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Ceres e Monsanto apostam no sorgo para produção de etanol


Brasil Econômico - 25 mar 2013 - 09:11
Antônio Kaupert: sorgo, aliado a cana, vai ajudar usinas a produzir mais etanol
Uma forma complementar de produzir etanol na entressafra da cana-de-açúcar vem atraindo a atenção das usinas no Brasil. O sorgo sacarino, que tem se mostrado viável graças ao desenvolvimento de sementes híbridas, pode ser uma alternativa rentável para a manutenção da produção entre novembro e março, época em que tradicionalmente as empresas não produzem, mas gastam muito com a manutenção de maquinário e pagamentos de salários.

O potencial produtivo e lucrativo da planta tem animado as empresas. Antônio Kaupert, gerente de vendas e marketing da Ceres, explica que estudos apontaram produção média de 2,5 mil litros de etanol por hectare plantado com sorgo, enquanto a mesma área com cana produz entre 7 e 10 mil litros. "Com esse volume, o sorgo vai ajudar as usinas a diminuírem custos e ainda lucrar com venda de etanol durante o ano todo."

Desde 2008, a Ceres desenvolve pesquisas com usinas parceiras. Na safra 2011/2012, a empresa monitorou pequenas áreas de plantio em 16 usinas do Sudeste e Centro-sul, incluindo unidades da Raízen no interior de São Paulo. Na atual safra, esse número chegou a 32. "Os maiores grupos usineiros do país estão conosco nessa fase de comprovação da produtividade do sorgo sacarino", explica Kaupert.

Sorgo sacarino vs Cana de açúcar: qualidade, produção rebrota e produção de biomassa
Atualmente, a empresa tem no mercado oito sementes híbridas de sorgo, além do lançamento de duas variedades desenvolvidas pela Embrapa, as quais a empresa tem licença para comercializar. No ano passado, a Ceres anunciou ainda uma parceria com a Syngenta, em um projeto que pretende introduzir a cultura do sorgo em cerca de 400 usinas no Brasil. "Com isso, temos condição de atender características de diversas regiões e garantir picos de produtividade em diferentes épocas da safra", diz.

A Monsanto também desenvolve um trabalho de testes e pesquisas sobre a viabilidade e produtividade do sorgo desde 2004. "Nas pesquisas, percebemos o alto potencial de acúmulo de açúcar em alguns híbridos e passamos a trabalhar em variedades para o mercado", explica Vagner Kogikoski, gerente de Marketing da CanaVialis, marca comercial da Monsanto para tecnologias em cana-de-açúcar.

Ele avalia que, nos próximos anos, o foco do mercado será prosseguir com as pesquisas e testes para que em uma segunda etapa haja o investimento no plantio em larga escala.

Diante do potencial de rendimento da planta , no ano passado em parceria com a fabricante de máquinas Case IH e a Novozymes, do setor de biotecnologia, a CanaVialis lançou o "Desafio de produtividade sorgo sacarino", um programa que visa atestar a alta produtividade da semente. Para tanto, cinco usinas parceiras, em São Paulo e Goiás, plantaram 20 hectares do produto, cada uma. "Devemos começar a colheita em 20 dias", diz Kogikoski.

Nos próximos anos, a expectativa é de que o sorgo seja cultivado em um milhão de hectares em todo o país. "Estimamos produtividade de 3 mil litros de etanol por hectare, o que geraria um lucro adicional de aproximadamente R$ 1.000 por hectare", diz Kaupert. Segundo cálculos do executivo, o Brasil terá cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol a mais a cada temporada.

Em um plano geral, o plantio de sorgo em larga escala também deve reduzir a dependência brasileira da importação de etanol para abastecer a demanda interna. Na safra 2011/12, o país comprou mais de 1 bilhão de litros, já que a safra ficou em 22,6 bilhões de litros, abaixo dos 27,3 da temporada anterior.

Juliana Ribeiro

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