Flexibilidade é uma palavra importante para o setor sucroenergético. Seja nos carros que aceitam gasolina e etanol; nas usinas flex, que processam cana-de-açúcar e milho; ou no mix de produção das indústrias, que precisam de cada vez mais agilidade para responder às flutuações dos mercados dos produtos da cana. Da mesma forma, a capacidade de estocagem também precisa ser flexível.

Tópico 28 mai 2019 - 09:05 CONTEÚDO PATROCINADO

A última safra de cana-de-açúcar registrou números recordes de produção de etanol. O setor sucroenergético, atendendo a diversos fatores externos, maximizou a produção do biocombustível e demonstrou que pode responder com agilidade a flutuações de preços, adaptando o direcionamento da matéria-prima.

Para a próxima temporada, o cenário já começa a mudar. A possibilidade de um déficit na relação entre o consumo e a produção mundial de açúcar pode ajudar a elevar os preços da commodity e muitas consultorias e empresas especializadas já projetam mudanças no mix das usinas.

O executivo comercial Adilson Binheli reforça a questão da susceptibilidade do setor a fatores externos. “A commodity é muito sensível a diversas variáveis. Tem o mercado externo, a cotação de dólar, a política econômica”, enumera. Ele faz parte da equipe da Tópico, empresa especializada em estrutura flexível para armazenagem e cobertura, e que possui ampla atuação no setor sucroenergético.

Devido a essas influências, enquanto 35,2% da cana foi direcionado para a fabricação de açúcar na safra 2018/19, esse número pode chegar a até 40% em 2019/20, conforme estimativa do Departamento de Recursos de Agricultura e Água do governo da Austrália (Abares).

Em relatório, o Abares atrela este número à perspectiva de menores preços para o etanol e de depreciação do real. “Assumindo condições meteorológicas médias durante a safra, um aumento na exportação do açúcar brasileiro é esperado para compensar a diminuição nas vendas indianas”, afirma. Dessa forma, haveria um incentivo à produção no Brasil.

Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), nas últimas dez safras, as usinas da região Centro-Sul direcionaram entre 31,5% e 46,5% da cana para a produção da commodity.

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A constante variação no volume de açúcar produzido, entretanto, é acompanhada por algumas dificuldades. Além da necessidade de fazer as adaptações dentro da dinâmica industrial, as companhias também precisam lidar com mudanças no espaço de armazenagem necessário.

De acordo com o diretor comercial e de marketing da Tópico, Sergio Gallucci, as usinas conseguem migrar de açúcar para etanol de forma relativamente simples, acompanhando os preços dos produtos. Essa habilidade, porém, precisa ser estendida para os estoques. “Em um cenário mais alcooleiro, a pressão sobre a armazenagem do açúcar diminui, mas em um mais açucareiro, as usinas precisam conseguir essa armazenagem de forma mais rápida”, garante.

O gestor de logística e materiais da Tereos Açúcar & Energia Brasil, Gilmar Silva Flor, concorda com essa perspectiva. Segundo ele, o mercado de açúcar tem uma capacidade de armazenagem muito baixa, que equivale a cerca de 50% a 60% da produção. Como o preço do açúcar é volátil, ele acredita que uma flexibilidade na armazenagem pode garantir um poder de negociação maior.

Gallucci complementa que nem sempre as usinas têm a capacidade estática disponível – e é nesse momento que surge a necessidade de soluções flexíveis. Essas opções precisam ser de fácil instalação e com diferentes tamanhos, atendendo a decisões feitas no curto prazo e a imprevisibilidades na demanda por armazenagem.

“As usinas não conseguem dar vazão [ao açúcar] no mesmo ritmo da produção. Isso leva à necessidade por grandes armazéns, que conseguem capturar essa produção e, depois, fazer o escoamento conforme a demanda do cliente, do mercado interno ou da exportação”, explica.

Contratar ou construir: eis a questão

Atualmente, as usinas possuem quatro opções principais para a armazenagem de açúcar: galpões próprios em alvenaria, contratação de armazenagem externa, galpões infláveis e os galpões estruturados flexíveis, como os da Tópico.

A principal vantagem da primeira opção é que as construções podem ser de qualquer tamanho, de acordo com a necessidade da usina. Porém, os galpões em alvenaria não podem ser desmontados e se tornam um espaço ocioso na entressafra ou em períodos de menor produção de açúcar.

Além disso, Gallucci observa que a construção de galpões de alvenaria pode demandar um alto investimento das usinas, estimado entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil por metro quadrado. “Investimento é um cobertor curto, onde você investe é uma questão de escolha”, aponta e detalha: “Ou você investe na parte fabril, na matéria-prima, em melhorias e em equipamentos mais eficientes, ou você pode investir em armazéns”.

