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2ª Geração

Cientistas produzem cromossomo artificial da levedura Saccharomyces cerevisiae


El pais - 28 mar 2014 - 08:52 - Última atualização em: 29 nov -1 - 20:53
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O cromossomo é representado em formato de uma cobra, com as partes deletadas em amarelo e as mudadas marcadas com alfinetes

Cientistas de diversas universidades americanas e europeias conseguiram alcançar o que os editores da revista "Science" chamaram de "o Monte Everest da biologia sintética": o primeiro cromossomo totalmente fabricado (e aprimorado) em laboratório. Trata-se do cromossomo da levedura, o fungo usado para fazer cerveja, pão, biocombustível e metade das pesquisas sobre organismos mais complexos, como o nosso.

A capacidade de introduzir um cromossomo sintético neste organismo permitirá vários avanços, como a produção de biocombustíveis mais sustentáveis para o meio ambiente, a produção de novos antibióticos e todo um novo campo para buscar a resposta da pergunta de um milhão de dólares: como o construir o genoma inteiro de um organismo superior. A reconstrução de um neandertal, por exemplo, seria impossível sem este passo essencial.

A biologia sintética é uma disciplina emergente que trata não exatamente de modificar organismos, mas de desenhá-los a partir de princípios básicos. Nos últimos cinco anos foram obtidos avanços espetaculares, como a síntese artificial do genoma completo de uma bactéria e vários vírus. Mas esta é a primeira vez que se consegue fabricar um cromossoma completo e funcional de um organismo superior (ou eucariota). O consórcio liderado por Jef Boeke, diretor do Instituto de Genética de Sistemas da Universidade de Nova York, apresentou seu inovador trabalho na última edição da "Science".

- Nossa investigação move a agulha da biologia sintética desde a teoria até a realidade - afirmou Boeke, um dos pioneiros deste campo. - Esse trabalho representa o maior passo dado até hoje no esforço internacional para construir o genoma completo de uma levedura sintética.

Boeke começou o projeto há sete anos, em outra universidade, a Johns Hopkins, reunindo 60 estudantes universitários em um projeto chamado "Build a genome" (construindo um genoma, em tradução livre). As técnicas para sintetizar o DNA melhoraram muito na última década, mas só conseguem produzir trechos muito curtos da sequência; não muito mais de 100 ou 200 letras. Os estudantes ficaram encarregados de juntar as sequências sintéticas em trechos cada vez maiores. Assim, o cromossoma final mede cerca de 300 mil letras.

Que tal feito científico se refira à levedura (Saccharomyces cerevisiae), um fungo unicelular que já era utilizado pelos antigos egípcios para fazer cerveja, parece um paradoxo ou uma piada sem graça. Mas não é bem assim. A divisão fundamental entre todos os seres vivos da Terra não é a que existe entre plantas e animais, nem entre micro-organismos e espécies grandes, mas sim entre procariotas (bactérias e arqueas) e eucariotas (todos os demais, incluindo os humanos).

O importante da levedura é que, embora seja um organismo unicelular, está do nosso lado dessa divisão. Não é exagerado dizer que a maior parte do que sabemos sobre a biologia humana se deve à investigação deste familiar fundo de aparência modesta. A levedura tem uns 6 mil genes, e compartilha um terço deles com o ser humano, apesar de 1 bilhão de anos de evolução separando os dois.

Javier Sampedro

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