Etanol: Exportação

Real fraco favorece agronegócio, dizem especialistas


Folha de S. Paulo - 21 jun 2013 - 09:31

Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e presidente do conselho consultivo da J&F, diz que a alta do dólar vai trazer vantagens para exportadores e produtores brasileiros.

Na avaliação do ex-ministro, no entanto, após o ganho que o país teve com a estabilidade econômica, necessita continuar obtendo também ganhos na produtividade.

Qual a taxa certa do dólar? "Prever isso é um exercício ingrato", diz Meirelles. A taxa é resultado de uma série de fatores, e a melhor política é deixar o câmbio chegar a seu ponto, corrigindo eventuais desequilíbrios. Ele destaca que esses desequilíbrios podem ser excesso ou falta de dólar, dependendo do momento econômico.

Os anos de alta do dólar

O agronegócio brasileiro registrou crescimento nos anos em que o dólar se fortaleceu em relação ao real, observou ontem Ivan Wedekin, diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias.

Em debate sobre os efeitos da desaceleração da economia sobre o agronegócio, na Feicorte, Wedekin afirmou que dólar valorizado significa maior receita em reais para um setor com vocação exportadora - o etanol brasileiro mostra uma exportação cada vez mais robusta.

Segundo ele, o segmento da carne bovina é particularmente beneficiado com a alta do dólar, já que os insumos utilizados na produção são pouco afetados pelo câmbio.

Em contrapartida, ponderou, o câmbio mais fraco afeta os custos de insumos como fertilizantes e defensivos, cujos preços são atrelados ao dólar, e o endividamento das empresas que tomam recursos no exterior. Ivan Wedekin, diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias, diz que realmente a valorização do dólar traz ganhos para o agronegócio. O problema é que traz também custos, principalmente para os produtos que dependem de insumos importados.

O diretor da BBM ponderou que, durante os últimos anos em que o dólar ficou mais baixo frente ao real, o agronegócio foi beneficiado pelos altos preços das commodities no mercado internacional - cenário que começou a mudar com a sinalização de recuperação da safra de grãos dos Estados Unidos e a tendência de queda das cotações em dólar em virtude da valorização da moeda americana.

Meirelles disse que o recuo dos preços das commodities agrícolas em dólar é uma das consequências da desaceleração da economia mundial, que tende a gerar uma queda moderada de demanda.

Custos A desvalorização do real vai trazer benefícios para o agronegócio, mas é preciso medir também os efeitos sobre a inflação. Ela pesa mais sobre trabalhadores e produtores.

Com informações do Valor Econômico e Folha de S. Paulo