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Etanol: Exportação

Produtores americanos de etanol de milho querem restringir importações do Brasil


NovaCana - 05 fev 2013 - 07:58 - Última atualização em: 08 fev 2013 - 14:01
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Numa tentativa de reduzir a competição e aumentar receitas, a indústria de etanol de milho dos Estados Unidos está pressionando o governo Obama a reduzir as importações de etanol brasileiro derivado de cana-de-açúcar.

A pressão inclui um pedido inusitado do setor: que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) diminua os níveis da mistura obrigatória de combustíveis renováveis, que normalmente é apoiada pelo setor como forma de sustentar a demanda.

A nova estratégia surge num momento em que cresce o número de usinas de etanol fechando as portas nos Estados Unidos. Das 211 refinarias do país, 34 estavam ociosas até a última segunda-feira, de acordo com a Associação de Combustíveis Renováveis, o que representa cerca de 14% dos quase 14,7 bilhões de galões (56 bilhões de litros) de capacidade instalada. São membros da associação a Decatur, a Archer Daniels Midland (ADM), e a Abengoa Bioenergy Corp, filial da espanhola Abengoa SA.

Além de enfrentar a competição dos importados, os produtores americanos estão vendendo para um mercado menor, uma vez que os americanos passaram a dirigir carros mais econômicos e os esforços dos usineiros para aumentar o volume de etanol misturado à gasolina não surtiram efeito.

Uma lei de 2007 estipula um volume anual de mistura obrigatória de combustíveis alternativos no território americano. Este valor deveria continuar crescendo, com a EPA definindo as metas específicas anualmente.

Mas o Congresso limitou o volume de combustíveis derivados de amido de milho que podem ser usados para preencher a cota, de forma a deixar espaço para os biocombustíveis "avançados". A EPA determinou que o etanol brasileiro de cana-de-açúcar se enquadra na classificação de avançado, enquanto o etanol de milho americano não.

Embora os fabricantes americanos de etanol tenham criticado essas categorias, jamais haviam sugerido a redução de nenhuma mistura obrigatória antes. Neste mês, porém, em discussões com o Gabinete de Informações e Assuntos Regulatórios da Casa Branca, representantes da indústria deixaram claro acreditar que a mistura obrigatória estimula importações de etanol brasileiro de cana-de-açúcar à custa dos produtores americanos. É o que afirmam pessoas com acesso ao que foi discutido nas reuniões.

"Me preocupa que, num momento em que a indústria americana está tendo de fechar usinas por causa da falta de oportunidades no mercado, a EPA tenha dado um incentivo à importação de mais etanol brasileiro", disse Bob Dinneen, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis, numa entrevista.

O Gabinete de Gestão e Orçamento da Casa Branca, que abrange o Gabinete de Assuntos Regulatórios, não respondeu a um pedido de esclarecimento feito por esta reportagem.

A demanda pelo combustível brasileiro deve-se em parte ao fato de os combustíveis avançados – de palha de milho ou lascas de madeira, por exemplo – produzidos dentro dos EUA não estarem disponíveis em grandes quantidades, como esperavam os legisladores.

Em 2012, cerca de 92% do combustível avançado usado para preencher a cota foi importado, segundo dados da EPA. A Associação de Combustíveis Renováveis, citando sua própria análise sobre dados de comércio nos EUA, disse que o grosso do combustível importado é de etanol brasileiro de cana-de-açúcar.

Se a EPA reduzisse o volume de combustível "avançado" requerido nos EUA, isso realmente limitaria o mercado para as exportações brasileiras.

Letícia Phillips, representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), associação da indústria de cana do Brasil, disse que reduzir a cota "seria dar um passo atrás no programa inteiro, pois geraria incerteza e atuaria contrariamente à intenção de cortar as emissões de gases alteradores do clima". Ela se referia à descoberta da EPA de que o combustível de cana gera menos emissões de gases de efeito estufa do que os combustíveis tradicionais e o etanol de milho.

"O etanol importado sob a categoria avançado não tem nenhuma relação com a maior parte do etanol vendido nos Estados Unidos", diz Letícia. "Se você começa a fazer mudanças para atender interesses específicos, pode acabar comprometendo o que até então era um programa sólido."

Produtores americanos de combustíveis enquadrados como avançados – caso dos biodieseis de soja e óleo de cozinha – também demonstraram preocupação com a redução da cota para essa categoria.

"Acreditamos que a EPA estabeleceu metas de produção sensatas, sustentáveis, e que seria realmente um erro recuar dessas metas agora", disse Anne Steckel, vice-presidente de assuntos federais do Conselho Nacional de Biodiesel (NBB), associação que representa os fabricantes de biodiesel americanos. Anne afirmou que os produtores vão ampliar a produção de biodiesel em 2013 "para atender uma fatia cada vez maior desse mercado".

RYAN TRACY
Fonte: The Wall Street Journal
Tradução: novaCana.com

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