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“O setor está quebrado”, diz ex-presidente da Unica

Eduardo Carvalho: “Dá para contar nos dedos quantos usineiros estão bem”


novaCana.com - 28 out 2014 - 09:13

O economista e ex-presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, rebateu as recomendações de jornalistas e marqueteiros para melhorar a percepção da sociedade sobre o setor com um argumento irrefutável. Na plateia do painel realizado durante a 14ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, Carvalho foi direto ao apontar o problema na aplicação das receitas sugeridas pelos comunicadores.

“Nós estamos quebrados, ponto. Dá pra contar na mão as usinas que não estão, dá pra citar os usineiros que por acaso estão bem e que são muito menos do que nós gostaríamos. Quebrou, não tem dinheiro e comunicação custa muito dinheiro e precisa ser constante [..]. Todos nós sabemos o que tem de ser feito, o que não sabemos é como salvar a indústria”, desabafou.

“Nós estamos quebrados, ponto. Todos nós sabemos o que tem de ser feito em comunicação, o que não sabemos é como salvar a indústria”

O economista lembrou que no passado recente o setor fez coisas “inacreditáveis e positivíssimas” em termos de divulgação. Uma delas foi ter o ex-presidente Lula como “marqueteiro” do etanol no mundo, vendendo a ideia de que o Brasil tinha a solução em combustível renovável para o mundo.

“Funcionou. Teve um momento em que nós mesmos acreditávamos que íamos abastecer de álcool o mundo porque inventamos isso. Sabe para quê? Para vender álcool e deu certo. Teve recurso, teve inteligência para isso”, recorda.

Carvalho listou iniciativas na área de comunicação como o Projeto Agora, liderado pela Unica, que oferecia premiações para jornalistas e pesquisadores com trabalhos sobre o setor sucroenergético, além da atuação regional de usinas com distribuição de cartilha e realização de visitas guiadas e a criação recente do Museu da Cana-de-Açúcar, que deve ser inaugurado em dois anos.

“Estamos aqui bancando os educadinhos bem vestidos, mas o banqueiro está aqui contando quanto dinheiro vai perder porque ele sabe que vai perder”

“Tudo isso existe, há uma massa de conhecimento, de experiências positivas e negativas que permitem que o setor faça, falta é grana. Falta dinheiro e aí temos que falar do setor: o setor está quebrado!”, enfatizou. A Unica prevê que o setor encerre a safra atual com uma dívida de R$ 77 bilhões, valor equivalente a 110% do faturamento no mesmo período.

Com a crise financeira o investimento em comunicação foi um dos primeiros a ser suprimido. O Projeto Agora e boa parte dos trabalhos de divulgação capitaneados pela Unica precisaram ser suspensos este ano. Para cortar gastos e manter associados, a entidade, além de reduzir a contribuição das usinas a um terço do valor original, acabou por cortar todo o departamento de comunicação.

O banqueiro vai perder...

Na esteira das declarações sinceras o economista arrancou risos da plateia. “Estamos aqui bancando os educadinhos bem vestidos, mas o banqueiro está aqui contando quanto dinheiro vai perder porque ele sabe que vai perder”, disse Carvalho referindo-se ao diretor do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, também presente no evento.

Já Figliolino, que manteve o tom e se identificou como “a vítima dos calotes”, considerou que o setor tem uma grande dificuldade de divulgar as suas externalidades. O diretor do banco citou a transformações de cidades como Quirinópolis, em Goiás, onde os números de empresas formais foi multiplicado por dez após a instalação de usinas pelos grupo São Martinho e USJ. Para o executivo, o impacto positivo do setor e transformações como essa são pouco conhecidas na sociedade.

Amanda SchArr – novaCana.com