Etanol: Mercado

Com 17,7 mi de CBios em mãos, distribuidoras estão próximas da meta do RenovaBio

Considerando os créditos disponíveis no mercado e os aposentados ao longo de 2021, objetivo deste ano já foi superado em mais de 5,76 milhões de unidades


NovaCana - 17 nov 2021 - 16:05 - Última atualização em: 18 nov 2021 - 10:38

Com 23,5 milhões de créditos de descarbonização (CBios) acessíveis para compra e venda ao final da primeira quinzena de novembro, as distribuidoras com metas a cumprir no RenovaBio não devem encontrar dificuldades em atender a seus objetivos anuais de 2021.

Até 31 de dezembro, elas devem retirar de circulação – por meio de um processo chamado de aposentadoria – 24,86 milhões de CBios. Destes, 7,13 milhões já foram aposentados, de modo que 28,7% do escopo já foi cumprindo, faltando apenas 17,73 milhões de CBios, um valor inferior ao já disponível.

Os números fazem parte do acompanhamento da B3, única entidade registradora do programa, e se referem à posição em 16 de novembro.

A princípio, o excedente deve ser suficiente para cobrir até mesmo as aposentadorias realizadas por investidores sem metas a cumprir ou por distribuidoras que estejam “adiantando” o cumprimento dos seus objetivos para 2022.

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A B3 não informa se as aposentadorias foram feitas por distribuidoras ou por investidores sem metas. Conforme regulamentação aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em maio deste ano, os CBios que forem aposentados por agentes sem metas serão abatidos das obrigações das distribuidoras. Esta redução, entretanto, só deve ser contabilizada no próximo ano.

De qualquer modo, dentre os CBios ainda em circulação, as distribuidoras detêm 17,7 milhões – considerando as aposentadorias, elas estão apenas 37,54 mil créditos aquém do valor integral da meta para 2021. Por sua vez, as usinas produtoras de biocombustíveis possuem 5,56 milhões de CBios e os investidores externos ao programa, 245,37 mil.

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No total, os títulos em circulação e os aposentados somam 30,62 milhões de unidades, superando o objetivo em 5,76 milhões.

Preços e negociações

Para alcançarem este volume de CBios, as distribuidoras mantiveram o mercado aquecido na quinzena. Apesar do número reduzido de dias úteis por conta dos feriados de 2 e 15 de novembro, mais de mil trocas de titularidade foram registradas pela B3, movimentando 2,76 milhões de créditos.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a entidade.

Conforme os valores apresentados, o preço médio observado no período foi de R$ 45,98 por CBio. Este resultado está 18,7% acima da média histórica do programa, de R$ 38,74; 28,4% mais elevado que a média de 2021, de R$ 35,82; e 6,4% além da média da quinzena anterior, de R$ 43,20. Com isso, os CBios voltam a registrar alta após dois períodos de queda.

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Além disso, as negociações se mantiveram acima da marca de R$ 30, valor médio projetado pelo Santander e pelo Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege) para 2021.

Na primeira quinzena de novembro, os CBios foram comercializados entre R$ 42,05 (dia 1º) e R$ 49,50 (dias 10, 11 e 12).

Desde o início da comercialização dos créditos, em junho do ano passado, o valor variou entre R$ 15 e R$ 72. Em 2021, a oscilação foi menos ampla, indo de R$ 26,75 a R$ 49,90.

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Em entrevista ao Valor Econômico publicada no começo de outubro, a analista do Itaú BBA, Annelise Izumi, relatou que a aproximação do final do ano e, consequentemente, do prazo para que as distribuidoras cumpram suas metas anuais pode estar influenciando o preço dos títulos. Outro fator levantado por ela é a quebra na atual safra de cana-de-açúcar e seu reflexo na produção de etanol hidratado, que pode levar a uma menor geração de CBios durante a entressafra.

Entretanto, como a oferta de CBios já é suficiente para que as distribuidoras batam suas metas, ela reforça que pode ocorrer um enfraquecimento dos preços em breve.

O gerente do Itaú BBA, Guilherme Belotti, complementa que algumas distribuidoras podem já estar comprando CBios para 2022. Afinal, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou um objetivo 44,7% maior, de 35,98 milhões de CBios.

A meta para o próximo ano também foi destacada pelo presidente da Datagro, Plínio Nastari, em palestra realizada no dia 26 de outubro. Na ocasião, ele afirmou que a geração de CBios pode ficar abaixo da meta já em 2022 – ainda assim, o excedente deste ano deve permitir que o objetivo seja cumprido pelas distribuidoras.

Geração de créditos

Por enquanto, o número de CBios registrados junto à B3 segue crescendo a uma taxa relativamente constante, com 902,98 mil novos créditos na primeira metade de novembro. Além disso, entre o começo do ano e o encerramento da quinzena, 26,67 milhões de títulos foram escriturados.

Inclusive, por mais que a temporada de cana-de-açúcar na região Centro-Sul esteja entrando na entressafra, o número de CBios escriturados junto à B3 deve seguir subindo, uma vez que ele é vinculado ao volume comercializado de biocombustível.

Desde o estabelecimento do RenovaBio até o momento, mais de 45,23 milhões de créditos entraram no programa.

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Atualmente, segundo a ANP, 296 unidades participam do RenovaBio; destas, três fabricam biometano e 29, biodiesel. Dentre as 264 usinas de etanol certificadas, 253 utilizam apenas a cana-de-açúcar; seis processam milho e cana; quatro, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Renata Bossle – NovaCana


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