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Carros elétricos devem ganhar incentivo fiscal


Folha de S. Paulo - 26 out 2015 - 09:30

Da Audi à Volvo, o discurso se repete: há planos de oferecer mais híbridos e elétricos no Brasil, mas que dependem de incentivos legais.

Dois estímulos fiscais em tramitação devem animar a indústria não só a importar mais modelos, mas também a produzir esse tipo de veículo no país.

Na última quinta-feira (22), o Comitê Executivo de Gestão da Camex (Câmara de Comércio Exterior, órgão subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) aprovou uma proposta de resolução que inclui carros elétricos e movidos a células de combustível na lista de exceções à tarifação externa.

Isso se traduz em redução da alíquota de importação, de 35%, para patamares ainda não definidos pela Camex. O benefício já existe, mas é reservado aos híbridos convencionais -na prática, favorece só o Toyota Prius e o Lexus CT 200h.

Segundo a assessoria do ministério, para ser homologada, a proposta depende da assinatura do ministro Armando Monteiro, que volta na próxima semana de uma missão no Irã. Não é preciso sanção presidencial.

Produção local

Já o projeto de lei 174/2014 da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado Federal, aprovado na última terça-feira (20), pretende viabilizar a produção de veículos "verdes" no Brasil.

A proposta isenta elétricos e híbridos de pagar IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) por dez anos.

Contudo, há uma exigência fundamental: têm de ser movidos a etanol (quando híbridos) e nacionais.

No momento, o projeto depende de aprovação da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), que aguarda a designação de um relator para o projeto, que pode ser alterado ou receber emendas.

Após definir o texto final, a comissão encaminha o projeto para votação no plenário da Câmara dos Deputados, caso não haja recurso. Aprovado nessa instância, segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Se virar lei, o projeto deve tirar do papel intenções de fábricas de híbridos e elétricos no Brasil.

É o caso da Nissan, que, segundo informações apuradas pela Folha, pretendia produzir o elétrico Leaf no país em 2016, mas teve que adiar seus planos para 2018.

O elétrico seria fabricado na planta de Resende (RJ), que produz atualmente os compactos March e Versa e que passaria por uma ampliação para comportar o Leaf.

A empresa, no entanto, diz que não há planos de fabricar o carro por aqui.

Já a BYD admite que as chances de um E6 nacional aumentam.

"Com as isenções dos impostos de importação e produção, há a possibilidade de montarmos o E6 localmente", avalia Adalberto Maluf, diretor de Assuntos Governamentais da marca chinesa.

A minivan seria produzida na fábrica de ônibus elétrico da empresa em Campinas (SP), cuja primeira unidade deve estrear no início de 2016.

A previsão anterior é que os ônibus saíssem completos da linha neste ano.

Contudo, a montadora chinesa decidiu fazer apenas o chassi e toda tecnologia propulsora, e deixar a carroceria a cargo de parceiros.

"Aproveitaremos a rede de distribuição e assistência técnica deles, que já conhecem o mercado", justifica Silvestre Sousa, gerente da BYD.

Rota entre São Paulo e Campinas ganhará 1º corredor de eletropostos

A CPFL Energia estreará na primeira semana de novembro o primeiro corredor de eletropostos do Brasil, que ligará Campinas a São Paulo.

Até 2018, a empresa de distribuição de energia promete mais 25 pontos de recarga de carros elétricos públicos (em ruas) e semi-privados (dentro de shoppings, por exemplo).

O primeiro equipamento fica no posto da rede Graal do km 67 da rodovia Anhanguera. O segundo, ainda sem previsão de início de funcionamento, será no posto do km 56 da rodovia Bandeirantes, também da rede Graal.

A energia elétrica fornecida para reabastecer baterias de carros elétricos e híbridos do tipo plug-in será gratuita.

Quando começar a pagar pela energia, o consumidor também terá acesso a softwares para interagir com a insfraestrutura energética.

“Nele, o usuário será informado sobre a disponibilidade, a distância do eletroposto mais próximo, o tipo de carga (rápida ou lenta) e se está ocupada ou não. Também haverá informações sobre a forma de pagamento, as bandeiras de cartões aceitas e avaliação de outros usuários", prevê Guilherme Moreira, diretor da Ekatu do Brasil, uma das empresas que desenvolvem esses programas.

Por ora, os equipamentos permitirão a recarga de veículos com o plugue tipo 2, caso dos modelos da Renault, da BYD e da BMW -a única marca que vende modelos elétricos no país.

Tipos de veículos elétricos

100% elétrico: Não há ruído, nem fumaça. O motor emite apenas um zumbido quase inaudível quando começa a girar. É recarregado na tomada, e alguns trazem um gerador a gasolina para emergências, que realimenta as baterias. No caso do BMW i3, essa função é feita por um motor igual ao usado no scooter C650.

Híbrido: Há dois motores, um a combustão normal e outro elétrico, que podem funcionar em conjunto ou de forma independente. É possível rodar sem poluir em trechos urbanos (enquanto houver energia acumulada), mas se for preciso potência ou se a energia estiver baixa, a gasolina entra em ação tanto para mover o carro como para recarregar a bateria.

Plug-In: Tem o mesmo princípio dos híbridos convencionais, mas também pode ser recarregado na tomada. Por ter maior capacidade de armazenamento de energia, pode ser usado mais tempo como se fosse um carro elétrico.

Hidrogênio: A tecnologia utiliza um sistema que gera eletricidade por meio de reações eletroquímicas entre o hidrogênio —que é armazenado em um tanque especial no carro— e o oxigênio do ar. A energia resultante alimenta o motor elétrico que põe o veículo em movimento, e o escapamento emite apenas vapor d’água. O Toyota Mirai é o primeiro carro com essa tecnologia a ser produzido em larga escala.

Rodrigo Mora


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