BASF
Carros

Flex cria barreiras ao avanço do etanol


Correio Braziliense - 18 fev 2013 - 14:08

Os automóveis equipados com motores bicombustível — movidos a gasolina e a álcool hidratado — completam 10 anos de mercado nacional, em março, próximos de atingir a marca mensal de 90% do total de carros novos vendidos). Esse sucesso dos modelos flex fuel, considerados orgulho da tecnologia brasileira, e sempre apontados como fator decisivo de impulso ao consumo doméstico de etanol, acabou, ironicamente, criando barreiras ao combustível feito a partir da cana-de-açúcar.

Até mesmo representantes da indústria automotiva reconhecem a perda geral de eficiência do motor ao se colocar, no mesmo tanque, etanol e gasolina, sendo que o volume do refinado de petróleo já vem acrescido de um quinto de álcool anidro. Apesar de a solução tecnológica para viabilizar a mistura das opções fóssil e renovável ter ampliado o poder de escolha do consumidor diante das bombas dos postos, os carros flex ainda precisam ser aperfeiçoados para tornar essa competição de combustíveis perfeita.

"Esse é um desafio técnico que está sendo colocado para as montadoras. Cabe a elas melhorarem o desempenho do álcool hidratado quando misturado à gasolina nos tanques dos carros flex", comentou ao Correio o vice-presidente da fabricante de etanol Raízen, Leonardo Gadotti. Segundo ele, os usineiros também já vêm alertando para essa necessidade. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma que essa é uma das prioridades estratégicas dos fabricantes.

Desde o lançamento no Brasil do primeiro veículo movido 100% a álcool — o Fiat 147, em 1979 —, a diferença de desempenho em relação à gasolina é 30% inferior. Mas, desde a chegada do flex, em 28 de março de 2003, com o Wolksvagen Gol Total Flex, esse padrão vem sendo desidratado no varejo de combustíveis. Levantamentos mostram que, mesmo com os recentes reajustes nas refinarias da Petrobras, só em quatro estados — São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Goiás — o etanol ficou economicamente competitivo.

Segundo levantamento da consultoria Ticket Car, no Acre é onde a gasolina leva maior vantagem, com o álcool atingindo 73% do seu preço médio. Na mão inversa, está São Paulo, local em que o álcool vale em média 67,5% do preço da gasolina. Eduardo Lopes, coordenador da pesquisa, acredita que o etanol tende a sofrer leves reajustes nos próximos meses em razão da entressafra. A partir de maio, contudo, a mistura de álcool anidro à gasolina retornará a 25%, com a garantia dada pelo setor sucroalcooleiro.