2ª Geração

País precisa acelerar a aprovação de novas tecnologias, diz Grandin


Folha de S. Paulo - 24 fev 2014 - 08:38

A falta de regulamentação quase arruinou os planos da Granbio de inaugurar, neste trimestre, a primeira indústria de etanol de celulose do país.

A complicação envolvia um micro-organismo chamado Saccharomyces cerevisiae, usado para "comer" a celulose e transformá-la em álcool.

Por ser um organismo modificado em laboratório, a levedura precisava de autorização da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), grupo formado por representantes de diferentes ministérios.

"Nos Estados Unidos, para obter a aprovação, o cientista ou empresa faz o registro on-line e o órgão de regulação ambiental americano tem 60 dias pra responder. Se não restringir ou não responder, já se pode aplicar em escala", diz Bernardo Gradin, presidente da Granbio.

No Brasil, o grupo esperou por um ano e meio até que a CTNBio concluísse que o microorganismo tinha os mesmos efeitos sobre a saúde humana, animal e ao ambiente do que a levedura convencional já usada no país e, portanto, autorizasse o seu uso para a produção de etanol celulósico.

Se a utilização não fosse autorizada, a fábrica, que consumiu investimentos de R$ 350 milhões, não poderia funcionar a não ser que fossem erguidas "barreiras de contenção" que custam R$ 40 milhões.

A morosidade, diz Gradin, desencoraja investimentos em inovação no país.

"É uma corrida tecnológica. A cada mês aparece uma levedura melhor, ou a gente mesmo vai desenvolver uma. E, se pra ter ela aprovada precisar de dois anos... em dois anos já está defasada."

Mesmo que exista um mercado para novas tecnologias e produtos de última geração, o empresário não investe, diz Gradin, por causa de incertezas jurídicas e comerciais.

"No Vale do Silício, em Boston ou em Nova York, o objetivo é criar um ambiente tão favorável a ciência, a empreendedoras de inovação, com poucas amarras e capital acessível, que se cria um nicho de capital de risco, fundamental para que a pesquisa se transforme em tecnologia."

Isso porque quem investe em novas tecnologias corre o risco de que elas fracassem tecnicamente ou não encontrem mercado.

No Brasil, diz Gradin, o financiamento para inovação ainda precisa caminhar muito.

"O ambiente financeiro brasileiro é evoluído, mas não eficiente. O custo do dinheiro é muito alto, o sistema fiscal é encrencadíssimo, complexo. Montar uma empresa de tecnologia no Brasil e converter a tecnologia em empresa custa muito mais e dura muito mais tempo que entre outros lugares."

O projeto original de Gradin era desenhar o modelo de negócios e atrair grandes empresas já constituídas que o implementassem, estabelecendo parcerias.

Os planos tiveram que ser alterados, pois o empresário não encontrou interessados em dividir os riscos dos projetos pioneiros.

O grupo foi então estruturado em quatro empresas.

A BioVertis desenvolve fontes de biomassa, como, por exemplo, uma variedade de cana chamada cana-energia, que produz mais massa por área. A BioCelere pesquisa microrganismos capazes de converter carbono em outros materiais. A BioEdge é o braço industrial e a BioFlex, subsidiária da BioEdge, reúne as fábricas de etanol.  


Saiba mais sobre o processo de aprovação da levedura da GranBio na série de reportagens do portal novaCana.


ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

 

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