Etanol: Exportação

Coronavírus pode diminuir demanda mundial de etanol e afetar exportações


EPBR - 24 mar 2020 - 10:38

A crise provocada pela pandemia de coronavírus pode mudar a oferta e a demanda mundial de etanol, não apenas por desaceleração econômica, mas também por barreiras sanitárias. Em boletim enviado a clientes, a consultoria INTL FCStone destaca o caso da Coreia do Sul, responsável por um quarto da demanda pelo biocombustível brasileiro exportado em 2019.

“A rápida disseminação do vírus pode suprimir a demanda pelo biocombustível nacional, sobretudo nos mercados asiáticos, com destaque para a Coreia do Sul. No último ano, por exemplo, as vendas de etanol para este país representaram 25,6% do total externalizado pelo Brasil”, escreve o analista de inteligência de mercado da INTL FCStone, Matheus Costa.

Nas três primeiras semanas de março, o ritmo de exportações do etanol brasileiro foi 71,6% menor em relação ao mesmo período do ano passado e 79% menor na comparação com fevereiro – média diária de 1,9 milhões de litro (março de 2020), frente a 6,8 milhões de litros por dia (março de 2019) e 9,1 milhões de litros por dia (fevereiro de 2020). Os dados são do Ministério da Economia.

A consultoria alerta para a possibilidade de os Estados Unidos relaxarem a política de mistura obrigatória de etanol na gasolina para aliviar a perda de receita dos refinadores americanos – a exigência atual, em geral, é de 10% (E10), mas há os padrões estabelecidos para 15% e 85%.

O impacto no mercado brasileiro, alerta a INTL FCStone, pode se dar nas duas pontas. Apesar de estoques elevados, quebras nos EUA podem restringir a oferta de etanol americano para o Brasil e a mudança no padrão de consumo do mercado lá, por sua vez, pode ameaçar a demanda por etanol de cana brasileiro.

“Ainda que no curto prazo as importações pelo Brasil possam não ser impactadas, visto que o setor alcooleiro americano possui estoques elevados, é possível que redução na produção do biocombustível nos EUA possa resultar em maior aperto no balanço de oferta e demanda de etanol no mercado brasileiro, uma vez que as internalizações em 2020 tendem a ser importantes para garantir a oferta interna em meio à safra mais açucareira no Centro-Sul”, conclui Matheus Costa.


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