Carros

Produtores de etanol e ambientalistas são contra liberação de carros de passeio a diesel

A PL permite a fabricação de veículos de passeio movidos com o combustível fóssil, altamente poluidor


Correio Braziliense - 16 jun 2016 - 09:30

O projeto de lei PL 1013/2011, que libera a fabricação e a venda de carros de passeio a diesel no Brasil, tramitava normalmente no Congresso Nacional, mas decolou e pode ser aprovado a qualquer momento na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, de onde segue direto para o Senado. A celeridade despertou a atenção de defensores do meio ambiente e representantes da cadeia de produção de etanol. A medida é considerada um retrocesso por eles, tanto por colocar o Brasil na contramão da tendência mundial de reduzir a poluição no setor de transportes quanto por provocar o aumento da importação de combustível.

Contrária à aprovação do PL 1013, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) é mais uma entidade a apoiar o Manifesto Civil de Repúdio, que conta com cerca de 100 signatários. Conforme o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão, também são contra o projeto a Associação de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a Petrobras, os ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Universidade de São Paulo (USP).

“A tramitação disparou, apesar do parecer contrário na Comissão de Meio Ambiente. Houve um arranjo de grupos interessados, como montadoras europeias, que tem seus mercados reduzidos pelas pressões ambientais, o Sindipeças (sindicato da indústria de peças), e fornecedores da cadeia automotiva. São interesses comerciais”, alertou Leão.

A presidente da Unica, Elizabeth Farina, explicou que quem é a favor do projeto usa o argumento de que o consumidor deve ter opções. “Mas existem 25 milhões de carros flex no país, uma tecnologia brasileira, contra a importação de tecnologia poluidora. Isso ocorre porque os índices de emissão de carbono permitidos no Brasil são mais altos do que os que precisam ser obedecidos na Europa e Estados Unidos. Por isso, essa indústria pode usar até motores de gerações mais antigas no nosso mercado”, disse.

Revés

O setor do etanol, que já sofreu por seis anos com a falta de competitividade diante do represamento de preços da gasolina, obviamente, teme novo revés. “Os carros médios a diesel são mais caros, apesar de ter custo mais reduzido por quilômetro rodado. A medida vai beneficiar quem tem mais poder aquisitivo”, defendeu Leão. “O MME é contrário ao projeto por uma questão de abastecimento já que o Brasil é um importador de derivados de petróleo, especialmente de diesel. Só em 2014, importou mais de 12 bilhões de litros, cerca de US$ 8,7 bilhões”, completou.

A cadeia de produção de açúcar garante 1 milhão de empregos e está presente em 20% dos municípios, lembrou Elizabeth. “O manifesto contém inúmeras assinaturas de médicos, cientistas especialistas em poluição do ar, organizações de pesquisa, entidades ambientalistas e de defesa do consumidor e empresários, além de cinco ex-ministros do Meio Ambiente (Rubens Ricupero, José Carlos Carvalho, Marina Silva, Carlos Minc e Izabella Teixeira)”, destacou a presidente da Unica.

As usinas associadas à entidade são responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana e 60% da produção de etanol. Na safra 2015/2016, o Brasil produziu aproximadamente 617 milhões de toneladas de cana, matéria-prima utilizada para a produção de 31 milhões de toneladas de açúcar e 28 bilhões de litros de etanol.

Simone Kafruni


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