Impostos

Sou contra imposto do pecado e reoneração da cesta básica, diz Tereza Cristina


Folha de S. Paulo - 12 fev 2020 - 08:36 - Última atualização em: 17 fev 2020 - 07:34

Propostas do ministro Paulo Guedes (Economia), o aumento da tributação da cesta básica e o chamado “imposto do pecado” sobre álcool, cigarro e açúcar são ideias reprovadas pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

“Tenho certeza de que o ministro Paulo Guedes não quer causar inflação”, afirmou ao programa de entrevistas da Folha e do UOL em estúdio compartilhado em Brasília.

“Tem que ter uma avaliação mais profunda. É um debate que não é [resolvido] do dia para a noite, e temos muita dúvida sobre isso”, disse.

A ministra diz que se posiciona, a princípio, contra a medida. Mas ressaltou que os debates internos vão continuar para tentar se chegar a um “denominador comum”.

“A agricultura vai mostrar os seus estudos e os seus pontos para a equipe econômica.”

A ministra também minimizou as concessões feitas pelo Brasil aos Estados Unidos na área agrícola sem aquele país conceder nada em troca na área. Para ela, às vezes é preciso recuar para depois ganhar.

Também reconheceu que o governo pode ter falhado na política ambiental, disse que a liberação de agrotóxicos aumenta a produtividade das plantações e ainda defendeu o projeto de lei recém-criado pelo governo para liberar cultivo em área indígena.

Confira seus comentários sobre os assuntos.

Imposto do pecado

A princípio, sou contra. O açúcar no momento é muito complicado [de tributar a mais], e o álcool também.
Sou contra porque está sobrando açúcar no mundo, com preço muito defasado. O etanol, queremos implementar esse mercado.

Então, isso vai ser discutido no governo para que possamos chegar a um denominador comum e ver o que vai progredir dentro dessas taxações.

O cigarro já tem uma taxação altíssima. Tem a cultura do fumo, muito importante no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e exporta muito.

Então teria de ver o impacto em cada um desses setores.

Cota de etanol americano

Isso, sim, foi um gesto de boa vontade [o aumento na cota de importação de etanol americano sem tarifa]. Mas não foi o que eles queriam, porque eles querem ter um comércio de etanol livre com o Brasil.

O país tem de se impor no mercado mundial, mas, às vezes, você tem de recuar um pouquinho para depois ganhar. Acho que o Brasil tem muito a ganhar com essa relação. Pode ter certeza de que a briga tem de ser de igual para igual. O que não podemos ter é submissão. E isso, na agricultura, a gente não vem tendo.

Fábio Pupo e Luciana Amaral