Entrevistas

A estratégia da ETH Bioenergia – Entrevista: Luiz de Mendonça


Isto É Dinheiro - 10 jan 2013 - 08:37

A busca por resultados na ETH faz parte de uma estratégia de longo prazo, na contramão da atual situação do setor sucroenergético do País.

Em 2007, quando a ETH Bioenergia nasceu, o cenário no País já não era muito favorável ao setor bioenergético. Mesmo assim, o grupo Odebrecht apostou no segmento. A tacada foi certeira. Atualmente, as nove usinas da empresa processam 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em terras arrendadas.

Mas esse volume de cana representa metade da atual capacidade de moagem. O desafio, avalia Luiz de Mendonça, presidente da ETH, é vencer o fosso entre a capacidade instalada e o que é produzido no campo.

Que receita a ETH seguiu para driblar a crise do setor bioenergético?
LUIZ DE MENDONÇA - A partir do momento em que a Odebrecht decidiu entrar no setor, o primeiro passo foi definir qual estratégia seguir. A possibilidade de crescimento não estava mais nas fronteiras tradicionais do interior paulista. Por isso, nos instalamos nos três Estados do Centro-Oeste, além de Teodoro Sampaio (SP), onde tudo começou. O segundo passo foi desenvolver a mão de obra local e arrendar terras.

luiz-mendonca-eth-100113Por quanto tempo as terras são arrendadas?
MENDONÇA - Hoje, a duração média dos contratos é de 12 anos, mas estamos tentando elevar para 21    anos. Esse alongamento é um fator importante porque dá à empresa segurança para crescer.

Como a ETH vê o futuro do biocombustível de cana no País?
A matriz energética brasileira pode ter altos e baixos, momentos complicados, como agora, em decorrência da rentabilidade sofrível do setor. Mas, com a frota brasileira de carros crescendo e a demanda por energia elétrica impulsionando o desenvolvimento industrial, a produção de etanol vai ser fundamental. O País não tem capacidade de importação total da gasolina de que precisa e o biocombustível é uma das constantes dessa equação a ser resolvida.

Então, por que o etanol não deslancha definitivamente como um segmento estratégico para a economia do País?
Porque falta uma visão de longo prazo mais estável para o setor. A atividade rural precisa de tempo. Para um canavial chegar ao seu pleno desenvolvimento, são necessários cinco anos. Portanto, esse é um jogo que precisa de um longo planejamento. Mas já superamos a fase de mitos e fantasmas de que vamos destruir a Amazônia inteira, que estamos plantando cana-de-açúcar no lugar de alimento. A grande fronteira de expansão da cana- de-açúcar é o pasto degradado cuja área a gente ocupa e recupera.

Quais os planos da ETH fora do Brasil?
MENDONÇA - No ano passado, assumimos a implantação da Companhia de Bioenergia de Angola, chamada de projeto Biocom, uma jointventure entre a Odebrecht, a estatal angolana, Sonangol e o grupo privado local Damer. A Biocom será a primeira usina de açúcar de Angola com capacidade para processar dois milhões de toneladas de cana a partir deste ano. Além da África, também estamos analisando oportunidades em países como México, Colômbia e Peru.

Alécia Pontes - Isto É Dinheiro Rural