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Etanol: Exportação

EUA propõem redução da meta global de mistura de biocombustíveis em 2018


Reuters / novaCana.com - 07 jul 2017 - 09:46

O governo americano anunciou nesta quarta a proposta de baixar o volume total de biocombustíveis adicionados à gasolina e ao óleo diesel em 2018. Isto sinalizaria um primeiro passo na direção de uma reformulação mais ampla do programa de biocombustíveis.

A proposta da Agência de Proteção Ambiental (EPA) indica uma pequena redução em relação aos índices atuais, e fica mais de 20% abaixo das metas projetadas pelo Congresso numa lei de 2007. A Norma de Combustíveis Renováveis (RFS—Renewable Fuel Standard) exige o uso de volumes cada vez maiores de combustíveis renováveis a cada ano, mas a proposta prevê o congelamento das metas para biocombustíveis convencionais.

Segundo Scott Pruitt, secretário da EPA, a agência já deu início aos trabalhos de reformulação das futuras metas. A proposta foi recebida com elogios pelo setor de petróleo, que deseja uma reforma mais profunda do programa, ao passo que entre os produtores de biocombustíveis a aprovação é parcial.

Os ambientalistas, que veem o etanol com maus olhos, pedem que o Congresso altere o programa.

A RFS transformou-se numa querela entre grupos de interesse ligados ao milho e ao petróleo. Para o setor agrícola, o programa foi uma dádiva, promovendo a economia de municípios de todo o Cinturão do Milho, na região Meio-Oeste.

Os cortes nas metas de biocombustíveis avançados e celulósicos, propostos pela EPA, “terão o efeito de arrefecer o impulso em direção à nova geração de biocombustíveis”, afirmou o senador republicano Chuck Grassley, do estado de Iowa.

No entender das refinarias, é impossível cumprir com as metas de biocombustíveis, que geram um custo na casa dos bilhões de dólares. De acordo com o cronograma, as empresas teriam de adicionar um total de 19,24 bilhões de galões (73 bi/litros) de renováveis à matriz de combustíveis do país em 2018.

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A proposta é “condizente com as realidades de mercado focadas na efetiva produção e na efetiva demanda de consumo, reconhecendo os desafios concretos que se impõem à inserção dos biocombustíveis no mercado”, afirmou Pruitt em comunicado.

A EPA manteria a meta de etanol convencional para 2018 em 15 bilhões de galões (56 bi/litros), mesma de 2017, ao passo que a de biocombustíveis avançados, incluindo etanol celulósico, seria fixada em 4,24 bilhões de galões (16 bi/litros).

Esses valores vêm confirmar uma notícia recente publicada pela Reuters, que falava em volumes bem abaixo dos 26 bilhões de galões (98 bi/litros) de combustíveis renováveis projetados pelo Congresso em 2007. O programa foi instituído com o objetivo reduzir as importações de petróleo e fomentar o uso de renováveis em solo americano.

A EPA também abriu uma consulta pública relacionada ao uso crescente de biocombustíveis importados de Brasil, Argentina e Indonésia para atender às metas.

A agência propôs baixar a atual meta de etanol celulósico para 238 milhões de galões (900 mi/litros) e manter a meta de biodiesel para 2019 em 2,1 bilhões de galões (7,95 bi/litros), mesmo patamar fixado para 2018 pela gestão Barack Obama.

A evolução dos biocombustíveis celulósicos vem sendo mais lenta do que esperavam os legisladores ao criarem o programa, obstaculizada por atrasos regulatórios e percalços econômicos.

O American Petroleum Institute, representante do setor petrolífero (que tem entre seus filiados a BP America e a Chevron), teceu elogios ao corte na meta global, mas lamentou que ele não tenha sido mais agressivo.

Já os representantes da indústria do etanol elogiaram a manutenção da meta de etanol convencional, cumprida principalmente com etanol de milho de origem local, mas se mostraram críticos à redução nas metas de avançados.

“Nossa preocupação é que, reduzindo a [meta] de celulósicos, esta proposta possa enfraquecer o sinal transmitido para o mercado”, afirmou Bob Dinneen, chefe da Renewable Fuels Association.

“Esta proposta reforça a necessidade de o Congresso encarar o problema de frente e reformar a Norma RFS no sentido de proteger nossas fontes de água potável, a saúde pública e os recursos naturais”, afirmou Collin O’Mara, presidente e CEO da National Wildlife Federation.

Os créditos de combustíveis renováveis tiveram alta de US$ 0,04, sendo negociados a US$ 0,75/unidade. Já os créditos de biodiesel valorizaram US$ 0,03, alcançando o valor de US$ 1,145, segundo operadores.

Tradução novaCana.com