2ª Geração

Solvay reforça aposta em química 'verde' no Brasil


Valor Econômico - 03 jul 2014 - 08:23 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

O grupo belga Solvay, dono da Rhodia e sócio da GranBio em um projeto mundialmente pioneiro em química verde, quer ampliar a oferta de produtos químicos obtidos a partir de fontes renováveis, aproveitando a forte presença que tem no Brasil. No país, o grupo já utiliza etanol e glicerina em determinadas linhas. Agora, se prepara para um novo salto, a partir do uso de palha e bagaço de cana como matéria-prima e da instalação do seu primeiro laboratório de biomassa, com inauguração prevista para o começo do ano que vem.

"O momento é muito interessante para a bioquímica e o Brasil é o país certo para essa aposta", disse ao Valor o executivo José Borges Matias, que está há dois meses no comando da Coatis, unidade de negócios do grupo para fenol e solventes. Boa parte das novidades relacionadas à química verde virá justamente pelas mãos da Coatis, responsável por € 540 milhões dos € 800 milhões em vendas do grupo Solvay no Brasil no ano passado.

Uma das principais apostas, neste momento, é a instalação no país de uma fábrica de bio n-butanol, produzido a partir de palha e bagaço de cana-de-açúcar. Com capacidade instalada de cerca de 100 mil toneladas por ano e investimento estimado pelo mercado entre US$ 200 milhões e US$ 250 milhões, a unidade será a primeira do mundo com escala industrial. Esse solvente pode substituir a matéria-prima de origem orgânica na produção de acetato de butila ou resinas acrílicas, entre outras aplicações.

O projeto é desenvolvido em sociedade com a GranBio, da família Gradin, e sofreu atraso de um ano - inicialmente, a previsão era de início de operação em 2015 e, agora, deve iniciar produção somente em 2016. O atraso, conforme o executivo, deveu-se ao maior investimento em pesquisa e desenvolvimento. "Estamos em fase de demonstração. Custo e investimento ainda são grandes desafios, mas acreditamos que essa é uma oportunidade única de ir adiante com esse projeto", afirmou Matias.

Em outra frente, a Coatis continua a ampliar a linha de produtos da família Augeo. Lançada entre 2009 e 2010, a família conta hoje com seis itens derivados da glicerina, produzidos exclusivamente no complexo de Paulínia (antiga Rhodia), em São Paulo, e exportados para diversos mercados. "A indústria de tinta ainda representa o maior mercado [para esses solventes]. Mas empresas de produtos de limpeza têm mostrado muito interesse", contou.

O executivo reconheceu que a indústria química brasileira enfrenta um momento delicado em termos de competitividade, decorrente do custo da moeda, do custo elevado associado à produção e da falta de uma política indústria própria ao setor. Conforme a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), de janeiro a maio, a produção encolheu 7,07% na comparação com o mesmo período de 2013, enquanto o consumo aparente nacional, que mede a demanda interna por químicos de uso industrial, recuou 0,3% na mesma base de comparação.

Segundo Matias, a operação brasileira da Solvay acompanha essa queda, porém o impacto nos resultados poderá ser neutralizado com o lançamento de novos produtos, do foco em itens de maior valor agregado e da busca de oportunidades de internacionalização. Os números financeiros da Solvay no Brasil não incluem os resultados da fabricante de PVC Solvay Indupa, cuja venda à Braskem está em análise pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Stella Fontes


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