Etanol: Meio ambiente

Etanol aposta nas metas da COP 21 para consolidar-se na matriz energética


Agência Estado - 15 fev 2016 - 10:45

O setor de etanol no Brasil começa a trabalhar com uma perspectiva mais concreta de consolidar a participação do biocombustível na matriz energética. Embora a queda dos preços do petróleo sinalize o contrário, representantes da cadeia produtiva ouvidos pelo Broadcast dizem que as metas traçadas na Conferência da ONU para Mudanças Climáticas (COP 21), no ano passado em Paris, referendam essa percepção e podem levar o País a um patamar de destaque em meio a um possível fim da era do petróleo.

"Na COP 21 tivemos sinalização de que os compromissos serão cumpridos. Vai haver redução gradativa no consumo de petróleo", disse o presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira Franco.

A meta do Brasil prevê, até 2030, a participação de 18% de bioenergia na matriz energética, mesmo percentual dos últimos 10 anos. Apesar de ser o mesmo percentual, a produção de etanol vai crescer significativamente para acompanhar o crescimento orgânico.

De acordo com cálculos da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), para cumprir essa promessa o País terá de produzir 50 bilhões de litros de etanol carburante em 2030, praticamente o dobro ante o volume atual, de 28 bilhões de litros. Os investimentos para tanto seriam de quase R$ 40 bilhões. Tal perspectiva difere das frustrações observadas após o Proálcool, criado nos anos 1970, e o boom de carros flex, na década passada, que não firmaram o etanol dentro da matriz e ainda foram seguidas de crises para as usinas de cana.

Na avaliação do diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues, se o Brasil mantiver a tendência de elevar a produtividade a cada safra os custos para a produção do etanol devem cair, compensando um petróleo também mais barato. "Ainda temos espaço para ganhar produtividade e precisamos de uma conjuntura que estimule o investimento", citou. Nesse contexto se enquadra o chamado etanol de segunda geração (2G), feito a partir da biomassa de cana. Segundo um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o custo de produção do litro de 2G deve cair de R$ 1,50 no ano passado para algo entre R$ 0,50 e R$ 0,70 até 2020, inferior até à previsão feita para o álcool tradicional (1G), cujo custo de produção deve ser de R$ 0,70 a R$ 0,90 daqui a quatro anos.

Para Rodrigues, o impacto que o petróleo nos atuais níveis - os menores em mais de uma década - pode ter sobre o setor de etanol é retardar eventuais projetos de incremento de produção, mas sem retrocessos. Um exemplo é a Índia, que planejava elevar a mistura de anidro na gasolina de 5% para 10% e agora pode adiar a medida. "O petróleo não assusta. É algo a se preocupar, sim, mas não é algo que vai desestimular o setor de etanol", destacou.

Curto prazo

O setor brasileiro também não projeta preços menores para o álcool em 2016. A avaliação é de que o biocombustível só seria afetado se a Petrobras reduzisse o preço da gasolina, o que eles não cogitam, argumentando que a estatal não comprometerá seu caixa neste momento. O mais recente relatório da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que a gasolina no Brasil alcançou cotação média de R$ 3,702 por litro na semana passada, 25,2% a mais ante igual período do ano passado, puxada pela recomposição da Cide em fevereiro e pelo aumento aplicado em setembro. O etanol acompanhou o movimento e avançou 36,3% no ano, para R$ 2,836 o litro nas bombas. Se o preço da gasolina cai muito, o etanol perde a paridade de desempenho de 70% e torna-se menos competitivo para o consumidor.

"Não trabalhamos com cenários em que o renovável tenha de reduzir o preço", disse o CEO da trading SCA, Martinho Ono. Ele lembra que a relação entre os preços do petróleo e o do etanol não é favorável hoje, mas outros fatores, como o dólar valorizado e, sobretudo, a cotação da gasolina no mercado interno, acabam compensando.

De acordo com o executivo, tradicionalmente a fabricação de combustíveis renováveis, que tem custos maiores, é viável quando o barril do petróleo está acima de US$ 60. Atualmente, contudo, o valor está perto de US$ 30 por barril.

Com edição adicional novaCana.com


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