Além da questão do direcionamento estratégico das verbas para investimentos, ele relembra que decisões de mudanças no mix de produção das usinas podem ser tomadas em curto prazo, mas que são essenciais para o bom desempenho financeiro da companhia. A construção de um galpão de alvenaria, no entanto, pode levar entre 12 e 18 meses, “se tudo der certo”, conforme o diretor.

Já um galpão modular, dependendo do tamanho, pode ficar pronto em duas semanas. “É uma questão de ser mais ágil, mais prático e de contar com a flexibilidade, a possibilidade de montar, desmontar, aumentar ou diminuir o galpão ao longo do tempo”, aponta.

“Costumo falar que a gente não vende açúcar nem etanol, a gente vende dinheiro. É o mercado que dita o negócio. Assim, a vantagem dos galpões estruturados é que você tem um tempo de resposta muito rápido; você consegue aumentar ou baixar a armazenagem com base na demanda real”, Gilmar Silva Flor (Tereos)

Para completar, Gallucci afirma que os executivos das usinas podem não estar seguros de que um determinado volume de produção de açúcar se manterá por um período prolongado, o que não justificaria investimentos elevados.

“Em geral, os clientes trabalham em um modelo em que eles têm armazenagem de alvenaria para o basal, para aquele mínimo de açúcar que deve ser produzido, e as flutuações da demanda podem ser complementadas com a nossa solução”, relata o diretor. “Eventualmente, se o cliente não tem esse mínimo de armazenagem em alvenaria para o basal, ele também usa o nosso galpão, pois é uma solução eficiente”.

Por sua vez, Binheli comenta os problemas da construção em alvenaria ficar ociosa. “Você cria um ativo na empresa e, quando faz isso, passa a ter a depreciação deste ativo”, afirma.

O executivo ainda aponta que a locação de galpões lonados é contabilizada como despesa para as empresas que trabalham com lucro real – caso da maior parte das usinas. De acordo com ele, desta forma, é possível abater em torno de 34% deste custo do imposto de renda.

Além disso, as opções lonadas podem levar em conta a sazonalidade do setor e o tamanho de cada safra. A adoção destas modalidades permite respostas rápidas a incertezas no planejamento, como moagens maiores ou menores do que o esperado e flutuações nos preços – fatores que podem afetar o volume que as companhias desejam armazenar.

Binheli explica que os galpões não precisam de fundação, necessitando apenas de um terreno plano e compactado para a montagem. “É como se fosse um Lego. A largura dos galpões vai de 10 a 40 metros e, no comprimento, eles são modulares, vai de 5 em 5 metros. Então, eu posso montar um galpão com 10 ou com 250 metros de comprimento. Essa flexibilidade faz com que eu possa atender a qualquer tipo de cliente”.

A desvantagem da terceirização

A contratação de armazenagem externa também apresenta algumas dificuldades. Silva Flor, da Tereos, relembra que, antes da adoção dos galpões estruturados, a empresa optava por esta modalidade. “Quando chegava o pico de armazenagem, em julho e agosto, às vezes, o mercado pedia para a gente segurar produto porque estavam previstos preços melhores para frente. Aí, saíamos contratando armazéns”, conta.

Essa opção implicava em altos custos, acompanhados da necessidade de frete – algo que deixou de existir com a contratação dos galpões flexíveis. “A gente passou a controlar a operação, internalizando um processo que era contratado. Então, teve um ganho de frete e em custo total, porque o metro quadrado é muito mais barato que a contratação de um armazém de alvenaria externo”.

 

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Mas a principal vantagem, de acordo com ele, é mesmo a flexibilidade de layout dos galpões, algo que não é possível nos armazéns de alvenaria. “Podemos operar com um galpão nos padrões de 40 m por 150 m. No ano que vem, podemos mudar o comprimento para 100 m se diminuir o mercado, ou podemos aumentar para 180 m”, afirma e reforça: “Você também consegue mudar o layout, pode abrir porta para entrada e saída de produto muito facilmente”.

Outra vantagem, na opinião do gestor, é a agilidade. Enquanto um galpão estruturado pode ficar pronto em menos de duas semanas, o processo de locação de armazenagem externa pode demorar até três meses. Com isso, Silva Flores explica que a companhia precisava considerar o cenário de maior volume armazenado possível. “Com o flexível, você pode utilizar o cenário realista e, se tiver uma demanda um pouco maior, dá para aumentar a capacidade”, complementa.

De acordo com a Tópico, em resumo, a opção por um galpão de alvenaria implica em um período de construção maior, alto investimento, imobilização do ativo, possibilidade de ociosidade e pouca flexibilidade para configuração de layout depois da construção. Já a opção pela locação em centros logísticos envolveria contratos por períodos maiores, maior burocracia para contratação, maior custo, despesa com movimentação de carga e menor controle da operação, uma vez que os galpões podem estar distantes da usina.

