Para especialistas, análise do solo e rotação de cultura são processos menosprezados pelo mercado, mas que influenciam diretamente na qualidade da safra e nos lucros do setor

Yara Brasil Fertilizantes 11 jul 2019 - 10:07 - Última atualização em: 09 ago 2019 - 10:08 CONTEÚDO PATROCINADO

No início deste ano, o Censo Varietal realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apontou que o setor sucroenergético vem renovando os canaviais a taxas abaixo das recomendadas desde a safra 2014/15. Com isso, somam-se cinco safras de envelhecimento dos canaviais, o que tem como efeito direto a queda da produtividade.

O quadro é agravado, segundo quem estuda os ciclos da cana e o melhor rendimento da cultura, devido às abordagens dadas ao solo nas diferentes fases do cultivo – plantio, colheita e intervalos entre um e outro. O grande problema é que as operações do preparo de solo representam 28% do custo da produção de cana-de-açúcar, o que costuma travar os produtores com dificuldades financeiras ao impedir que todas as etapas sejam cumpridas adequadamente.

De acordo com o engenheiro agrônomo Sérgio Gustavo Quassi de Castro, mestre em Engenharia Agronômica e doutor em Engenharia Agrícola, a negligência nos cuidados com o solo pode fazer com que a cana precise ser arrancada depois de apenas três ou quatro cortes – ou seja, apenas metade do potencial é efetivamente aproveitado.

“Em geral, se a produção está em um cenário de muitos erros, em que não é feita a correção do solo, em que se coloca cana sobre cana, em que é usado um adubo de baixa qualidade e a distribuição de nutrientes não é adequada, o canavial se torna pouco produtivo. Se fizer tudo isso corretamente, tem potencial para dobrar a produção e a longevidade”, aponta.

Dessa forma, embora o custo para o cuidado com o solo pareça alto, ele se revela compensador. Afinal, o ciclo da cana é longo. Para a cana soca, há uma distância de 12 meses entre os cortes. Na cana-planta, podem se passar até 18 meses antes da primeira colheita.

“Se o produtor envelhece um canavial pouco produtivo, não consegue deixar a atividade economicamente viável. Se fez esse bom preparo do solo, na cana planta, consegue aumentar a longevidade sem haver queda de produção e melhorar a rentabilidade”, Sérgio Gustavo Quassi de Castro (engenheiro agrônomo)

De acordo com especialistas, o momento oportuno para preparar o solo é justamente na reforma do canavial – algo que não tem acontecido na intensidade devida.

No momento da reforma, é possível corrigir os níveis de fertilidade para os valores recomendados, entre 50 e 60 cm de profundidade, além de reduzir teores de alumínio, fornecer bom condicionador de solo, gessagem e o calcário necessário para elevar a saturação de bases do solo. Com essas práticas, amplia-se a capacidade de troca catiônica (CTC) do solo que, com a adubação, terá os nutrientes necessários para a cana crescer de forma saudável.

Outra informação importante é o PH do solo, que deve ser de 6,5. Conforme os especialistas, a produção em condições extremas de pH ainda é viável, porém, nesses casos, devem ser utilizadas variedades mais novas de cana, que são mais tolerantes.

Assim, o solo perfeito para o canavial é aquele que não possui impedimentos físicos e compactação, que não tem pragas nem populações de nematoides, e onde foi realizada a correção de perfil em subsuperfície.

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Soluções diversas para solos variados

O especialista agronômico da Yara Brasil Fertilizantes, Ademilson Palharin, explica que existe uma grande diversidade de solos em todo o território nacional, com especificidades de acordo com o estado ou região do país. Isso influencia no tipo de tratamento que deve ser dado antes do início de cada fase do cultivo de cana.

De acordo com ele, há 13 classes de solos marcados por características variáveis – químicas, físicas e morfológicas. “São características dos solos brasileiros serem deficientes em fósforo, com teores médios em torno de 1,0 mg kg-1 (Mehlich 1), o que torna necessária a utilização de fertilizantes para suprir a deficiência”, exemplifica e continua: “Não podemos tratar os solos da mesma maneira, a variabilidade de nutrientes é grande. Independentemente dos teores de macro e micronutrientes nos solos, cada um poderá ter uma particularidade nutricional diferente, exigindo correções nutricionais diferentes”.

