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Etanol: Exportação

EUA estabelece novas metas para os combustíveis renováveis


Reuters - 01 dez 2015 - 08:36 - Última atualização em: 01 dez 2015 - 11:15

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) anunciou as metas para o uso de biocombustíveis para 2014/2016, requerendo que as empresas de energia misturem 18,1 bilhões de galões de combustíveis renováveis na oferta de combustíveis do país no próximo ano.

A aguardada meta de obrigatoriedade do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS, na sigla em inglês) da EPA coloca os requerimentos de etanol para o próximo ano em 14,5 bilhões de galões, representando um aumento ante a proposta da agência em maio e alinhado com dados divulgados pela Reuters antes do anúncio.

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O mandato do RFS provavelmente disparará críticas de grupos de biocombustíveis, que sentem que os níveis ficam abaixo das metas do Congresso dos EUA, e de empresas de petróleo que argumentam que não podem misturar mais renováveis à gasolina.

A EPA definiu o volume total de combustíveis renováveis em 16,93 bilhões de galões para o ano atual e 16,28 bilhões de galões para 2014, em comparação com uma proposta de maio de 16,30 bilhões e 15,93 bilhões, respectivamente.

Isso colocou a meta para o uso de etanol em 2016 em 14,5 bilhões de galões, ante 14,05 bilhões em 2015 e 13,61 bilhões em 2014. O volume é maior do que em uma proposta de maio e ligeiramente acima das expectativas de aumentos.

Derrubando a parede da mistura

As novas metas, contudo, podem provocar uma mudança na mistura da gasolina. Embora desde 2001 a EPA tenha autorizado a presença de 15% de etanol na gasolina, a maior parte do combustível utilizado no país não ultrapassa os 10%, a chamada ‘parede da mistura’. Uma das principais razões para isso, segundo divulgado pela rede de notícias Bloomberg, está no manual dos carros, que não recomenda misturas superiores.

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Ainda de acordo com a publicação da Bloomberg, representantes da indústria de petróleo dos Estados Unidos solicitaram à EPA que a mistura não ultrapassasse 9,7%. Eles também alegaram que existe uma forte demanda por parte dos consumidores por uma gasolina totalmente livre de etanol.

A EPA, entretanto, não acatou esse pedido. “Com a determinação, a EPA estabelece volumes que vão além de níveis históricos e aumenta a quantidade de biocombustíveis com o tempo. É um crescimento ambicioso e alcançável”, comemorou a assistente administrativa da EPA, Janet McCabe.

De acordo com ela, o objetivo é balancear o desejo do Congresso dos Estados Unidos de elevar a próxima geração de combustíveis renováveis ao mesmo tempo em que se observam realidades do mercado.

Segundo a Bloomberg, essa perspectiva agrada os produtores de etanol. “A maior vitória foi encostarmos na parede da mistura”, afirmou o presidente da Poet LLC em Sioux Falls, Jeff Broin.

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Agricultores, políticos e representantes do setor pedem por metas ainda maiores

Segundo publicado pela Reuters nos Estados Unidos, representantes dos agricultores de milho – cultura cujo preço está em queda – acreditam que as metas deveriam voltar aos índices estabelecidos em 2007.

“A EPA não parece apreciar que a lei requere metas maiores de biocombustíveis e que os consumidores gostam de ter a oportunidade de usar combustíveis alternativos”, relatou o senador republicano Chuck Grassley, de Iowa.

Entre os democratas, de acordo com o jornal The New York Times, a presidenciável Hillary Clinton e diversos de seus colegas já havia se declarado a favor de metas robustas para biocombustíveis.

Por sua vez, de acordo com a Reuters, representantes de grupos do setor de biocombustíveis como Archer Daniels Midland Co (ADM) e Poet LLC também questionaram a decisão da EPA de reduzir as metas em relação a 2007.

“[As metas] ainda estão abaixo do que esperávamos e do que a população dos Estados Unidos merece”, afirmou um porta-voz da ADM, que continua: “Não acreditamos que isso representa uma percepção correta da lei”.

Os detalhes dos novos padrões podem ser acessados aqui (em inglês).

Chris Prentice
Com informação da Reuters, Bloomberg e The New York Times e edição adicional novaCana.com