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Opinião: Barril de petróleo a US$ 20, um cenário muito provável


Wall Street Journal - 12 fev 2016 - 12:22

Entusiastas do petróleo, não desanimem. O atual mercado baixista que começou em meados de 2014 está provavelmente perto do fim, à medida que produtores marginais ficam pelo caminho. Os cortes na produção devem levar a um aumento nos preços do petróleo no segundo semestre deste ano.

Mas, antes que isso aconteça, a cotação do West Texas Intermediate, o petróleo de referência nos Estados Unidos, provavelmente continuará caindo, talvez até US$ 20 o barril, segundo alguns analistas, antes de voltar a superar a marca de US$ 50 o barril até o fim do ano.

Os investidores das bolsas também podem respirar aliviados. Ultimamente, os índices de ações estiveram estreitamente correlacionados com os preços do petróleo. Esse padrão tem persistido, apesar de a grande maioria das empresas globais se beneficiarem do petróleo mais barato, já que compram produtos refinados para tocar suas operações.

É verdade que muitos exportadores de petróleo são países emergentes e a queda dos preços desacelerou seu crescimento. No entanto, muitos operadores de ações podem estar seguindo a crença equivocada de que os preços baixos do petróleo indicam uma recessão global iminente.

Consequentemente, a esperada recuperação do petróleo no segundo semestre deve causar uma recuperação das ações. Mas, talvez, mesmo antes disso, os operadores percebam que o petróleo barato tenha sido principalmente um reflexo de um mundo inundado do chamado ouro negro.

É verdade que a fraca demanda mundial tem desempenhado um papel importante na acumulação de estoques, mas ela representa um recuo na taxa de crescimento, não uma contração econômica de fato. Um novo abrandamento da expansão global, especialmente na China, também terá influência, mas aqui também é a oferta que dominará a cena, à medida que os cortes de produção causem uma recuperação dos preços.

O consumo mundial de petróleo se manteve relativamente estável. Ele subiu de 91,9 milhões de barris por dia em 2013 para 92,8 milhões em 2014. Em 2015, avançou para 94,5 milhões de barris por dia, um salto relativamente grande, mas em parte devido à queda acentuada dos preços do petróleo. Eric Lee, analista sênior de energia do Citigroup, prevê um crescimento medíocre, de 1 milhão de barris por dia, para 95,5 milhões, em grande parte devido à esperada desaceleração econômica da China.

O lado da oferta tem sido o principal causador do excesso de petróleo que derrubou o mercado. E em nenhum lugar essa revolução na oferta foi mais drástica que nos EUA. Em 2010, por exemplo, o país produziu 5,5 milhões de barris por dia. Mas, graças ao fraturamento hidráulico, ou “fracking” — a extração de petróleo de formações de xisto —, a produção diária do país saltou para 8,7 milhões em 2014 e 9,7 milhões em 2015, um recorde.

Enquanto isso, a Arábia Saudita, há muito o membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo que define a direção dos preços, reconheceu que agora é incapaz de controlar o mercado e simplesmente passou a produzir a todo vapor para arrecadar o máximo que puder. A Rússia também logrou ampliar sua produção, em parte devido à queda do rublo ante o dólar.

O excesso mundial de petróleo é evidente no acúmulo de estoques. Fora dos EUA, a capacidade de armazenamento em tanques praticamente se esgotou. Edward Morse, diretor de pesquisa global de commodities do Citigroup, diz que o inverno mais quente no hemisfério norte gerou um excesso de óleo de calefação na Europa que foi guardado em navios, pois não há onde mantê-lo.

Os EUA são praticamente o único país com espaço de armazenamento disponível. Ainda assim, a Agência de Informação de Energia informou que os estoques do país estão perto do maior nível em pelo menos 80 anos.

A queda dos preços do barril em janeiro para uma média de US$ 31,70, ante US$ 37,20 em dezembro, com o valor de US$ 26,21 registrado pelo WTI ontem, o menor em 13 anos, deve-se a quatro fatores: sinais claros de desaceleração da economia chinesa e, portanto, queda na demanda; um inverno ameno na Europa, causando acúmulo de grandes estoques de óleo de aquecimento; investidores apostando na queda nos preços devido à suspensão das sanções às exportações do Irã; e a retração sazonal das refinarias em janeiro e dezembro. Uma recuperação dos preços é esperada neste mês e em março, com a volta da demanda das refinarias e a queda da temperatura no hemisfério norte.

Para o segundo trimestre, Morse prevê um retorno a preços mais baixos com base em dois fatores principais: um longo período de manutenção de refinarias no mundo todo, particularmente nos EUA, especialmente em abril, causando um declínio na demanda; e a expectativa que, até lá, a produção iraniana tenha um efeito perceptível sobre a oferta.

Segundo Steve Briese, editor da publicação setorial “Bullish Review of Commodity Insiders”, isso poderia fornecer a base para o cenário de US$ 20 o barril que ele vem prevendo há tempos. Até 2 de fevereiro, grandes especuladores mantinham posições que se beneficiam exclusivamente de uma alta nos preços em 579.266 contratos futuros, cerca de 36% de todas as posições de petróleo em aberto na Bolsa Mercantil de Nova York. À medida que os fundamentos começam a afetar os preços, a liquidação dessas posições poderia forçar o preço a cair brevemente para menos de US$ 20 o barril.

Lee, do Citigroup também prevê um cenário temporário com o barril a US$ 20. Segundo ele, se os estoques se acumularem ao ponto de toda a capacidade de armazenamento se esgotar, qualquer produção teria que ser vendida imediatamente, levando os preços a cair brevemente abaixo de US$ 20 o barril.

Mas os preços devem subir no segundo semestre. “Achamos que o mundo está prestes a perder um grande volume de produção de petróleo nos EUA, Colômbia, México, Venezuela, China e, em seguida, provavelmente, Rússia, Brasil e a parte do Reino Unido no Mar do Norte”, diz Morse. Ele estima um preço médio de US$ 50 no quarto trimestre.

Nos últimos cinco anos, o mundo descobriu um trilhão de barris em novos depósitos de petróleo, equivalente a 30 anos de oferta adicional, vindo do petróleo de xisto, de águas profundas e areias betuminosas. Durante o ano passado, o custo de extração dessas fontes caiu significativamente. Isso significa que um retorno aos preços do petróleo de três dígitos é improvável no futuro próximo.

Gene Epstein é colunista do semanário Barron’s

Tags: Petróleo

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