Mudanças no mercado de armazenagem flexível

Entre as opções flexíveis, os galpões infláveis são bastante utilizados pelo setor de açúcar. Eles não possuem nenhum tipo de estrutura, o que permite uma instalação rápida e que pode ser realizada em qualquer tipo de terreno, sendo adequada para situações de emergência, por exemplo.

Galluci, da Tópico, compara essa opção com os galpões estruturados: “Eles têm um propósito muito semelhante; são montados muito rápido, são flexíveis e atendem a essa imprevisibilidade da demanda”, afirma. “Porém, os galpões infláveis têm uma série de ineficiências”.

Entre os problemas da opção inflável está o gasto de energia elétrica para mantê-la. Gallucci explica que ela demanda a entrada constante de ar e que isso consome eletricidade, algo que muitas usinas não consideram – mas deveriam.

“Eventualmente, as usinas produzem energia elétrica e não colocam esse consumo na conta, porém, essa não é a abordagem correta porque elas poderiam vender essa energia para o sistema e gerar receita”, completa.

Binheli ainda argumenta que, durante a entressafra, as usinas não produzem eletricidade e passam a ter que comprar energia da rede, ao preço normal: “Se a gente somar o custo da energia ao valor de locação do inflável, dá um impacto razoável”.

Além disso, os galpões infláveis envolvem dificuldades logísticas. Entre elas está a impossibilidade da realização de First In, First Out (Fifo), em que o primeiro produto a entrar também é o primeiro a sair.

Isso ocorre porque a opção inflável tem apenas uma porta, acessível por meio de uma eclusa, que funciona como um corredor para quem deseja entrar na bolha de ar. “O fato de você ter só uma porta para entrar e para sair, impacta na logística. Você tem que abrir a porta para o caminhão entrar, daí você tem que fechar a porta com ele lá dentro para o galpão não murchar”, descreve Binheli.

Dessa forma, de acordo com ele, é preciso manter um espaço interno para circulação, o que prejudica práticas como a separação do açúcar, necessária para algumas usinas, e o Fifo. “O primeiro açúcar vai ser colocado lá no fundo. Só que, na hora da retirada, isso vai acontecer da frente para o fundo. Então, o último açúcar que entra será o primeiro que sai”, conta.

Com a infraestrutura flexível, esse problema é resolvido pela possibilidade de colocação de múltiplas portas. Com isso, as usinas podem adaptar o espaço a suas necessidades logísticas, fazendo a entrada e a retirada de açúcar a partir dos pontos desejados, sem perda de capacidade de armazenagem.

“Na estrutura Tópico, eu posso colocar duas, três, quatro portas – quantas o cliente achar necessário. E com um detalhe extremamente importante: é totalmente com vão livre. Você não tem nenhuma coluna dentro do galpão”, explica.

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Adaptado às exigências

O diretor Sergio Gallucci ainda complementa que as empresas do setor estão adotando níveis de exigência cada vez mais altos, o que vem acelerando a troca dos galpões infláveis por opções mais eficientes. “Em termos de segurança, o inflável é frágil. Se ele rasga por algum motivo, ele para de funcionar, murcha, acaba caindo em cima da carga e o risco é muito grande. Então, há uma série de inconvenientes”, complementa.

De acordo com Binheli, a estrutura flexível da Tópico atende a todas as normas da ABNT, inclusive a NBR 6123, que versa sobre a força do vento em edificações. Desta forma, o produto tem uma resistência superior à da concorrência, especialmente quando se considera os galpões infláveis.

“Essa segurança motivou a migração de muitas usinas, que saíram do inflável para a estrutura flexível”, relata a justifica: “Na hora de um vento muito intenso, a possibilidade de um inflável abrir e partir é grande. Uma vez que isso acontece, vai molhar todo o açúcar que está lá dentro. A usina não perde o açúcar, mas vai ter que reprocessar este produto e isso tem um custo”.

Segundo ele, inclusive, uma grande parcela dos atuais clientes da Tópico passou a optar pela estrutura flexível justamente por conta de incidentes provocados por ventos e chuvas fortes. “O galpão da Tópico tem estrutura metálica, galvanizada a fogo. As lonas são antifungo, antimofo e anti-raio-ultravioleta”, descreve.

Um desses casos é o da Tereos Açúcar & Energia Brasil. De acordo com o gestor de logística da companhia, a Tereos chegou a trabalhar com galpões infláveis em uma unidade, porém houve um acidente que acabou cortando o galpão, deixando o açúcar exposto ao tempo e causando prejuízos. Para completar, a temperatura elevada dentro do inflável causou o empedramento do adoçante.

