Etanol: Exportação

BP Bunge ganha aval dos EUA para exportar etanol produzido no Brasil

Quando as empresas criaram joint venture, 60% do combustível nacional tinha como destino o mercado americano


Bloomberg - 25 jan 2022 - 08:38

Quando a BP e a Bunge anunciaram, em dezembro de 2019, a criação de uma joint venture de açúcar e bioenergia no Brasil para operar 11 usinas, com capacidade para processar 32 milhões de toneladas por ano de cana, os Estados Unidos eram o maior cliente do etanol exportado pelas usinas nacionais. Naquele ano, as vendas externas do combustível derivado da cana-de-açúcar somaram 1,93 bilhão de litros, dos quais 1,19 bilhão foram para os Estados Unidos.

Hoje, a BP Bunge Bioenergia comunicou que suas 11 unidades agroindustriais conquistaram a certificação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês), o que credencia as usinas a exportarem o biocombustível para o mercado americano. Agora, parte da capacidade de produção de 1,7 bilhão de litros por safra poderá ser destinada aos Estados Unidos.

“Queremos desempenhar um papel de liderança em uma transição rápida para um futuro de baixo carbono. Essa certificação em todas as nossas unidades é mais um passo nessa direção e está em linha com a nossa agenda de compromissos para 2030, que traz metas voltadas às mudanças climáticas com foco na redução de emissões”, disse em nota o presidente executivo e do conselho de administração da empresa, Mario Lindenhayn.

Contudo, nos últimos dois anos, a participação dos Estados Unidos caiu consistentemente nas exportações de etanol do Brasil. O país segue como o segundo maior destino do combustível nacional, mas com uma participação muito inferior, ao redor de 23%. Entre 2019 e 2021, as vendas externas de etanol do Brasil cresceram apenas 1%, passando de 1,93 bilhão de litros para 1,95 bilhão no ano passado, conforme dados do Observatório da Cana. No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram 62%, para pouco mais de 460 milhões de litros em 2021.

O motivo para a queda nas exportações para os Estados Unidos é simples: demanda. O mercado americano reduziu nos últimos dois anos sua necessidade de importar o combustível. Entre 2019 e 2021, as usinas que usam o milho como matéria-prima para produção do combustível elevaram em 4% sua capacidade de produção. Percentualmente, o valor pode ser baixo, mas representou um incremento de 2,5 bilhões de litros. O volume adicionado na capacidade das indústrias americanas em apenas dois anos é mais de 30% superior a todo o etanol exportado pelo Brasil no ano passado.

Alexandre Inacio


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