BASF
2ª Geração

Raízen define investimento em etanol celulósico


Valor Econômico - 13 mar 2013 - 08:46 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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A Raízen, maior produtora de etanol e açúcar do país, pretende implantar neste ano sua primeira usina de etanol celulósico do Brasil. O plano da companhia é investir R$ 200 milhões para construir a unidade na usina Costa Pinto, localizada em Piracicaba (SP).

O vice-presidente da divisão sucroenergética da empresa, a Raízen Energia, Pedro Mizutani, diz que o projeto ainda precisa ser aprovado pelo conselho de administração da empresa, controlada pela Cosan e pela anglo-holandesa Shell. Mas o plano é que a fábrica do etanol de segunda geração esteja pronta no fim de 2014 com capacidade instalada para produzir 40 milhões de litros do biocombustível a partir do bagaço e da palha da cana.

A empresa vem enviando sistematicamente desde o ano passado a matéria-prima (bagaço e palha) de suas usinas do Brasil para a planta de demonstração de etanol celulósico da Iogen, empresa na qual a Raízen tem participação. A unidade, com sede no Canadá, desenvolve há mais de 20 anos pesquisas em etanol celulósico, usando sabugo de milho e trigo.

Os testes da Raízen em segunda geração também envolvem a Codexis, outra empresa de pesquisa que foi herdada da Shell após a formação da joint venture, em 2010/11, mas que tem foco no desenvolvimento de enzimas para produzir o biocombustível. A planta de demonstração canadense tem capacidade para produzir 2 milhões de litros de etanol celulósico por ano.

Na primeira geração, a safra 2013/14 da Raízen será mais alcooleira. O biocombustível deve contar com 45% de todo o caldo da cana processada pelas 24 usinas do grupo, ante 41% do ciclo passado.

Os preços mais atrativos do álcool explicam a decisão da companhia. A estimativa de Mizutani é de que, no caso do hidratado - que abastece diretamente os veículos flex-fuel - o preço médio fique até 9% mais alto este ano. Esse valor, detalha o executivo, deve ser, na média da safra, entre R$ 1,18 e R$ 1,20 o litro na usina. No acumulado da safra 2012/13 (entre maio de 2012 e março deste ano) foi de R$ 1,10 por litro, de acordo com o Cepea/Esalq.

No caso do anidro, que é misturado à gasolina, o valor médio do litro tem potencial para ser de R$ 1,38 (o anidro tem um prêmio de 14% a 15% sobre o preço do hidratado), segundo Mizutani. O valor é 8,6% maior do que o preço médio de R$ 1,27 por litro do acumulado da safra 2012/13 (entre maio de 2012 e março deste ano) levantado pelo Cepea/Esalq.

Em volume de cana-de-açúcar processado, a empresa prevê crescer 8,5%, para algo próximo de 61 milhões de toneladas, ante as 56,2 milhões de toneladas de 2012/13, segundo Mizutani. A capacidade instalada de processamento da Raízen é de 66 milhões de toneladas, e duas usinas do grupo estão sendo ampliadas - a de Paraguaçu Paulista (SP) e a de Caarapó (MS) - para elevar a capacidade industrial de toda a empresa para 71 milhões de toneladas em 2015/16. No entanto, esclarece Mizutani, a oferta de cana só conseguirá acompanhar esse avanço industrial no ciclo 2018/19.

O crescimento da moagem de cana será grande em todo o Centro-Sul. A visão da Raízen é de que a safra 2013/14 na região seja marcada por uma abundância de cana-de-açúcar, por volta de 600 milhões de toneladas. Nem tudo, porém, será processado. Se o clima ajudar, as usinas da região vão conseguir moer 585 milhões, diz Mizutani, 10% mais do que as 532 milhões de toneladas de 2012/13. Se chover em maio e junho, como em 2012, esse volume pode recuar a 570 milhões, afirma o executivo.

O fato é que apesar de as usinas terem começado cedo a moagem, não haverá tempo para processar toda a matéria-prima disponível. Assim, afirma Mizutani, é certo que sobrará cana.

Fabiana Batista