“Os primeiros players viram sucesso em seus projetos”. Essa é uma frase que as usinas pioneiras do etanol celulósico gostariam muito de ter ouvido nos últimos anos. Contudo, o pesquisador Yuan-Sheng Yu está se referindo às usinas de etanol 1,5G em atividade nos Estados Unidos.

Renata Bossle - novaCana.com 15 fev 2018 - 10:21

De ‘futuro do setor de biocombustíveis’ a ‘eterna promessa’, o etanol celulósico pode estar prestes a mudar seu status para ‘opção parcialmente rejeitada’.

Em meio a uma carência de novos projetos de etanol celulósico, o pesquisador da Lux Research, Yuan-Sheng Yu, identificou como uma tendência o surgimento das plantas integradas 1,5G, como os dois novos projetos, da Edeniq e de uma planta piloto da ICM, anunciados em 2016.

“[Nos últimos dois anos] nós vimos um declínio significativo de anúncios de novos projetos de etanol 2G e isso não surpreende por causa da falta de progresso vista nas unidades pioneiras”, afirma Yu, que completa: “Isso pode mudar, mas apenas quando vermos a primeira história de sucesso. Em vez disso, continuamos a ver mais projetos de 1,5G”.

Nos Estados Unidos a produção integrada de etanol de primeira e de segunda geração representa uma possibilidade para as usinas produzirem mais combustível com a mesma matéria-prima – o milho – sem a necessidade de inclusão de palha no processo.

Contudo, os pesquisadores ainda divergem sobre como esse conceito será aplicado com a cana-de-açúcar. Há quem aposte tanto em uma ‘versão’ do etanol celulósico enriquecida com melaço quanto na extração de açúcar do biogás. Já existem projetos em andamento no Brasil para usinas 1,5G.

De acordo com o presidente da empresa de engenharia Katzen, Philip W. Madson, a perspectiva é que o etanol 1,5G seja uma realidade no Brasil em 2020 – ou até mesmo antes disso. “Eu acredito que o 1,5G é um importante aspecto do futuro dos biocombustíveis”, afirma.

Apesar de parecer novidade, o conceito de “geração 1,5” não é exatamente recente. Ele foi criado pela Katzen inicialmente para se referir a novos produtos, tecnologias e oportunidades que poderiam aparecer para as plantas de etanol de primeira geração. Ou seja, era uma ideia ampla para se referir a inovações que pudessem gerar ganho de produtividade ou de renda para as companhias.

Eventualmente, contudo, o conceito de 1,5G evoluiu e passou a ser referente a algo bem mais específico. Ele passou a tratar da conversão de açúcares adicionais, encontrados na hemicelulose e na celulose, que geram um produto final que não é um etanol celulósico puro, mas uma mistura do etanol de primeira e de segunda geração.

Leia mais:

- Projetos em andamento nos Estados Unidos
- Uma alternativa para o aumento de produtividade nas usinas
- Funcionamento e resultados do 1,5G na prática
- 2G x 1,5G: viabilidade econômica
- Necessidade de investimentos
- Pré-tratamento, um velho inimigo
- Caminhos para o futuro do etanol
- Eficiência ambiental e RenovaBio

exclusivo assinantes

O texto completo desta página
está disponível apenas aos assinantes do site

veja como é fácil e rápido assinar