Etanol: Meio ambiente

Indústria de etanol dos EUA quer reduzir emissões, mas setor de milho é relutante


Dow Jones Newswires - 09 ago 2022 - 09:15

Usinas de etanol, como a da cidade de Goldfield, no Iowa, EUA, com 630 habitantes e grande produtora de milho, estão ansiosas para se juntar a novas redes de dutos que transportam dióxido de carbono para lugares em que possa ser enterrado no subsolo.

Mas esses projetos de gasodutos de CO2 estão enfrentando uma forte resistência de proprietários de terras e ambientalistas, semelhante à enfrentada por condutores de combustíveis fósseis. Os opositores dizem que os dutos de CO2 ameaçam atropelar os direitos de propriedade e os delicados sistemas de drenagem agrícola. Eles também acusam o projeto de ser mal concebido, destinado apenas a colher créditos fiscais do governo, e não a reduzir os gases que aprisionam o calor.

Essa batalha é ainda mais intensa no Iowa, onde existem três grandes projetos para coletar CO2 de mais de 30 das 42 usinas de etanol do estado e enviá-lo para formações rochosas subterrâneas nos estados de Dakota do Norte e Illinois. Os proponentes dizem que os projetos vão fortalecer as economias rurais ao elevar o valor do etanol vendido para lugares como Califórnia e Canadá, que pagam um prêmio por combustíveis de baixo carbono.

As lutas por gasodutos de CO2 ocorre em todo o Meio-Oeste, nos tribunais e nos conselhos de serviços públicos estaduais. O Congresso, enquanto isso, considera um acordo legislativo sobre impostos e energia intermediado pelos senadores democratas Joe Manchin e Chuck Schumer, o que forneceria mais apoio do governo para a captura e armazenamento de carbono. Uma medida complementar facilitaria o caminho para a permissão de infraestrutura, como oleodutos e linhas de energia, para atender a indústria de petróleo e gás e fontes de energia mais limpas, como eólica e solar.

Os oponentes dizem temer que os dutos de CO2 possam eventualmente ser usados para produzir mais petróleo. “Isso anula completamente qualquer tipo de redução climática”, disse a coordenadora de conservação da filial de Iowa do Sierra Club, Jess Mazou.

Funcionários de duas das empresas de oleodutos, Summit Carbon Solutions e Wolf Carbon Solutions, que se uniu à gigante de grãos Archer Daniels Midland (ADM), disseram que ter gastado milhões de dólares adquirindo direitos para sequestrar o carbono e não têm planos de usar o CO2 para extração de óleo.

A Heartland Greenway da Navigator CO2 Ventures, a terceira grande empresa que propõe dutos de CO2 no Iowa, disse ainda ter considerado oferecer extração de petróleo e gás como uma opção para seus clientes de etanol, mas que eles não estavam interessados.

Todas as três empresas dizem que tentarão trabalhar com os agricultores para compensá-los de forma justa por ganhar o direito de colocar dutos em seus campos e que esperam que apenas um pequeno número de casos vá para domínio eminente. Muitos agricultores de Iowa dizem que suas experiências com o Dakota Access Pipeline, que corta um caminho de 350 milhas do canto noroeste ao canto sudoeste há uma década, os deixou sem vontade de ter mais oleodutos.

Dono de três fazendas perto de Boone, Iowa, Keith Puntenney disse que o milho que cresce acima do oleoduto em sua terra ainda está sofrendo porque os solos foram compactados pelo equipamento pesado usado pelas empresas de oleodutos. “Você não pode obter colheitas normais porque as raízes não podem penetrar no solo compactado até a profundidade adequada”, explicou o agricultor.

As empresas de oleodutos disseram que as salvaguardas para proteger os agricultores melhoraram desde que o gasoduto Dakota Access foi instalado e que os tubos de CO2 são em muitos casos mais finos, exigindo equipamentos menos pesados.


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