Assim, a adoção dos galpões estruturados aconteceu em 2014. “Quando a gente começou, fizemos um teste em uma operação regional, prevendo inicialmente colocar só matéria-prima para uso em uma unidade que tem refinaria. Agora, temos nove galpões no total”, resume Silva Flor.

O supervisor de compras da Nardini, Allan Roger, vivenciou uma experiência semelhante. De acordo com ele, a usina realizou a locação de um galpão inflável, mas houve uma falta de energia provocada por uma chuva e o gerador instalado não funcionou. Como consequência, o espaço acabou murchando.

Assim, a opção pelo estruturado foi motivada especialmente pela segurança oferecida ao produto. “Havia um receio, sim, mas ele acabou”, relata. De acordo com o supervisor, a companhia chegou até mesmo a voltar a locar galpões infláveis, mas há preferência pela opção estruturada. “O inflável seria mais para uma emergência, alguma coisa a curto prazo. A longo prazo, a gente prefere o estruturado”.

“Quando você olha só o valor da locação do inflável, parece que ele é mais barato. Mas, quando você considera a locação, o custo da energia para manter ele inflado, a logística que é prejudicada, a perda de rendimento do funcionário, e você soma isso ao risco iminente do produto lá dentro, com certeza, o inflável começa a ficar mais caro do que a estrutura flexível”, Adilson Binheli (Tópico)

O executivo comercial da Tópico complementa que o galpão estruturado possui um conforto térmico superior ao da versão inflável. “A temperatura é elevada dentro dos infláveis, fazendo o funcionário perder rendimento e ter que se hidratar constantemente”, afirma e completa: “O calor pode até alterar a qualidade do açúcar”.

Ele explica que, no galpão inflável, a porta precisa ficar fechada o tempo inteiro para a estrutura não murchar. Dessa forma, o trabalho acontece em um ambiente totalmente confinado. Para completar, com a liberação de gases dos caminhões e da empilhadeira, a temperatura aumenta.

“O galpão estruturado está lá para atender, faça sol ou chuva. Com outros, a gente fica meio limitado”, Allan Roger (Nardini)

Conforme Allan Roger, da Nardini, o galpão estruturado é utilizado para complementar a armazenagem e lidar com possíveis flutuações do mercado. “De repente, o preço não está legal e não vamos vender, vamos estocar. Aí, os meus armazéns já existentes não conseguem estocar tudo o que eu produzo”, explica.

Outra vantagem, segundo Allan Roger, da Nardini, está na compreensão da sazonalidade do mercado.

Perspectiva de crescimento

A princípio, a Tópico espera ampliar sua base instalada em 10,3% durante 2019, com a parcela mais significativa desse crescimento sendo no setor sucroenergético.

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De acordo com Gallucci, nos últimos quatro anos, a Tópico mais do que dobrou sua base instalada no setor. Além disso, segundo informações disponibilizadas pela companhia, o açúcar representa uma grande oportunidade para a companhia neste ano, pois a modalidade de armazenagem flexível se encaixa na sazonalidade do setor, que apresenta picos de estocagem do adoçante em novembro. Ao mesmo tempo, a perspectiva para desmontagem – normalmente realizada em março e abril – caiu.

Ainda de acordo com a Tópico, alguns dos novos projetos devem contar com a participação de tradings, funcionando com uma abordagem consultiva. Para Sergio Gallucci, o uso dos galpões flexíveis pode ir além de déficits de armazenagem já estabelecidos ou de variações inesperadas no mix de produção das usinas.

“No caso das tradings, por exemplo, elas podem usar o nosso produto para fazer a estocagem”, afirma e justifica: “Como o açúcar é uma commodity, ele fica refém do preço do escoamento naquele momento, um valor dado pelo mercado. Se as tradings conseguirem armazená-lo de forma eficiente, elas conseguem vendê-lo futuramente a preços melhores”.

“As nossas conversas com as tradings são nesse sentido estratégico, de segurar o produto em um momento de baixa e guardá-lo para um momento de alta. É uma tendência que temos observado”, Sergio Gallucci (Tópico)

Além disso, há a expectativa de que as companhias de forma geral optem por armazenar parte da produção enquanto aguardam por melhores preços. Por fim, a Tópico ainda projeta um crescimento na região Norte-Nordeste.

Atualmente, a Tópico atua em conjunto com 15 grupos sucroenergéticos nacionais. Entre esses clientes estão a Tereos e a Nardini, além de companhias como Biosev, Atvos, Zilor, Clealco, Cerradão, Usina Colombo, Usina Santa Adélia, Usina Colorado, BP Biocombustíveis, GranBio, Alto Alegre e Santa Fé.

Conteúdo patrocinado Tópico – novaCana.com

Texto: Renata Bossle
Infográficos e ilustrações: Bianca Rati