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Etanol: Mercado

Aumento na produção de etanol nesta safra deve impulsionar 2018/19 em mais 5 bi litros


Notícias Agrícolas - 23 out 2017 - 08:26

Está na planilha das indústrias processadoras de cana a perspectiva de produzirem até 30 bilhões de litros de etanol na safra 2018/19. Elas até podem ficar nos mesmos 25 bilhões que foram marcados para o ciclo corrente, mas apenas caso o mercado não atenda às projeções de agora por questões conjunturais. Porém, ao menos no planejamento operacional, esse novo patamar de biocombustível já está apontado – e mais firme do que na mesma época do ano passado.

O diretor da consultoria Bioagência lembra, porém, que essa diferença de 5 bilhões de litros não é algo excepcional. A capacidade atual das usinas e destilarias é essa. “Então estaria se ocupando a ociosidade hoje existente”, completa Tarsilo Rodrigues.

Esse objetivo de 25 a 30 bilhões de litros para a safra que se iniciará em abril de 2018 não havia sido previsto anteriormente porque se previa menor oferta mundial de açúcar e preços mais firmes. Portanto, o mix seria mais açucareiro.

Contudo, o cenário mudou no terço final da safra 2017/18. As usinas viraram a chave para etanol na última quinzena de setembro, com a esteira rodando. Rodrigues aponta que isso “não é muito trivial, embora as empresas consigam” e, assim, as usinas devem partir para algo entre 5 a 6% a mais de etanol até o final da temporada, totalizando 25 bilhões de litros no Centro-Sul.

Esse não é considerado um aumento muito significativo para a dinâmica do setor, uma vez que será atingido apenas com as unidades que são apenas destilares e por aquelas que estão com mais folga, especialmente com sobra de produção indo além dos contratos de exportações de açúcar, conforme analisa Fernando Carvalho, da consultoria Canaplan. Muitas usinas têm compromisso de exportações fechados até o ano que vem, portanto “não mudam a chave”, reforça o consultor da Bioagência.

Com a oferta mundial de açúcar mais alta e os preços em queda durante boa parte da temporada, as empresas foram se ajustando com seus compromissos até poderem desviar o caldo para o etanol. “Do ponto de vista industrial, não há nenhuma dificuldade técnica em pleno andamento do processamento”, confirma Fernando Carvalho.

“[As usinas] processaram 2/3 da cana e, faltando 1/3, ficou mais fácil poder mexer”, explicou Tarsilo Rodrigues.

Em termos gerais, espera-se uma safra 2017/18 esmagando entre 585 e 588 milhões de toneladas de cana na ponta mais conservadora, um valor um pouco abaixo das 600 milhões de toneladas, previstas pela consultoria Datagro.

Os consultores ouvidos também trabalham com um volume menor de cana na temporada 2018/19 por conta da seca nos últimos tempos, mas segundo Carvalho, da Canaplan, se as chuvas forem boas até abril, poderá haver recuperação.

Giovanni Lorenzon


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