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Márcio de Lima Leite assume presidência da Anfavea

Executivo optou por dois eventos de posse, um em São Paulo e outro em Brasília


Folha de S. Paulo - 02 mai 2022 - 14:06

O advogado Márcio de Lima Leite é o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A cerimônia de posse aconteceu na manhã desta segunda-feira, 2, em São Paulo. Um novo evento ocorrerá nesta terça, 3, em Brasília.

A ideia é marcar presença junto ao centro do poder, em um movimento de aproximação com os poderes executivo e legislativo. A entidade se afirma apartidária.

Leite é diretor jurídico e de relações institucionais do grupo Stellantis na América do Sul. O advogado está na empresa desde junho de 2000, quando entrou para a Fiat. Eram outros tempos, antes mesmo da fusão da marca italiana com a Chrysler, que foi consolidada no início de 2014.

O advogado substitui Luiz Carlos Moraes, que é o diretor de diretor de comunicação corporativa e relações institucionais da Mercedes-Benz do Brasil. Moraes disse esperar que o novo presidente encontre tempos menos difíceis pela frente.

O ex-presidente assumiu a Anfavea em 2019, quando o setor automotivo passava por um período de retomada. Contudo, a pandemia de covid-19 e os consequentes problemas de fornecimento e demanda travaram novamente a indústria.

Em seu discurso de posse, Leite afirmou que os produtos feitos no Brasil podem competir em qualquer mercado. “Nós conseguimos produzir o estado da arte desde a extração do minério de ferro”, disse o novo presidente.

Um ponto que está sendo discutido com o governo é a mudança de perfil da cadeia produtiva – para se tornar um polo exportador, será necessário produzir tecnologias voltadas à eletrificação.

O executivo preferiu falar de improviso, não trouxe um discurso fechado. Ele buscou enaltecer a indústria nacional. Segundo Leite, o setor automotivo nacional envolve 98 mil fornecedores nos segmentos de veículos leves, ônibus, caminhões, implementos rodoviários e maquinário agrícola.

O novo presidente contou brevemente a história de sua família, marcada pela perda do pai, em 1976. O executivo tinha então cinco anos e morava em Betim (MG), onde a fábrica da Fiat acabara de ser construída. Ele disse que foi a indústria que possibilitou a melhora de vida de sua família.

Sua história pessoal, entremeada por momentos de humor e causos relacionados ao clube Atlético Mineiro, serviu de base para falar da importância da retomada industrial do país. Esse tom mais informal – e até emocional – deve marcar a nova gestão da Anfavea.

“Eu tinha um discurso de umas 18 páginas, mas optei pela informalidade”, disse Leite. “Representamos 20% do PIB industrial, mas não somos matemática. Por trás há universidades, educação”.

O discurso original de Leite falava sobre temas como uso do etanol como estratégia de descarbonização e capacidade produtiva da indústria automotiva, hoje estimada em 4 milhões de unidades. Pelos números do primeiro quadrimestre, as fábricas operam com cerca de 50% de seu potencial.

Foram comercializadas 147.256 unidades no último mês, alta de 0,3% em relação a março, que teve dois dias úteis a mais. Os dados são baseados no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

Em relação a abril de 2021, houve queda de 15,9% na comercialização de veículos. O primeiro quadrimestre encerrou com 552.924 unidades licenciadas, o que significa retração de 21,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Leite afirmou que o grande desafio é fazer com que a cadeia de fornecedores e os investimentos acompanhem as rotas tecnológicas globais, o que possibilitaria exportar não apenas para a América do Sul.

Isso já ocorre, por exemplo, com o setor de maquinário agrícola. A fala do novo presidente foi influenciada pela visita à Agrishow, feira realizada em Ribeirão Preto (interior de São Paulo) na última semana.

O novo presidente da Anfavea disse ainda acreditar em uma reforma tributária, tema que predominante nas conversas da entidade com o governo.

“Temos conversado bastante com o governo, precisamos acelerar a reforma tributária para que o Brasil se torne competitivo”, disse o novo presidente. “A redução da carga tributária é louvável, e o que o governo tem apresentado que haverá o fim do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados]”.

Um dos planos da gestão de Leite é a criação de um programa de renovação de frota para veículos leves, o que movimentaria as fábricas. Trata-se de sonho antigo da Anfavea, alimentado desde os anos 1990. Contudo, além das dificuldades de implementação de um programa desse porte, há agora o aumento nos preços dos carros somado à alta das taxas de financiamento.

“Precisamos tornar o automóvel acessível às classes mais baixas. É impensável termos uma taxa de juros de 27% ao ano aos que tomam crédito”, afirmou Leite. “Mas na medida que as coisas voltem à normalidade, o mercado deve crescer”.

Eduardo Sodré

Tags: Anfavea

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