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Etanol: Meio ambiente

Petroleiras definem princípios comuns para transição energética


EPBR - 18 dez 2020 - 10:48

Oito das maiores empresas globais de energia acordaram nessa quinta-feira, 17, que seguirão princípios comuns para a transição energética.

Entre outros compromissos, BP, Equinor, Shell, Total, Galp, Eni, Occidental e Repsol vão apoiar publicamente os objetivos do Acordo de Paris, incluindo a cooperação internacional. As empresas também vão apoiar o desenvolvimento de tecnologias que atuem como sumidouros de carbono, como técnicas de captura e armazenamento de CO2.

O compromisso pretende alinhar as ações dos stakeholders do setor na direção da transição energética. A percepção é que falta transparência e consistência, por exemplo, nas métricas utilizadas pelas companhias para reportar ações que visam a redução do impacto ambiental provocado pelas empresas.

Os seis princípios assumidos pelas produtoras de óleo e gás:

  1. Apoio público aos objetivos do Acordo de Paris, incluindo a cooperação internacional como veículo para assegurar o cumprimento dos objetivos do acordo
  2. Descarbonização da indústria: As empresas vão se esforçar para reduzir as emissões em suas operações e as emissões resultantes do consumo da energia, atuando com seus clientes e a sociedade civil
  3. Colaboração do sistema energético: Colaborar com outros atores, incluindo governos, consumidores e investidores para desenvolver e promover abordagens que contribuam para a redução de emissões resultantes da utilização de energia. Também vão apoiar países que cumprirem as suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) para alcançarem os objetivos do Acordo de Paris
  4. Desenvolvimento de sumidouros de carbono: Apoiar e desenvolver tecnologias de captura, utilização e armazenamento e os sumidouros naturais
  5. Transparência: Divulgar informação relacionada com os riscos e oportunidades decorrentes das alterações climáticas de forma consistente com os objetivos das recomendações do grupo de trabalho sobre o reporte financeiro relacionado com o clima (TCFD)
  6. Indústria e associações setoriais: Divulgar informações sobre a sua participação em fóruns e associações de indústrias, bem como seu alinhamento às principais posições e políticas de defesa do clima das empresas.

Movimento europeu

A proposta de trabalho conjunto das empresas europeias foi recebida positivamente por investidores. Anne Simpson, administradora da Climate Action 100+, que reúne investidores europeus focados em apoiar iniciativas que visem a emissão líquida zero de gases do efeito estufa (GEEs), afirmou que o trabalho entre diferentes atores será vital para alcançar o objetivo de emissões líquidas zero na economia real até 2050, ou talvez mais cedo.

O movimento em busca da neutralidade das emissões é atualmente muito mais forte das produtoras de óleo e gás europeias. A Equinor, por exemplo, anunciou no primeiro dia de Anders Opedal como CEO da empresa a meta de se tornar uma empresa com emissões zero de carbono em 2050. A empresa está se preparando para o declínio gradual da demanda global por petróleo e gás a partir de 2030 e espera, com isso, produzir, no longo prazo, menos petróleo do que que produz atualmente.

Bernard Looney, que também assumiu neste ano o comando da BP, anunciou em fevereiro que a companhia tem a ambição de se tornar uma empresa neutra em emissão de carbono até 2050. A promessa representa a neutralização de 415 milhões de toneladas equivalentes de CO2 (tCO2e), sendo 55 milhões/ano das próprias operações da companhia e 360 milhões/ano relativos à produção de petróleo e gás da BP.

No sábado, 12, o European Investment Bank (EIB) informou que vai interromper o financiamento de combustíveis fósseis, incluindo o gás natural. O anúncio foi feito durante Cúpula da Ambição Climática da Organização das Nações Unidas (ONU) da qual o Brasil não participou.

“Decidimos colocar o clima em tudo o que fazemos. Vamos parar de financiar energia produzida por combustíveis fósseis, incluindo gás natural, e vamos ser o primeiro banco multilateral a ser totalmente alinhado com o Acordo de Paris, até o final do ano”, afirmou o presidente do EIB, Werner Hoyer.

O governo do Reino Unido firmou o compromisso com o fim do apoio direto aos combustíveis fósseis no exterior. O país não financiará mais projetos de exploração e produção de petróleo, gás ou carvão pelo mundo.

Além da restrição de crédito para o setor de petróleo e gás e de carvão, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu que o mundo declare estado de emergência climática. Afirmou que as economias globais podem levar a um aumento da temperatura em 3,0 °C no fim do século, com efeitos catastróficos. O Acordo de Paris tenta conter o aquecimento em 1,5 °C até 2050.

No mês passado, após a eleição de Biden nos EUA, Guterres declarou que o tempo dos subsídios aos combustíveis fósseis acabou e que o mundo deve eliminar, gradualmente, o uso do carvão como fonte de energia e fixar um preço para o carbono.

Guilherme Serodio

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