Logística

Etanol e açúcar: comportamento do mercado de frete em fevereiro


novaCana.com / Esalq-LOG - 08 mar 2017 - 14:11

Fevereiro se iniciou com movimentações tímidas de açúcar para exportação, porém, na segunda metade do mês, o mercado voltou a aquecer, com grandes volumes escoados e reajustes positivos no valor dos fretes. Os dados foram coletados pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística (Esalq-LOG), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo relatório assinado por Gabriel Detoni, o elevado escoamento de açúcar se deve principalmente à necessidade das usinas de finalizar os estoques remanescentes da safra 2016/17, uma vez que muitas companhias pretendem voltar a moer cana-de-açúcar em breve. As principais regiões foram Pradópolis, Ribeirão Preto e Araçatuba.

O principal destino desse volume foi o Porto de Santos, via modal rodoviário direto que, de acordo com o documento, apresentou um line up ‘satisfatório’ para o mês de fevereiro quando se trata da movimentação de açúcar. Assim, os terminais de transbordo mais utilizados durante o mês foram o de Itirapina e Votuporanga. “Outros terminais como Jaú, Pradópolis e Ribeirão Preto foram poucos utilizados por conta da falta de vagões decorrente da competição com o mercado de grãos”, completa o relatório.

Ainda segundo o Esalq-LOG, o comportamento do frete foi semelhante em todas as regiões analisadas, com reajustes positivos em Araçatuba, Piracicaba, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. “Isso se deve principalmente pela competição com o início da safra de soja que está atraindo uma grande massa de caminhoneiros para regionais como Goiás e Mato Grosso”, afirma.

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Além disso, o documento ainda aponta a predominância de reajustes positivos no valor dos fretes, principalmente na região norte e leste de São Paulo. O motivo seria a competição com o mercado de grãos e a necessidade das usinas de pressionar o frete para conseguir garantir a retirada do estoque.

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Das regionais analisadas pelo grupo, a que apresentou uma variação positiva menor foi a região de Piracicaba por conta do nível de preços já se apresentar alto na região nos meses anteriores.

Frete do etanol

Por sua vez, os volumes negociados de etanol permaneceram estáveis ao longo das semanas. O motivo seria o pequeno número de vendedores ativos no mercado spot e o fato de que grande parte das distribuidoras se abasteceram por meio de contratos.

De acordo com relatório assinado por Luiza Tosoni Mazzafera, o mês foi caracterizado pelas usinas encerrando seus estoques, principalmente de etanol hidratado. “As usinas também continuaram registrando consecutivas quedas nas cotações do preço do etanol, visando finalizar estoques e incentivar a venda do hidratado devido à concorrência com a gasolina”, aponta.

Dessa forma, a oferta de veículos foi satisfatória durante o mês, o que fez com que os fretes, no geral, permanecessem estáveis. Algumas rotas específicas sofreram reajustes negativos devido à alta disponibilidade de caminhões no mercado e ao baixo volume movimentado.

Na segunda quinzena do mês, o preço do renovável da cana recuperou um pouco da sua competitividade frente à gasolina, apesar do preço do produto continuar desvantajoso para o consumidor nas bombas quando se considera o conceito comercial de paridade energética em 70%. “Esse cenário favoreceu as movimentações de hidratado e representou uma grande oportunidade para as vendas no mercado”, complementa o Esalq-LOG.

Além disso, a maior parte do etanol transportado foi destinado ao mercado interno, com o restante exportado principalmente pelos portos de Santos, Paranaguá e Itajaí. Já as movimentações de etanol com origem em Goiás e Mato Grosso foram destinadas principalmente às bases de distribuição em Paulínia, Ribeirão Preto e Campo Grande.

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Essas regiões foram os principais estados em que os fretes permaneceram estáveis ou sofreram reajustes negativos. O principal fator que influenciou a queda dos fretes foi a alta oferta de caminhões para transportar etanol.

No estado do Mato Grosso do Sul, perto de Campo Grande, os fretes variaram positivamente devido à necessidade de retirar rapidamente os estoques.

Expectativa para março

Para o mês de março, o Esalq-LOG espera a manutenção do patamar elevado de frete para o açúcar, uma vez que as usinas precisam finalizar o adoçante armazenado.

“Algumas usinas em São Paulo já estimam o início da safra para o final de março, sendo o mix voltado para etanol no início, por conta da maior liquidez e, posteriormente, retornando ao mix açucareiro”, analisa.

Grupo Esalq-LOG
Com edição novaCana.com


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