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Etanol: Exportação

Exportação brasileira de etanol pode ser afetada pelo incentivo ao biodiesel nos EUA


novaCana.com - 17 jan 2013 - 11:53 - Última atualização em: 25 fev 2013 - 18:43

Os economistas agrícolas Scott Irwin e Darrel Good, da Universidade de Illinois avaliaram os impactos da recente renovação do incentivo a mistura de biodiesel nas importações de etanol pelos EUA e as implicações destas mudanças para 2013. O texto da última semana é uma atualização de um artigo publicado no mês passado, onde os pesquisadores analisaram os motivos do "surto" de importação de etanol brasileiro pelos Estados Unidos.

Na primeira versão do artigo, os economistas deixaram claro que o etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil é a melhor alternativa, do ponto de vista financeiro, para cumprir as metas de redução de emissão de gases do efeito estufa estabelecidas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Ficou demonstrado que importar etanol do Brasil é uma opção mais barata do que produzir biodiesel domesticamente. Essas condições econômicas devem estimular as importações de etanol pelos Estados Unidos também em 2013 e limitar a produção de biodiesel americano para o mínimo exigido de 1,28 bilhão de galões. Os economistas estimaram que neste ano os norte-americanos importarão um volume de 830 milhões de galões de etanol, cerca de 3,14 bilhões de litros.

No novo artigo, os autores oferecem uma análise atualizada do cumprimento do Programa Nacional de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos, RFS na sigla em inglês, após o senado norte-americano restabelecer o crédito fiscal para o biodiesel.

Irwin e Good apontam que em 2013, a expectativa é que o RFS exija que um mínimo de 1,28 bilhão de galões de biodiesel e 2,75 bilhões de galões de todos os combustíveis avançados seja adicionado ao combustível de transporte utilizado no país.

A diferença entre a exigência mínima de biodiesel e a exigência mínima total é chamada de "biocombustível não diferenciado". Essa é a meta que pode ser atendida pelo etanol brasileiro, biodiesel americano ou etanol celulósico. Como o etanol celulósico ainda não está disponível em quantidades suficientes, a diretriz será atendida ou pelo etanol brasileiro ou pelo biodiesel americano, dizem os autores.

Ameaça
No primeiro dia deste ano, as distribuidoras dos EUA que misturam os biocombustíveis receberam do senado a renovação do crédito fiscal de US$ 1 por galão de biodiesel para 2013, retroativo também para 2012. À primeira vista, a disponibilidade do crédito fiscal diminuiria a vantagem econômica do etanol brasileiro frente ao biodiesel americano no atendimento ao componente de biocombustíveis não diferenciados do RFS em 2013.

A aprovação desta medida ameaçou a importação de etanol brasileiro pelos EUA em 2013 e pode fazer disparar a produção doméstica de biodiesel, puxando também a produção de etanol americano para um volume próximo de 14 bilhões de galões (cerca de 53 bilhões de litros).

Irwin e Good sumarizam as mudanças dizendo que tanto a mistura de etanol brasileiro, como a de biodiesel americano, resultam em perdas para a distribuidora. A perda, entretanto, ainda é menor para o etanol brasileiro do que para o biodiesel, mesmo levando em conta o crédito fiscal.

Em 19 de novembro de 2012, antes da renovação do incentivo de US$ 1 por galão, a vantagem do etanol brasileiro sobre o biodiesel era de US$ 0,36. Já em 3 de janeiro deste ano, a vantagem do biocombustível brasileiro continuou significativa, mas caiu para US$ 0,19. Para alívio dos exportadores brasileiros, parte do benefício gerado pelo crédito fiscal acabou sendo neutralizado pelo aumento nos preços do biodiesel.

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Conclusões
O restabelecimento do crédito fiscal resultou inicialmente em preços mais altos de óleo de soja, sob a suposição de que o crédito fiscal resultaria em produção e mistura de biodiesel em excesso, além dos 1,28 bilhão de galões em 2013. Assim, apesar de o mercado esperar um crescimento na produção de biodiesel, o aumento no preço da soja neutraliza o incentivo de misturas além da quantidade mínima de biodiesel estabelecida pelo RFS em 2013. Como resultado, as conclusões anteriores dos autores sobre as prováveis importações de etanol, produção doméstica de biodiesel e produção doméstica de etanol seguem inalteradas.

A rápida alteração na relação de preços, entretanto, ressalta a importância de monitorar as variáveis econômicas envolvendo as misturas para biocombustíveis avançados ao longo do ano. Dado o crédito fiscal restabelecido e as relações de preço atuais, uma queda no preço do biodiesel de apenas 25 centavos já seria suficiente para mudar o cenário, favorecendo o biodiesel, concluem Irwin e Good. Neste caso, os economistas alertam que as exportações de etanol do Brasil para os EUA poderiam ficar "próxima de zero".

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O artigo dos economistas pode ser acessado na íntegra aqui (em inglês).