Etanol: Meio ambiente

Energias fósseis terão participação relevante na matriz mundial até 2050, prevê IEA


EPBR - 14 out 2021 - 08:08

Lançado nesta quarta, 13, o World Energy Outlook 2021 (WEO) indica que a eletrificação com renováveis terá um papel central na descarbonização da economia global, mas os combustíveis fósseis – óleo, gás e carvão – terão lugar na matriz energética até 2050.

“A eletrificação limpa é um elemento central em todos os cenários deste relatório, mas não é possível eletrificar tudo. Mesmo no cenário net zero (NZE), a eletricidade representa menos de 50% do consumo total de energia final em 2050”, diz a Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês), autora do relatório.

Outro ponto levantado pela agência é o risco de descompasso entre a oferta e a demanda de energia, como resultado da “falta de sinais de investimento adequados, progresso tecnológico insuficiente, políticas mal elaboradas ou gargalos decorrentes de falta de infraestrutura”.

De acordo com as estimativas, a participação dos combustíveis fósseis na matriz, que permaneceu em torno de 80% ao longo de várias décadas, pode diminuir para cerca de 50% em 2050 no cenário de promessas anunciadas (APS) ou cair para pouco mais de 20% no NZE.

Em setembro, um mês antes do lançamento do WEO, um grupo de mais de 150 organizações da sociedade civil de todo o mundo enviou uma carta aberta ao diretor da IEA, pedindo para colocar a ambição de 1,5 °C no centro das análises.

Em resposta, o documento da IEA traz o capítulo “Mantendo a porta de 1,5 °C aberta”, onde ressalta que as promessas anunciadas e as atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, em inglês) fecham menos de 20% da lacuna em 2030 entre o cenário de políticas declaradas (Steps) e o NZE.

“As emissões adicionais de 12 Gt CO2 precisam ser reduzidas em 2030 para colocar o mundo no caminho certo para o NZE, e isso precisa ser acompanhado por reduções de quase 90 milhões de toneladas nas emissões de metano das operações de combustível fóssil (equivalente a outras 2,7 Gt de emissões de CO2)”.

A agência elenca quatro principais prioridades de ação para fechar essa lacuna na próxima década e preparar o terreno para uma redução rápida das emissões após 2030: fornecer uma onda de eletrificação limpa; aproveitar todo o potencial da eficiência energética; impedir vazamentos de metano de operações de combustível fóssil; e impulsionar a inovação em energia limpa.

Críticas

No ano passado, organizações científicas e financeiras apontaram um desalinhamento dos cenários desenhados pela IEA com as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris e a supervalorização do papel dos combustíveis fósseis e da energia nuclear.

Uma das críticas partiu de um estudo da University of Technology Sydney, na Austrália, sobre o otimismo exagerado em relação aos mecanismos de captura e armazenamento de carbono (CCS), que teria a finalidade de prolongar a vida dos combustíveis fósseis.

Petróleo

Pela primeira vez, a demanda de petróleo trazida pelo WEO mostra eventual recuo em todos os cenários do relatório, embora a variação de tempo e nitidez da queda seja ampla.

No Steps (menos ambicioso), a demanda se estabiliza em 104 milhões de barris por dia em meados de 2030 e, em seguida, diminui ligeiramente até 2050.

O uso de derivados de petróleo no transporte rodoviário aumenta em cerca de 6 mb/d até 2030, com um aumento particularmente acentuado em 2021. Na aviação, navegação e petroquímica, esse crescimento é estimado em 8 mb/d, aproximadamente.

Já no NZE (o melhor cenário), a demanda por petróleo cai para 72 mb/d em 2030 e para 24 mb/d em 2050.

Isso leva em conta a perspectiva de que, em 2030, 60% de todos os carros de passageiros vendidos globalmente serão elétricos e não haverá vendas de carros novos movidos a combustível fóssil depois de 2035.

A petroquímica será a única área com aumento na demanda, representando 55% de todo o petróleo consumido globalmente em 2050.

Gás natural

A demanda aumenta em todos os cenários do WEO nos próximos cinco anos, mas é sujeita a muitos fatores que afetam em que medida e por quanto tempo o gás natural pode manter um lugar na matriz energética. As perspectivas estão longe de ser uniformes nos diferentes países e regiões.

No Steps, a demanda de gás natural cresce para cerca de 4,5 trilhões de metros cúbicos em 2030 (15% maior do que em 2020) e para 5,1 trilhões em 2050.

O uso na indústria e no setor de energia aumenta até 2050, e o gás natural continua a ser a opção padrão para aquecimento.

No NZE, a demanda cai drasticamente a partir de 2025, e fica em 1,75 trilhões de m³ em 2050. Mais de 50% da demanda neste cenário virá da produção de hidrogênio, e 70% do uso do gás será em instalações equipadas com sistemas de captura, armazenamento e uso de carbono (CCUS).

Carvão

Segundo o WEO, todos os cenários estimam declínio para o uso de carvão. Entretanto, na tendência que analisa as políticas atuais, a demanda continua crescendo até 2025, para só então começar um lento declínio até 2050 – cerca de 25% menor do que em 2020.

“Entre 2025 e 2030, a demanda total de carvão na China começa a cair e há grandes reduções no carvão uso em economias avançadas, principalmente como resultado da menor demanda no setor de energia”, analisa.

No NZE, a demanda global de carvão cai 55% até 2030 e 90% até 2050; em 2050, 80% da pequena quantidade restante de carvão ainda em uso estará equipada com CCUS.

Nayara Machado