Etanol: Exportação

Estados Unidos veem “surto” de importação de etanol brasileiro


novaCana.com - 12 dez 2012 - 07:25

Enquanto o etanol brasileiro perde competitividade no mercado interno, ele tem sido competitivo frente aos biocombustíveis americanos, como alternativa para cumprir metas de redução de emissão de gases do efeito estufa.

As exportações de etanol brasileiro para os Estados Unidos tiveram grande impulso nos últimos meses. O volume total de etanol importado pelos Estados Unidos saltou de 162,7 milhões de litros entre janeiro e maio de 2012, para 889,5 milhões de litros entre junho e setembro – um aumento de mais de cinco vezes.

Os economistas agrícolas Scott Irwin e Darrel Good, da Universidade de Illinois, analisaram os motivos do "surto" em artigo publicado na última semana no site FarmDocDaily: "What's Driving the Surge in Ethanol Imports?" (O que tem impulsionado as importações de etanol?). O portal novaCana.com apresenta abaixo os argumentos e as explicações dos pesquisadores para este crescimento.

De acordo com os economistas, o Brasil é a fonte de virtualmente todo o etanol importado pelos Estados Unidos. Os dois países são responsáveis pela produção de cerca de 90% de todo o etanol do mundo.

A maior parte desse etanol é exportada na segunda metade de cada ano, já que a colheita de cana-de-açúcar no Brasil se concentra neste período.

Irwin e Good afirmam que a explicação para o grande volume de álcool que chegou aos Estados Unidos nos últimos meses não é tão simples, mas os economistas oferecem uma resposta.

Primeiro, os economistas descartam a tese de que o etanol brasileiro seria mais barato do que o produzido em solo americano, e demonstram os números:
O preço do etanol produzido nos EUA foi de US$ 2,60 por galão, em 29 de novembro, nos terminais norte-americanos. No mesmo dia, o preço do etanol anidro FOB (Free on Board) no porto de Santos era US$ 2,65 por galão. Com custos de transporte de 20 centavos de dólar por galão, o custo de desembarque do galão do etanol brasileiro no Golfo americano foi de US$ 2,85.

Portanto, nenhum blender de gasolina compraria o etanol brasileiro baseado na economia de mercado, porque isso resultaria em perda líquida de 25 centavos de dólar por galão, comparando com a compra de etanol americano no mesmo local, dizem os autores.

Os economistas dizem que a resposta para a questão está nos detalhes do U.S. Renewable Fuels Standard (RFS) – ou "Norma de Combustíveis Renováveis dos Estados Unidos", uma regra elaborada pelo governo americano para reduzir as emissões de dióxido de carbono associadas aos combustíveis convencionais.

O etanol de cana-de-açúcar brasileiro se qualifica como um biocombustível "avançado" de acordo com os cálculos de gases do efeito estufa do RFS. Isso significa que a comparação econômica deve ser feita entre o etanol brasileiro e outros biocombustíveis que se classificam como "avançados" pelo RFS.

Como o etanol de milho produzido nos Estados Unidos apresenta uma redução de gases do efeito estufa menos favorável, ele é classificado apenas como "renovável", e não pode competir com o álcool brasileiro ou outros biocombustíveis avançados para o cumprimento das metas americanas.

Até o momento, informam Irwin e Good, o único outro biocombustível produzido em grandes quantidades que se classifica como avançado é o biodiesel produzido a partir de biomassa. Importante lembrar que os EUA devem terminar 2012 como o maior produtor de biodiesel do mundo, a frente da Alemanha e do Brasil.

Ou seja, a comparação econômica relevante é entre o biodiesel produzido nos Estados Unidos e o etanol brasileiro de cana-de-açúcar, para saber qual é a fonte mais barata para cumprir as obrigações decorrentes do RFS.

Os autores observam que, neste comparativo, segundo dados de preços recentes, o etanol brasileiro é a alternativa mais barata por uma ampla margem.

Quando o produtor de energia americano faz o cálculo com os preços do biodiesel e do álcool, levando em conta o rendimento de cada opção, ele vê que o biodiesel é quase duas vezes mais caro do que o etanol brasileiro importado.

Por isso, a importação de etanol tem sido grande nos Estados Unidos, e vai continuar a ser até que o requerimento de combustível avançado não-biodiesel pela norma seja alcançado (cerca de 500 milhões de galões no total), mas não será maior, porque os produtores tem tido prejuízo em cada galão de etanol importado do Brasil, explicam os economistas.

Entretanto, eles ressaltam que a situação pode mudar, principalmente por conta de uma medida de taxação que está sendo discutida no Congresso Americano que, se aprovada, pode tornar os biocombustíveis americanos as opções mais favoráveis em 2013.

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