Etanol: Meio ambiente

Energia solar, biocombustíveis e hidrogênio estão na rota de descarbonização paulista


EPBR - 30 jul 2021 - 09:04 - Última atualização em: 02 ago 2021 - 08:16

Em consulta pública até o final de setembro, o Plano de Ação Climática do estado de São Paulo traz uma série de estratégias para mobilizar investimentos em energia e transporte, rumo à neutralidade de emissões até 2050.

Um dos focos é ampliar a geração solar. O plano traz como meta assegurar capacidade instalada de 1,5 GW de energia solar centralizada – São Paulo tem pouco mais de 874 MW de solar centralizada e 754 MW de geração distribuída.

O estado também lançou um edital para uma planta de geração solar flutuante na represa Guarapiranga e colocou como meta implantar sua primeira grande fazenda solar até 2025.

Na semana passada, o governador João Dória (PSDB) aderiu às campanhas Race to Zero e Race to Resilience por meio de decreto, e transformou em lei a descarbonização da economia paulista.

O plano é dividido em cinco eixos: eletrificação acelerada, combustíveis avançados, eficiência sistêmica, resiliência e soluções baseadas na natureza, e finanças verdes e inovação.

E o investimento total – público e privado – para a transição é estimado em 5% do PIB paulista até 2050.

“Ao setor público caberão os passos iniciais, para conferir credibilidade no Plano de Ação Climática, na Política Estadual de Mudanças Climáticas e em todo o arcabouço legal nacional alinhado aos objetivos do Acordo de Paris”, diz o documento.

Em entrevista à EPBR, o subsecretário estadual de meio ambiente, Eduardo Trani, explica que o projeto busca um equilíbrio entre as diferentes rotas de descarbonização do estado.

“Nós estamos focando na energia solar, na participação dos biocombustíveis e, no longo prazo, pensar em combustíveis avançados, como o hidrogênio, que alguns países já estão começando a desenvolver. E a transição com o gás natural”, conta.

Segundo Trani, que também é coordenador-geral do plano, o governo fará uma campanha nos próximos meses para melhorar as diretrizes e até setembro ter um texto mais “robusto”.

A previsão é que o documento final fique pronto em julho de 2022. A consulta espera ouvir os setores automotivo, químico e de transportes, entre outros.

“Vamos ouvir a sociedade e melhorar as diretrizes. Não temos como imaginar a rota de descarbonização de São Paulo sem verificar todos os componentes”, diz.

Eletrificação acelerada

De olho na transformação energética trazida pela expansão da eletrificação, o primeiro eixo do plano climático aborda novas fontes renováveis de energia, sistemas de armazenamento, e segurança energética.

As metas incluem a implantação, até 2025, da primeira grande fazenda solar no estado; 1,5 GW de energia solar centralizada até 2030 e garantir forte presença da fonte na matriz elétrica paulista até 2050.

“A estratégia é de diversificação da matriz”, destaca o assessor Ricardo Cantarani, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Ele explica que o potencial remanescente das hidrelétricas no estado é pequeno, mas em compensação, o estado tem um alto potencial para geração de energia a partir de biomassa, biogás, solar e aproveitamento de resíduos sólidos.

“Trabalhando dessa forma, entendemos que estamos ampliando a participação das renováveis e mitigando a sazonalidade das fontes e a componente de custo”, completa.

Combustíveis avançados

Outro objetivo é acelerar a transição para uma economia de baixo carbono com bioenergia, hidrogênio verde e “impulso aos diversos combustíveis de próxima geração”.

Com isso, o governo espera atrair “mais de uma dezena de bilhões de reais em investimento privado até 2030”.

E traz como metas até 2030: viabilizar uma planta operacional para produzir hidrogênio em escala pré-comercial; inserir na rede a eletricidade obtida a partir do biometano; e implantar cluster industrial operacional com captura e armazenamento de CO2.

O estado quer ainda utilizar o HVO, também conhecido como diesel verde, em substituição ao diesel fóssil no transporte de cargas em 2040, e comercializar hidrogênio progressivamente no estado em 2050.

“Queremos aumentar a penetração dos biocombustíveis, desenvolvendo também o aproveitamento das vocações regionais”, destaca Cantarani.

Ele cita como exemplo projetos de corredores azuis e o uso de biometano pelo setor de etanol para substituir o diesel nos equipamentos pesados, como tratores e caminhões usados na logística.

A eletrificação também deve passar pelos biocombustíveis. “Não vemos uma solução que ignore os biocombustíveis. A tendência aqui no Brasil é de veículos híbridos, porque a ideia é conseguir, dentro da política setorial, combater as mudanças climáticas, mas também manter os setores que já contribuem para a nossa economia”, explica.

Já em relação ao hidrogênio, Cantarani conta que a proposta é aproveitar as diferentes rotas, como eletrólise, gás natural e captura de carbono – estratégia indicada também no Programa Nacional de Hidrogênio.

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Nayara Machado