Etanol: Exportação

China deve aumentar importação de etanol nos próximos meses


Reuters - 16 set 2015 - 08:44

Compradores chineses de etanol estão buscando mais importações nos próximos meses, de acordo com fontes do setor consultadas pela Reuters. No entanto, as compras podem desacelerar até o final do ano, uma vez que a indústria espera uma queda nos preços do milho.

As importações chinesas de etanol subiram este ano, já que os compradores procuraram se beneficiar com os preços significativamente mais baixos do etanol em grandes países produtores, como Brasil e Estados Unidos.

Ao longo do mês de julho, a China importou 126 mil toneladas de etanol. Esse montante é quase cinco vezes superior às importações de etanol registradas em todo o ano passado, segundo dados oficiais aduaneiros.

Além disso, pelo menos 50 mil toneladas adicionais do combustível chegaram em agosto e no início de setembro, disse um negociante que não quis ser identificado.

Os compradores incluem companhias estatais de alimentos, a empresa de combustível COFCO – que produz etanol no Brasil como parte de sua participação majoritária na Noble Agri – e outras empresas comerciais, incluindo a Zhejiang Materials, disseram outras fontes da indústria.

A expectativa é que mais importações aconteçam nos próximos meses, graças a preços atraentes em comparação com o etanol produzido no país. Na China, o etanol de alta pureza custa cerca de 5.800 yuans (US$ 910,49) por tonelada, enquanto as importações provenientes dos Estados Unidos estão sendo fixadas em torno de US$ 625 por metro cúbico (equivalente a US$ 790 por tonelada), incluindo o frete.

“Eu acho que as compras dos Estados Unidos realmente vão aumentar até novembro”, disse um agente de uma empresa de comércio global com sede na China.

A demanda por importação também está recebendo suporte da atual situação financeira da China. O valor do etanol no país está fixado a uma percentagem do preço da gasolina, que também viu seu preço cair.

Os preços domésticos do milho – a matéria-prima mais comumente usada para produzir etanol no país –, no entanto, estão cerca de 50% mais elevados do que nos mercados globais. A situação levou o governo a implementar uma política de estocagem destinada a incrementar a renda rural.

Com usinas de etanol locais lutando para conseguir lucrar, apenas 50% da capacidade de produção do país está sendo utilizada, deixando um déficit na demanda em algumas das 11 províncias onde é necessário misturar etanol à gasolina.

Vale observar que os custos de produção podem cair se Pequim revisar sua política de apoio aos produtores de milho. Os preços futuros da cultura já caíram com base na especulação de que o governo irá diminuir seu preço para compras do grão.

“A maior parte dos compradores quer comprar antes de dezembro. Eles estão um pouco preocupados com as mudanças de política ou com uma tendência de queda nos preços”, disse o agente.

Os produtores de etanol, por sua vez, estão fazendo lobby por mais apoio do governo. A China cortou subsídios aos produtores de etanol nos últimos anos e está considerando eliminá-los completamente a partir de 2016.

Dominique Patton
Tradução novaCana.com

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