BASF
2ª Geração

Empresas estão mais próximas de produzir etanol celulósico


Unica - 18 fev 2013 - 11:53 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53

Empresas do setor sucroenergético brasileiro estão acelerando a implantação de usinas para a produção de etanol de segunda geração, ou celulósico. O avanço envolve diversos grupos e coloca essas empresas entre as protagonistas globais nessa tecnologia, de acordo com o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc.

Das cinco empresas brasileiras que já anunciaram projetos efetivos, três são associadas da UNICA: Raízen, Odebrecht Agroindustrial e Usina São Manoel, que tem parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

"Esse passo inicial é de extrema importância para o País, pois estamos vivendo um momento em que as parcerias e o modelo de negócios para a produção do etanol de segunda geração, derivado do bagaço e da palha da cana, estão sendo amadurecidos e brevemente serão postos em prática. Também estaremos mergulhando em uma nova forma de se pensar a produção, buscando mais competitividade, emitindo menos CO2 e reutilizando resíduos da produção do biocombustível de cana," explica Szwarc.

A Odebrecht Agroindustrial, até recentemente conhecida como ETH Bioenergia, fez uma parceria com a Inbicon, companhia do Grupo DONG Energy da Dinamarca, para trazer o etanol de segunda geração aliando a experiência industrial e comercial da brasileira com a tecnologia e expertise da parceira. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de tecnologias para produção de etanol e outros produtos a partir de matérias-primas lignocelulósicas, como o bagaço da cana, e oferecer uma solução integrada e competitiva para outros produtores de bioenergia do País.

Já a Usina São Manoel, associada à Copersucar, vai abrigar a planta do Centro de Tecnologia Canavieira, que deve ficar pronta em 2014 para iniciar um período de demonstração de 18 meses. A iniciativa conta com recursos próprios do CTC, do Projeto PAISS - Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

A Raízen tem como expectativa iniciar a operação de sua primeira unidade de etanol celulósico em uma planta piloto em Piracicaba (SP) entre 2014 e 2015, aproveitando a infraestrutura para a produção de etanol que já possui na região. A capacidade da unidade será de 40 milhões de litros por ano. Oito unidades adicionais de etanol de segunda geração estão programadas até 2024, elevando em 50% a produção do biocombustível celulósico no período.

Outras iniciativas
A primeira usina de etanol celulósico de porte comercial do Brasil deverá ser inaugurada no início de 2014 em Alagoas para GraalBio. Com capacidade para produzir 82 milhões de litros/ano, o projeto recebeu investimento de R$600 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e será a pioneira na produção de etanol de segunda geração no Brasil em escala comercial.

Em 2015, será a vez da tecnologia do etanol de segunda geração da Petrobras chegar aos postos de combustíveis. A empresa optou pelo desenvolvimento próprio da tecnologia por considerar estratégico liderar e ter o domínio do processo de produção e a busca de parcerias em algumas etapas. O etanol celulósico produzido pela Petrobras em caráter experimental foi utilizado pela primeira vez no Brasil em junho de 2012, em uma frota com 40 minivans que transportou oito mil conferencistas durante a Rio+20 - Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. De forma pioneira, a Petrobras produziu em parceria com a KL Energy 80 mil litros de etanol de segunda geração em planta de demonstração para atender a conferência, atingindo o patamar de 300 litros de etanol por tonelada de bagaço de cana.