2ª Geração

BP não consegue vender ativos de etanol celulósico e fecha usina e centro de pesquisa


novaCana.com - 15 mai 2015 - 11:20

Após colocar a venda um extenso portfolio de ativos de etanol de segunda geração, no qual investiu mais de U$ 750 milhões, a petroleira BP anunciou no início deste mês o fechamento de sua usina de demonstração e de um centro de tecnologia em biocombustíveis.

Localizada em Jennings, no estado da Louisiana, um importante polo produtor de cana-de-açúcar, a planta demo tem capacidade para produzir 5,2 milhões de litros de etanol celulósico e pode trabalhar com diferentes tipos de matéria-prima. Já o centro de biocombustíveis, o segundo negócio de etanol celulósico a fechar as portas, está localizado em San Diego, na Califórnia e reúne pesquisas com enzimas, leveduras e processos tecnológicos, além de laboratórios de fermentação em pequena escala, e de um laboratório piloto com capacidade para até 500 litros.

A expectativa da empresa era se desfazer dos negócios de etanol celulósico até 15 de abril, data em que receberia o anúncio de uma oferta final por parte dos investidores selecionados. A data prevista para a venda final dos ativos 2G é 30 de junho.

A empresa informou que demitirá 56 funcionários em Jennings, os quais continuarão na folha de pagamento da companhia até o dia 3 de julho.

Os negócios faziam parte do “pacote” de ativos de etanol celulósico que a empresa havia colocado a venda no início deste ano, conforme relatado pelo portal novaCana.

Usina demo de etanol celulósico da BP nos EUAUsina demo de etanol celulósico da BP nos EUA

“No ano passado a BP anunciou uma mudança de foco em seu negócio global de biocombustíveis, com planos de descontinuar o desenvolvimento de sua tecnologia proprietária de biocombustíveis celulósicos. Embora estejamos vendendo os ativos do nosso negócio de biocombustíveis celulósicos, até agora não recebemos nenhuma proposta aceitável para a continuidade operacional da empresa (going-concern) e infelizmente precisaremos fechar o centro de tecnologia em biocombustíveis de San Diego e a planta de demonstração em Jennings, na Louisiana”, disse o porta-voz da empresa nos Estados Unidos, Jason Ryan, em email enviado ao novaCana.

O anúncio da decisão veio acompanhado da justificativa de que apesar de acreditar no “bom valor” da tecnologia de biocombustíveis celulósicos “no longo prazo”, o atual “ambiente externo de negócios desafiador” resultou em “decisões estratégicas difíceis” em algumas unidades de negócio.

“Decidimos focar o nosso investimento em biocombustíveis na construção da lucratividade e no escalonamento do nosso negócio de cana-de-açúcar no Brasil. A decisão não afeta nossas joint-ventures de bio-butanol com a Butamax e a KRL”, explicou o porta-voz.

No Brasil, a empresa opera três usinas, a Itumbiara, em cidade goiana de mesmo nome, a Tropical, em Edéia (GO) e a Ituiutaba, em município homônimo (MG), que juntas somam capacidade de moagem de 9,7 milhões de toneladas e produção anual de 640 milhões de litros de etanol.

Desde janeiro de 2013, a companhia vem realizando sucessivos aumentos de capital que já possibilitaram a injeção R$ 1,218 bilhão nas usinas do grupo. A mais recente operação, no valor de R$ 325,09 milhões, foi aprovada em assembleia de acionistas realizada em 4 de fevereiro.

De biocombustíveis à biociência

Na resposta enviada ao portal novaCana, a empresa informou que o foco agora está na biociência.

“As biociências continuam a ser estrategicamente importantes para os negócios e o portfolio de produtos da BP. A fim de alcançar estes interesses, a BP está estabelecendo um centro de pesquisas em biociências em San Diego [Califórnia], o qual irá capitalizar os recursos e capacidades que desenvolvemos nos últimos anos”, disse.

O centro de biociências operará no centro de tecnologia global em biocombustíveis, em San Diego, mas depois será transferido a outro espaço na mesma cidade até o final do ano.

A mudança de foco, de biocombustíveis à biociências, sinaliza a nova visão da BP, que abandonou o negócio de etanol celulósico. No último relatório de sustentabilidade da empresa, divulgado em 18 de março, não há qualquer menção aos negócios 2G da companhia.

For sale

Questionada sobre a venda ou o fechamento dos demais ativos, a companhia não respondeu.

Segundo apurou o portal novaCana no início deste ano, o “pacote” colocado a venda inclui um conjunto de cepas fúngicas modificadas geneticamente, que produzem enzimas capazes de converter a biomassa em açúcares fermentáveis; 500 hectares de fazendas com gramíneas de alto teor de biomassa, mais de 50 variedades de cana-energia, além do centro de tecnologia em biocombustíveis e da planta de demonstração em Jennings, na Louisiana.

Histórico

A planta de Jennings e o centro de tecnologia em biocombustíveis foram adquiridos pela BP em 2010, que pagou à Verenium, empresa americana de tecnologia, com atuação no desenvolvimento de enzimas, U$ 98,3 milhões pelos dois ativos.

À época, a BP disse que a transação demonstrava o “interesse da empresa em ser a líder na indústria de biocombustíveis celulósicos nos Estados Unidos” e posicionava a petroleira como “uma das poucas empresas mundiais com capacidades integradas de ponta a ponta”.

Leonardo Siqueira – novaCana.com


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