BASF
Matérias-primas alternativas

Segundo Unem, produção de etanol de milho pode chegar a 2,6 bilhões em 2020


novaCana.com - 18 set 2019 - 10:45

O etanol de milho tem ganhado cada vez mais espaço. Atualmente, 12 unidades estão em operação no país, sendo cinco em Mato Grosso, quatro em Goiás, uma em São Paulo e uma no Paraná. Além disso, há mais seis usinas em construção e dois projetos foram lançados recentemente em Goiás.

O presidente do conselho de administração da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Henrique Ubrig, afirma ter estimativas consideradas realistas para as produções de milho e etanol feito a partir do grão nos próximos anos. Ele espera um direcionamento de 6,2 milhões de toneladas de milho em 2020 e 20 milhões de toneladas em 2028 para a produção do renovável, gerando 2,6 bilhões e 8 bilhões de litros respectivamente.

Ubrig também é presidente executivo da FS Bioenergia – companhia com uma usina de etanol de milho em operação, uma em construção e três projetos anunciados. Ele foi um dos palestrantes no segundo dia da NovaCana Ethanol Conference 2019, que aconteceu em São Paulo (SP) nos dias 16 e 17 de setembro.

Mas, para que suas projeções se realizem, ainda existem impasses. Um dos desafios para a produção do etanol de milho é a oferta de biomassa para geração de energia. Como o milho não dispõe de bagaço, como a cana, as companhias precisam adquirir – ou investir – em outras fontes de biomassa. O carro-chefe, hoje, é o eucalipto. Mas a FS Bioenergia, conforme explica Ubrig, também está testando o plantio do bambu, que possui um ciclo curto e pode funcionar.

Ubrig ainda destaca a demanda elevada pelo etanol de milho tanto na região Norte-Nordeste quanto em mercados externos como China e Califórnia. De acordo com ele, a pouca oferta de etanol no norte do país, causada por dificuldades logísticas, pode ser suprida pelo produto do milho por meio do aumento de rotas de escoamento para estes lugares.

Melhoria na produtividade do milho

Participante do mesmo painel, o presidente institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Sérgio Luis Bortolozzo, relembrou que o Brasil migrou de importador de milho para o segundo maior exportador do grão no período de quinze anos. Com o crescimento da produtividade e melhorias tecnológicas, a produção de milho se tornou mais resistente ao déficit hídrico e, na safra 2018/19, atingiu 100 milhões de toneladas – sendo que 57 milhões foram consumidas no país e 37 milhões foram exportadas.

De acordo com ele, praticamente não houve aumento na área plantada, mas a produção dobrou nos últimos dez anos devido ao aumento da produtividade e ao plantio intercalado com a soja.

Bortolozzo detalha que o milho possui mais mobilidade do que a cana, além de gastos menores com espaço físico e a opção de uma segunda safra. O foco, para o presidente, deve ser no consumo interno, apesar do milho ser bem aceito para exportações.

Devido à grande produção, tanto Ubrig quanto Bortolozzo expressam que não há competição entre o grão usado para o etanol com o usado para alimentação. Inclusive, Bortolozzo afirma que a produção pode ser ampliada das atuais 100 milhões para 150 milhões de toneladas, se o mercado demandar.

Gabrielle Rumor Koster - novaCana.com