil indústrias de máquinas, equipamentos e logística e 2,5 mil trabalhadores. Na avaliação do presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise), Antonio Eduardo Tonielo Filho, o etanol é a solução para o Brasil. "Há muito tempo alertamos o poder público para a necessidade de unir forças, no sentido de ampliar as políticas de incentivo. Com o aumento da mistura a tendência é melhorar o cenário para um setor que há dois vem amargando prejuízos", afirma.

A perspectiva é que a produção de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil cresça 62 milhões de toneladas na safra 2013/2014 e o percentual da safra destinado a produção de etanol deve saltar dos 51% de 2012 para 54% este ano. Com isso, a produção de etanol deve somar 27,3 bilhões de litros, volume considerado suficiente para atender tanto a demanda interna como o mercado externo, que também promete ser maior este ano, a despeito da tentativa por parte dos produtores norte-americanos de forçar a redução das importações dos Estados Unidos.

Isso acontece porque com uma produção de milho menor, a tendência é que os Estados Unidos aumentem as importações de etanol este ano. Além disso, a Agência de Proteção Ambiental norte-americana (sigla EPA em inglês) ampliou recentemente a mistura obrigatória de combustíveis renováveis aos comercializados no país, o que deve ampliar a demanda por combustíveis avançados de 7,6 bilhões de litros para 10,4 bilhões de litros este ano.

Como a EPA considera o etanol produzido de cana-de-açúcar um produto avançado, os produtores americanos estão tentando forçar a agência a reduzir estes níveis, que privilegiam os agricultores brasileiros em detrimento dos americanos.

A nova estratégia surge num momento em que cresce o número de usinas de etanol fechando as portas nos Estados Unidos. Das 211 refinarias do país, 34 estavam ociosas até 4 de fevereiro, de acordo com a Associação de Combustíveis Renováveis, o que representa 14% dos cerca 56 bilhões de litros de capacidade instalada no país.

Luciana Franco