Com a tecnologia a serviço de uma melhor produtividade da cana-de-açúcar, é possível realizar avaliações do terreno do canavial que permitem a realização de um diagnóstico nutricional. “A avaliação do solo pode ser através da análise do solo ou da análise foliar. É importante saber quais nutrientes se encontram em nível crítico no solo e na folha para a correção”, aponta.

É o que faz, por exemplo, o Sistema de Recomendação Yara, um serviço fornecido pela própria Yara. “Através da interpretação de dados de análises de solo aliadas ao nosso conhecimento agronômico, ele fornece as soluções nutricionais mais adequadas para a obtenção de melhores produtividades e maior rentabilidade da lavoura”, explica Palharin.

Nessa solução digital, o produtor pode tanto solicitar a coleta de uma amostra de solo para análise quanto enviar uma análise de solo feita anteriormente, de modo que será gerado um relatório com a recomendação de nutrientes para reposição. Para um resultado mais acurado, as amostras de solo devem ter sido extraídas em um período de, no máximo, 12 meses.

Segundo a Yara, a ferramenta cruza informações sobre o tipo de solo, a região e a cultura que se pretende implementar, desenvolvendo recomendações por talhão ou gleba, para aplicação em taxa fixa. Além disso, são utilizados parâmetros científicos para embasar as sugestões, como os boletins técnicos oficiais por região e os pareceres de especialistas.

Outra ferramenta desenvolvida pela Yara para contribuir com uma avaliação adequada do solo é a Yara CheckIT, que, segundo Palharin, é um aplicativo gratuito para tablets e smartphones. O recurso ajuda os produtores a identificar possíveis deficiências nutricionais, por meio de um vasto acervo de fotos de diversas culturas.

“Os usuários podem fazer consulta a fotos de deficiências em alta definição e filtrar por sintomas, localização do sintoma na cultura ou pela causa suspeita do sintoma”, cita. Se, por exemplo, a cultura apresenta sintomas como folhas excessivamente secas ou amareladas ou um dano que pode estar sendo causado por uma praga, a plataforma pode dizer não apenas o que está causando aquela reação, como recomentar quais nutrientes estão faltando e podem ajudar a tratar a deficiência identificada, além de trazer produtos alternativos que permitem o tratamento preventivo para a safra seguinte.

Solo bem tratado

A análise do solo está atrelada a um tripé que, segundo Quassi de Castro, é o que sustenta a cultura canavieira. “Primeiro, identificar onde está a camada de compactação do solo, para corrigir e remover impedimentos físicos; depois, ter uma boa amostragem na análise do solo, para que o resultado seja uma cópia fiel do que tem no campo e, por fim, mesmo que tenha que fazer preparo do solo, adotar rotação de cultura ou adubação verde”, enumera.

Esta última etapa é a mais importante – e, também, a mais esquecida por muitos produtores –, já que garante a renovação da microbiota do solo. “Fazer a rotação de culturas ajuda a aerar o solo e a renovar a microbiologia. Se houver nematoides, algumas opções de rotação de cultura têm efeito de redução desses problemas”, justifica.

Ele ainda detalha: “Se, depois da cana, eu preparo o solo e volto a plantar cana – não coloco uma outra cultura como uma gramínea, uma leguminosa, uma outra família –, a monocultura reduz a microbiologia e a qualidade, aumentando também as pragas no solo”.

Como a recomendação é que a cana seja substituída a cada cinco ou seis cortes, dependendo da variedade, é comum que o produtor já saiba de antemão quais são as áreas de reforma em uma fazenda. “Ele pode manejar a colheita para essa área estar liberada em outubro, fazendo o preparo na seca, em agosto e setembro. Então, em outubro, quando começa a chuva, ele pode colocar essa cobertura vegetal, essa rotação, antes da cana em dezembro”.

Luciane Belin – novaCana.com
Conteúdo patrocinado pela Yara Brasil Fertilizantes