BASF
Etanol: Meio ambiente

Biocombustíveis são exemplo brasileiro na redução de emissões


O Globo - 03 dez 2019 - 07:37

Por Jacyr Costa Filho*

Um estudo recém-divulgado da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, trouxe dados alarmantes para o mundo, mostrando que a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera cresceu no último ano. Uma das principais conclusões é o quanto a predominância dos combustíveis fósseis é nociva para o planeta. Os recursos naturais não renováveis contribuem diretamente para o aumento do CO2 atmosférico.

Em resumo, o relatório adverte que, para atender à última meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento do globo a um aumento de 1,5°C, o mundo teria de diminuir imediatamente as emissões de gases do efeito estufa (GEE) em 7,6%, entre 2020 e 2030.

Embora alerte para o fato de o Brasil ter o desafio de reduzir o desmatamento das florestas tropicais, o relatório destaca, entre as notícias positivas, o lançamento do programa RenovaBio e atesta que o país vai alcançar as metas do Acordo de Paris para biocombustíveis. É mesmo um fato para se comemorar!

É importante lembrar que o Brasil vai na contramão desta história negativa, já que há 40 anos iniciou sua jornada do desenvolvimento e produção de etanol, há 16 anos colocou no mercado o carro flex fuel e possui uma cadeia de logística e distribuição de biocombustíveis bem estabelecida, com 43 mil postos de abastecimentos.

Provavelmente, muito mais brasileiros escolheriam o etanol na hora de abastecer seus automóveis se soubessem que, de acordo com estudos científicos, o biocombustível emite até 90% menos gases do efeito estufa em comparação à gasolina, se levarmos em conta todo o ciclo de vida.

Com o RenovaBio, a participação dos biocombustíveis vai aumentar. O Ministério de Minas e Energia projeta um crescimento na produção do etanol dos 33 bilhões de litros atuais para 48 bilhões de litros até 2030.

Quando se fala em reduzir emissões, vale a leitura de outro estudo, o BP Statistical Review of World Energy 2019, publicado em junho. De acordo com o documento, que trata da demanda mundial por energia, em 2018, as emissões globais de carbono tiveram seu maior aumento em sete anos, 2%, com o setor de energia elétrica respondendo por metade deste índice. China, Índia e EUA foram responsáveis por cerca de dois terços do crescimento da demanda de energia.

O resultado se deve a dois fatores principais. Por um lado, o aumento anormal de dias muito quentes ou muito frios no Hemisfério Norte, particularmente nos EUA, China e Rússia. Por outro, o crescimento do uso de fontes de energia elétrica “suja”, como o carvão, que teve aumento de 1,4%, principalmente na Índia e na China.

Já no Brasil, as emissões de CO2 caíram 3,5% em 2018, enquanto a geração de energia permaneceu a mesma. O quadro reflete o maior uso de biocombustíveis e de outras fontes renováveis na geração de energia elétrica, mas em parte também devido ao baixo crescimento econômico do país.

No entanto, abre uma janela de oportunidade para investimentos em bioenergias que atendam às necessidades internas tão logo a demanda torne a crescer. Isso já se vê no aumento da participação de não fósseis no mix de energia brasileiro, de 37% em 2017 para 39% em 2018.

A maior adoção de energias renováveis (incluindo eólica, solar etc.) entre 2015 e 2018 também foi destacado no relatório da ONU. Neste tema, a biomassa da cana tem papel fundamental. No ano passado, a bioenergia teve participação de 17,4% na matriz energética total, quase alcançando a meta que o Brasil definiu para 2030, que é de 18%.

Fica claro, portanto, que o sucesso da empreitada global rumo a um futuro mais sustentável passa pelos canaviais – exemplo que outros países com grande produção de cana deveriam seguir, especialmente Índia e Tailândia.

* Jacyr Costa Filho é membro do comitê executivo do Grupo Tereos e presidente do conselho superior do agronegócio da Fiesp